Rachou a vaga: desistência de Castro abre guerra interna no PL pelo Senado e coloca Jordy, Sóstenes e Portinho na disputa

A vez dos segundos: com saída de Castro, Jordy, Sóstenes e Portinho disputam o apoio de Flávio

Rachou a vaga: desistência de Castro abre guerra interna no PL pelo Senado e coloca Jordy, Sóstenes e Portinho na disputa

Com o ex-governador fora da corrida após duas operações da Polícia Federal em quinze dias, a cadeira que era dada como certa virou alvo de uma disputa de bastidores que expõe as divisões do bolsonarismo fluminense

O naufrágio de uma candidatura que parecia consolidada

Até segunda-feira, o cenário era outro. O ex-governador Cláudio Castro (PL) era tratado como o nome natural do partido para ocupar uma das duas vagas ao Senado pelo Rio de Janeiro. Pesquisas da Genial/Quaest, divulgadas no fim de abril, mostravam Castro na liderança da corrida, com 12% das intenções de voto, tecnicamente empatado com a ex-senadora Benedita da Silva (PT), que aparecia com 10%. O nome do ex-governador era considerado o ativo mais valioso da chapa bolsonarista.

Em questão de 72 horas, o castelo desmoronou. A oitava fase da Operação Compliance Zero, deflagrada na terça-feira (26), mirou diretamente Castro. A Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão contra o ex-governador por suspeita de envolvimento nos investimentos de R$ 3,7 bilhões do Rioprevidência no Banco Master, do preso Daniel Vorcaro. Era a segunda ação da PF contra Castro em apenas quinze dias — a primeira ocorrera em 13 de maio.

O recado foi lido com clareza pela cúpula do PL: candidatura inviabilizada. Conforme apurou o blog do jornalista Valdo Cruz, no G1, a avaliação interna do partido é que a candidatura de Castro "naufragou de vez". Na quarta-feira (27), o ex-governador comunicou ao presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, que estava fora. A desistência foi oficializada publicamente nesta quinta-feira (28).

Três candidatos para uma vaga: o tabuleiro da sucessão

Com a baixa de Castro, o PL fluminense se viu diante de um problema que não esperava ter tão cedo: três deputados federais disputam nos bastidores o direito de ocupar a vaga na chapa majoritária ao lado de quem for escolhido para o governo do estado, onde o presidente da Alerj, Douglas Ruas (PL), é o nome mais cotado.

Na linha de frente estão os deputados federais Carlos Jordy (PL-RJ) e Sóstenes Cavalcante (PL-RJ). Pelas beiradas, o senador Carlos Portinho (PL-RJ) também mantém o nome à disposição do partido.

Os três representam perfis distintos — e, em muitos aspectos, conflitantes — dentro do bolsonarismo fluminense. A definição, segundo aliados, caberá ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), hoje pré-candidato à Presidência da República e principal fiador político do partido no estado.

Carlos Jordy: o nome da ala radical

Carlos Jordy (PL-RJ) é o nome que representa a ala mais combativa do bolsonarismo na Câmara dos Deputados. Nascido em Niterói, em 8 de fevereiro de 1982, Jordy está no segundo mandato como deputado federal. Ficou nacionalmente conhecido por sua atuação como liderança da oposição durante o governo Lula e por sua participação em manifestações como o ato "Acorda, Brasil", realizado em Copacabana.

Segundo apurou a coluna Informe do Dia, do jornal O Dia, Jordy já havia manifestado a intenção de disputar o Senado desde março. Na manifestação em Copacabana, no dia 1º de março, o deputado anunciou publicamente que queria ser candidato.

Com a desistência de Castro, Jordy ligou diretamente para Flávio Bolsonaro e para o presidente da Alerj, Douglas Ruas, para tratar do apoio à sua candidatura. O movimento foi visto como uma tentativa de garantir a preferência antes que o nome de Sóstenes ganhasse tração.

Recentemente, Jordy teve sancionada a Lei 15.407/26, de sua autoria, uma vitória legislativa que o deputado usa como trunfo em suas negociações internas.

Sóstenes Cavalcante: o favorito dos evangélicos e do interior

Na outra ponta do espectro interno do PL, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) emerge como o nome que, nos últimos dias, ganhou força entre os caciques do partido. Deputado federal em seu segundo mandato, é ligado ao pastor Silas Malafaia, uma das vozes mais influentes do bolsonarismo evangélico.

Sóstenes não se limitou a conversar com lideranças do PL. Segundo informações da coluna de Igor Gadelha, no Metrópoles, o deputado também buscou apoio de nomes fortes de outras siglas, como PP, União Brasil e PSD. O movimento revela uma estratégia de ampliar a base de sustentação da candidatura para além dos muros do partido.

Entre integrantes da cúpula do PL, a avaliação é que Sóstenes aparece como o nome mais competitivo. Aliados apontam que ele reúne três características vistas como estratégicas para o bolsonarismo no Rio: a proximidade com lideranças evangélicas — fundamentais para a capilaridade de votos —, a articulação política no interior do estado e a ligação inquestionável com o núcleo duro de apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

Sóstenes, no entanto, impôs uma condição: só aceitará concorrer se tiver o apoio formal do partido e de legendas aliadas no estado. A posição sinaliza que o deputado não quer embarcar em uma candidatura rachada.

