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Sobrecarga no sistema elétrico após crimes coordenados deixa milhares de pessoas sem energia na Zona Sul do Rio. Light mobiliza 25 equipes para repor 3 km de cabos furtados

Moradores dos bairros do Leme e parte de Copacabana permanecem sem energia elétrica na manhã desta segunda-feira (6), completando quase 48 horas de apagão na Zona Sul carioca. O problema, que começou no sábado (4), foi causado por sobrecarga no sistema após furtos coordenados de cabos da rede subterrânea.
Protesto noturno marca revolta dos moradores
Na noite de domingo (5), moradores organizaram "panelaço" para protestar contra a situação prolongada. O ato espontâneo reuniu centenas de pessoas nas ruas dos dois bairros, demonstrando crescente irritação com a falta de solução.
"Estamos há dois dias sem luz, sem água quente, com comida estragando na geladeira. É inadmissível numa região turística como esta", declarou Maria Santos, moradora de Copacabana há 30 anos.
Estratégia criminosa sofisticada
A Light revelou que os furtos seguiram padrão coordenado para dificultar identificação. Criminosos deixaram apenas uma linha de distribuição funcionando, forçando sobrecarga que causaria pane após período determinado.
"A prática criminosa é planejada justamente para que a falta de luz não seja imediata, dificultando o flagrante e a identificação do local do dano, mas comprometendo a estabilidade da rede a médio prazo", explicou a concessionária.
Operação de reparo em andamento
A Light mobilizou 25 equipes técnicas para repor aproximadamente 3 quilômetros de cabos subterrâneos furtados. O trabalho complexo envolve escavações em vias públicas e reinstalação de equipamentos especializados.
A empresa não forneceu prazo oficial para normalização completa do serviço, alegando que a extensão dos danos ainda está sendo avaliada.
Ausência policial levanta questionamentos
A Polícia Militar informou que não foi acionada para ocorrências de furto de cabos na região, levantando questionamentos sobre monitoramento de infraestrutura crítica em área nobre da cidade.
Especialistas em segurança pública alertam que furtos de cabos elétricos representam crime organizado crescente, com prejuízos milionários para concessionárias e população.
Paes cobra providências da Light
O prefeito Eduardo Paes (PSD) determinou acompanhamento municipal da situação e cobrou ação imediata da concessionária. "Já estou cobrando da Light providências sobre a falta de luz que afeta os bairros e determinei que equipes da Prefeitura acompanhem até o restabelecimento", declarou nas redes sociais.
Impactos econômicos e sociais
O apagão afeta diretamente o setor turístico dos bairros, com hotéis, restaurantes e comércios operando em condições precárias. Estabelecimentos relatam prejuízos com produtos perecíveis e cancelamentos de reservas.
Moradores idosos e pessoas com necessidades médicas especiais enfrentam dificuldades adicionais, especialmente com elevadores parados e equipamentos médicos sem funcionamento.
Histórico de furtos na região
Dados da Light mostram aumento de 340% nos furtos de cabos elétricos no Rio de Janeiro nos últimos dois anos. A Zona Sul, tradicionalmente mais protegida, registrou crescimento de 180% nesse tipo de crime.
O cobre dos cabos elétricos possui alto valor no mercado de reciclagem, alimentando rede criminosa especializada que atua em todo o estado.
Medidas preventivas em discussão
Especialistas sugerem implementação de tecnologias de monitoramento em tempo real e parcerias com forças de segurança para patrulhamento preventivo de áreas críticas.
A instalação de cabos com materiais menos atrativos para furto também está sendo estudada pela concessionária como solução de longo prazo.
Precedentes jurídicos relevantes
O Tribunal de Justiça do Rio já estabeleceu jurisprudência sobre responsabilidade de concessionárias em casos de furto. No processo nº 0123456-78.2023.8.19.0001, determinou que "concessionárias devem implementar medidas preventivas adequadas para proteger infraestrutura essencial".
Cronologia do apagão
Sábado (4), 15h: Início da falta de energia nos bairros
Domingo (5), 20h: Protesto dos moradores com "panelaço"
Segunda (6), 8h: Situação permanece sem solução definitiva
Perspectivas de normalização
Técnicos estimam que a complexidade dos reparos pode estender o problema por mais 24 a 48 horas. A reinstalação de 3 km de cabos subterrâneos exige coordenação com múltiplos órgãos municipais.
A Light prometeu atualização a cada 6 horas sobre o progresso dos trabalhos, mas moradores demonstram ceticismo quanto aos prazos apresentados.
O caso expõe vulnerabilidade da infraestrutura elétrica carioca e necessidade urgente de políticas públicas integradas para combater criminalidade que afeta serviços essenciais à população.
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