QUEM É? Delmir Gouvêa assume Polícia Civil do Rio com 30 anos de experiência em segurança pública

Delegado com 30 anos de serviço público e trajetória operacional sólida substitui Felipe Curi

QUEM  É? Delmir Gouvêa assume Polícia Civil do Rio com 30 anos de experiência em segurança pública

Delmir Gouvêa assume Polícia Civil do Rio em transição marcada por eleições

No contexto do calendário eleitoral que marca 2026, o governador Cláudio Castro oficializou a mudança no comando da Secretaria de Estado de Polícia Civil do Rio de Janeiro. O delegado Delmir da Silva Gouvêa, que exercia a função de chefe de gabinete, assume a liderança da corporação responsável pela função de polícia judiciária no estado. A transição ocorre após a decisão do antecessor Felipe Curi de se afastar para disputar uma vaga na Câmara dos Deputados nas eleições deste ano.

A nomeação reflete um movimento mais amplo no governo estadual. Nesta sexta-feira, 20 de março, Castro exonerou um total de 11 secretários que irão concorrer às eleições de 2026, entre eles o coronel Sylvio Guerra, que assume a Secretaria de Polícia Militar. A reestruturação dos cargos executivos acontece em um contexto de preparação para o pleito eleitoral, com diversas lideranças do governo optando por buscar mandatos eletivos.

A trajetória de três décadas

Delmir Gouvêa chega ao comando da Polícia Civil com um histórico que reflete consolidação institucional e experiência operacional. Delegado de Polícia de 1ª Classe, o novo secretário soma mais de 30 anos dedicados ao serviço público, com uma carreira desprovida de registros disciplinares. Sua trajetória começou em 1983, quando ingressou na carreira pública pela Aeronáutica, estabelecendo as primeiras bases de sua formação administrativa.

Em 1989, Gouvêa integrou a Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro como detetive, iniciando sua especialização na investigação criminal. Dois anos depois, em 1991, ascendeu à função de escrivão de polícia, alcançando posteriormente a classe de comissário, consolidando sua experiência nas estruturas administrativas e operacionais da corporação. O passo definitivo na carreira ocorreu em 2008, quando foi aprovado em concurso público para o cargo de delegado de polícia.

Gestão operacional com resultados mensuráveis

Durante sua carreira administrativa, Gouvêa exerceu funções estratégicas que evidenciam seu perfil de gestor com foco em resultados. Delegado titular em unidades distritais e especializadas, ele acumulou experiências em setores críticos, como a Delegacia de Defraudações e a Delegacia de Roubos e Furtos de Cargas. Nesta última, seus esforços gerenciais resultaram em redução expressiva dos índices criminais, com diminuição de mais de 2.100 roubos em apenas nove meses de gestão.

A experiência em segurança pública se estende além da investigação criminal. Gouvêa chefiou o transporte de presos na Baixada Fluminense, região historicamente complexa do ponto de vista da segurança, e coordenou operações de apoio à Força de Pacificação no Complexo da Maré, uma das maiores favelas do Rio. Esses posicionamentos revelam sua atuação em cenários operacionais desafiadores, exigindo não apenas conhecimento jurídico-legal, mas também capacidade de liderança sob pressão.

Formação acadêmica e experiência administrativa

A preparação de Gouvêa para cargos de responsabilidade institucional extrapola a experiência prática. Sua formação acadêmica inclui bacharelados em Ciências Contábeis e Direito, providing-o de conhecimentos em gestão financeira e arcabouço jurídico necessários para administração de órgãos complexos. Complementando essa base, possui pós-graduação e MBA em Gestão de Segurança Pública, além de Curso Superior de Polícia e graduação em Gestão Pública.

Essa combinação de formação permitiu ao delegado transitar por cargos administrativos relevantes antes de assumir a secretaria. Foi diretor do Departamento-Geral de Polícia Especializada (DGPE), estrutura responsável por coordenar unidades especializadas da corporação, e presidente do DETRO-RJ, experiência que o familiariza com gestão de recursos públicos e alinhamento com agendas governamentais. Em setembro de 2024, Gouvêa assumiu a Chefia de Gabinete da Secretaria de Estado de Polícia Civil, cargo que ocupava até sua promoção, contribuindo diretamente para o fortalecimento institucional durante a gestão anterior.

O legado de Felipe Curi

Felipe Curi deixa a pasta após pouco mais de um ano e meio à frente da corporação, período iniciado em setembro de 2024. Durante esse intervalo, o secretário implementou políticas de valorização profissional da Polícia Civil, mensagem reforçada em seu discurso de despedida. A decisão de se afastar para disputar uma vaga federal, conforme anunciado em evento na capital fluminense, marca um ponto de inflexão na gestão da segurança pública estadual.

O anúncio de Curi abriu caminho para reestruturações mais amplas no governo Castro. Além da Polícia Civil, a mudança na Secretaria de Polícia Militar com o coronel Sylvio Guerra simboliza a renovação dos principais órgãos de segurança pública no estado durante um ano de ciclo eleitoral intenso.

Perspectivas para a Polícia Civil fluminense

A entrada de Gouvêa em um cargo de topo representa continuidade administrativa com possível reorientação de prioridades. Sua experiência em redução de índices criminais e gestão de operações complexas sugere foco em eficiência operacional. Simultaneamente, sua formação em gestão de segurança pública alinha-se com discussões contemporâneas sobre modernização institucional, tema abordado recentemente em parceria entre a Polícia Civil e instituições como a Fundação Getulio Vargas, que lançaram um Plano Estratégico 2026-2033 com ênfase em eficiência e governança.

A Polícia Civil do Rio de Janeiro enfrenta desafios estruturais que extrapolam mudanças de comando. A corporação, responsável pela investigação de crimes no estado e pela função de polícia judiciária, opera em contexto de pressão por resultados. O recente anúncio de um novo concurso público para as carreiras de delegado, perito criminal, perito legista e piloto policial indica que o governo reconhece a necessidade de reforço de quadros, demanda que pode ganhar protagonismo na agenda do novo secretário.

A transição na Polícia Civil integra-se a um padrão mais amplo de movimentações no governo estadual, onde o calendário político de 2026 redefine estruturas de poder. Delmir Gouvêa assume uma corporação com história, desafios operacionais complexos e demandas de modernização, levando consigo experiência consolidada em gestão de crise e redução de índices criminais em operações especializadas.

Fontes

G1 Globo. “Secretário da Polícia Civil do RJ deixa cargo para disputar eleições”. 19 de março de 2026.

G1 Globo. “Coronel Sylvio Guerra será o novo secretário da PM do RJ”. 20 de março de 2026.

Veja. “Secretário da Polícia Civil do Rio anuncia que deixará cargo para concorrer às eleições”. 19 de março de 2026.

Terra. “Secretário da Polícia Civil do Rio, Felipe Curi, deixa cargo para concorrer à Câmara”. 19 de março de 2026.

Estadão. “Secretário da Polícia Civil do Rio, Felipe Curi, deixa cargo para concorrer à Câmara”. 20 de março de 2026.

FGV. “FGV e Polícia Civil do Rio lançam Plano Estratégico 2026-2033 com foco em eficiência e governança”. 20 de março de 2026.

Portal oficial do Governo do Estado do Rio de Janeiro.

Por Ultima Hora em 21/03/2026
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