Carlos Portinho: o senador que nunca disputou uma eleição majoritária

O terceiro nome na mesa é o do senador Carlos Portinho (PL-RJ). Advogado, nascido no Rio de Janeiro em 2 de julho de 1973, Portinho ocupa uma cadeira no Senado desde novembro de 2020, quando assumiu como suplente de Aroldo Cedraz. Foi líder do Partido Liberal no Senado e é autor de leis de impacto, como a Lei das Sociedades Anônimas do Futebol (Lei 14.193/21), que criou as SAFs, e o Marco Legal das Startups (Lei Complementar 182/21).

A avaliação interna sobre Portinho é contraditória. De um lado, é reconhecido como político de boa interlocução, trânsito no centrão e perfil técnico. De outro, pesa contra o senador o fato de nunca ter disputado uma eleição majoritária — ele chegou ao Senado como suplente e, portanto, nunca enfrentou as urnas para um cargo proporcional ou majoritário. Em um estado com a dimensão eleitoral do Rio de Janeiro, a falta de teste eleitoral preocupa a cúpula do partido.

Flávio Bolsonaro: o árbitro da sucessão

A palavra final sobre quem ocupará a vaga ao Senado caberá a Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Pré-candidato à Presidência, o senador é a principal liderança do PL fluminense e o herdeiro político do espólio eleitoral de Jair Bolsonaro no estado.

A decisão de Flávio será crucial não apenas para a composição da chapa, mas para o equilíbrio de forças internas do partido. Optar por Jordy significaria fortalecer a ala radical e de confrontação direta com o STF e o governo Lula. Escolher Sóstenes representaria uma aposta no eleitorado evangélico e na capilaridade interiorana. Ficar com Portinho seria a via do diálogo institucional e da moderação.

Cada nome carrega um custo político. E, num estado onde a direita disputa voto a voto com a esquerda, qualquer erro de cálculo pode custar a cadeira.

A sombra do escândalo Master sobre a chapa

A desistência de Castro não elimina os efeitos do escândalo que o derrubou sobre a chapa do PL. O caso Master não apenas inviabilizou a candidatura do ex-governador como contaminou o ambiente político em torno do partido no Rio de Janeiro.

Flávio Bolsonaro, que também foi atingido pelo escândalo — a pesquisa Meio/Ideia divulgada na quinta-feira (28) mostrou queda expressiva do senador entre eleitores jovens e de centro-direita desde a eclosão do caso —, precisará escolher um nome que não apenas una o partido, mas que também tenha condições de vencer a eleição em meio ao desgaste.

A definição do candidato ao Senado pelo PL deve ocorrer nas próximas semanas, em paralelo às negociações para a composição da chapa completa para o Executivo e o Legislativo.

O que esperar dos próximos capítulos

A novela da sucessão ao Senado no Rio está longe do fim. Com três candidatos disputando o apoio do padrinho político, a tendência é que a definição seja adiada até o limite estabelecido pelo calendário eleitoral.

O PL fluminense precisa, antes de tudo, ajustar o nome que disputará o governo do estado — hoje, o presidente da Alerj, Douglas Ruas, é o principal cotado. Com a chapa do governo definida, aí sim a vaga ao Senado será encaixada como peça de um xadrez maior.

Enquanto isso, Carlos Jordy, Sóstenes Cavalcante e Carlos Portinho articulam, ligam, fazem acenos e tentam convencer Flávio Bolsonaro de que cada um deles é a melhor escolha. O tempo, como sempre na política, corre contra os indecisos.

Quem é quem na disputa

Carlos Jordy — Deputado federal pelo PL-RJ, 44 anos, natural de Niterói. Está no segundo mandato. É uma das vozes mais combativas da oposição a Lula na Câmara. Autor da Lei 15.407/26, foi um dos organizadores do ato "Acorda, Brasil" em Copacabana. Antes da política, atuou como empresário e se notabilizou pelo estilo direto e pela presença ativa nas redes sociais. É casado com Maíra Jordy.

Sóstenes Cavalcante — Deputado federal pelo PL-RJ, também em segundo mandato. Engenheiro, natural do Rio de Janeiro, é ligado ao pastor Silas Malafaia e integra a bancada evangélica. Tem forte atuação na região do interior fluminense e é considerado um dos articuladores mais habilidosos do partido. Foi um dos líderes da aprovação da urgência do PL da Anistia na Câmara. É casado com Lívia Cavalcante.

Carlos Portinho — Senador pelo PL-RJ, 53 anos, advogado. Assume o mandato desde novembro de 2020 como suplente. Foi relator da Lei das SAFs e do Marco Legal das Startups, além de autor da Lei 14.405/22, que revitaliza centros históricos, e da Lei 14.477/22, que elege Carmen Portinho como patrona do Urbanismo. Eleito por três anos consecutivos o "Melhor Senador do Brasil" em prêmios do Congresso. É casado com Mariana Portinho.

Fontes: G1 (Valdo Cruz), Metrópoles (Igor Gadelha), O Dia (Informe do Dia), Jovem Pan, UOL (Letícia Casado), Pleno.News, Câmara dos Deputados — perfil de Carlos Jordy, Senado Federal — perfil de Carlos Portinho, Agência Brasil

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Por Ultima Hora em 28/05/2026
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