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Instituto criado em Nova Iguaçu oferece esporte, educação e dignidade para crianças e famílias em situação de vulnerabilidade
A Baixada Fluminense é marcada por histórias de luta, mas poucas têm a força da trajetória de Ricardo José Cavalcante, mais conhecido como Ricardo Faixa Preta de Jesus. Depois de viver em situação de rua e mergulhar no mundo das drogas, ele encontrou um caminho de transformação que mudou não apenas a sua vida, mas também a de milhares de jovens e famílias.
Foi de um sonho que nasceu o Instituto Faixa Preta de Jesus, em Nova Iguaçu, fundado em 2007. A cena que Ricardo conta até hoje parece saída de um filme: um homem de kimono, com mãos feridas, amarrava uma faixa preta. O sinal foi claro. Ele decidiu transformar sua dor em missão, e assim começou um trabalho social que, mais tarde, se tornaria referência em toda a região.
O Instituto atende crianças, jovens e adultos em situação de vulnerabilidade com projetos de esporte, reforço escolar, cursos de idiomas, alimentação e até iniciativas culturais. Ali, o tatame virou ponto de encontro e disciplina, mas também de afeto e dignidade. “Não é só sobre lutar. É sobre acreditar que existe outro caminho”, resume Ricardo em suas falas públicas.
De jiu-jitsu a muay thai, de boxe a MMA, passando até por um inusitado projeto de surf social, a proposta é abrir horizontes para quem, muitas vezes, nunca teve acesso a nada além da violência das ruas. Somente nos últimos anos, mais de 25 mil pessoas já foram impactadas diretamente pelas ações do Instituto.
O reconhecimento também veio de fora. O Faixa Preta de Jesus já recebeu medalhas, prêmios e homenagens, como a Medalha Tiradentes da Assembleia Legislativa do Rio, pelo impacto social na Baixada. Mas, para Ricardo, a verdadeira conquista está no sorriso das crianças que encontram no projeto o primeiro uniforme esportivo, a primeira refeição digna do dia ou a primeira oportunidade de sonhar.
Em momentos de crise, como a pandemia, o Instituto mostrou ainda mais sua relevância, quando as artes marciais deram lugar à solidariedade: toneladas de alimentos foram distribuídas a famílias que não tinham como se sustentar.
A história de Ricardo prova que do fundo do poço também pode nascer esperança. O menino que um dia dormiu nas ruas hoje ergue uma bandeira de transformação em uma das regiões mais carentes do Estado. O Faixa Preta de Jesus não é apenas um projeto social: é uma luta diária para que o futuro da Baixada seja escrito com dignidade, disciplina e fé.
Por: Arinos Monge
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