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Empresa da Lava Jato lidera licitação milionária após desclassificação de 18 concorrentes em Maricá

Uma licitação de R$ 106 milhões para serviços de pavimentação em Maricá está sendo investigada pelo Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) e pelo Ministério Público de Contas. O caso envolve a habilitação da União Norte Fluminense Engenharia e Comércio, empresa citada na Operação Lava Jato, após a desclassificação de 18 concorrentes que apresentaram propostas mais vantajosas.
Empresa investigada na Lava Jato assume liderança do certame
A União Norte Fluminense Engenharia e Comércio, que inicialmente ocupava a décima oitava posição no certame, tornou-se a única habilitada após sucessivas eliminações de concorrentes. A empresa apareceu em delações premiadas e investigações da Lava Jato relacionadas a esquemas de corrupção durante o governo de Sérgio Cabral no Rio de Janeiro.
Segundo denúncias do Ministério Público Federal, operadores financeiros relataram o pagamento de propinas para favorecer a empresa em contratos do Departamento de Estradas de Rodagem (DER-RJ). Agora, a mesma companhia está prestes a assinar um contrato milionário com a Prefeitura de Maricá, governada pelo petista Washington Quaquá.
Proposta mais barata foi eliminada do processo
Entre as empresas desclassificadas estava a General Contractor Construtora, que apresentou a proposta mais vantajosa: R$ 79,5 milhões, valor 25% abaixo do orçamento estimado pela prefeitura. Com a eliminação desta e de outras propostas mais competitivas, o valor final aceito saltou para R$ 100,4 milhões.
A diferença representa um acréscimo de R$ 20,8 milhões em relação à proposta mais barata desclassificada, evidenciando um possível prejuízo aos cofres públicos municipais. O valor final ficou apenas R$ 6 milhões abaixo do teto estipulado de R$ 106,1 milhões.
Órgãos de controle iniciam investigação formal
O desenrolar suspeito da concorrência motivou a apresentação de uma representação formal ao TCE-RJ, protocolada em 16 de dezembro de 2025 pela advogada Alexandra Magalhães Gonçalves. A representação questiona diretamente a condução do certame e as sucessivas desclassificações que beneficiaram a empresa investigada na Lava Jato.
Em decisão monocrática de 18 de dezembro, o conselheiro José Gomes Graciosa, relator do processo, determinou que a Prefeitura de Maricá fosse notificada para se manifestar sobre as irregularidades apontadas. O caso foi encaminhado para instrução técnica e posterior análise do Ministério Público de Contas.
Histórico de corrupção levanta suspeitas
A União Norte Fluminense já foi alvo de investigações que revelaram esquemas sofisticados de corrupção no setor de obras públicas. Durante a Operação Lava Jato, a empresa foi mencionada em delações que detalharam o pagamento de propinas para garantir contratos vantajosos com o governo estadual.
Os operadores financeiros ouvidos pelo Ministério Público Federal relataram em detalhes como funcionava o esquema de favorecimento da empresa em licitações do DER-RJ, revelando um padrão de conduta que agora se repete em âmbito municipal.
Prefeitura nega irregularidades no processo
Procurada para esclarecimentos, a Prefeitura de Maricá informou que a licitação segue rigorosamente as regras legais, com "critérios claros e ampla concorrência". A administração municipal afirmou ter respondido a todos os questionamentos feitos pelo TCE-RJ.
"É importante esclarecer que uma representação é um direito da empresa participante e de qualquer cidadão, mas não significa irregularidade, nem implica, automaticamente, a suspensão do processo, que segue sob análise do órgão de controle, como ocorre rotineiramente em contratações públicas de grande porte", destacou a prefeitura em nota oficial.
Contrato ainda não foi assinado
Até o momento, não há informação sobre homologação definitiva do resultado nem assinatura de contrato entre a prefeitura e a União Norte Fluminense. O desfecho da licitação depende das manifestações da administração municipal e da análise técnica e jurídica em curso nos órgãos de controle.
A investigação em andamento pode resultar na anulação do certame ou na aplicação de sanções aos responsáveis, caso sejam comprovadas irregularidades no processo licitatório que favoreceu a empresa com histórico na Lava Jato.
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