São Gonçalo vira palco de disputa estratégica entre Paes e família Ruas

Prefeito do Rio mantém vantagem expressiva nas pesquisas, mas disputa promete ser acirrada com articulações estratégicas de ambos os lados

São Gonçalo vira palco de disputa estratégica entre Paes e família Ruas

Paes lidera com folga enquanto Ruas busca consolidar base bolsonarista no Rio

A corrida pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro em 2026 está se configurando como um duelo entre dois projetos políticos distintos: de um lado, Eduardo Paes (PSD) consolida sua liderança nas pesquisas com uma ampla coalizão; do outro, Douglas Ruas (PL) aposta na força do bolsonarismo e no controle da máquina estadual para reverter o cenário.

Paes domina as intenções de voto com margem confortável

As pesquisas eleitorais apontam Eduardo Paes como franco favorito na disputa. Levantamento do instituto Real Time Big Data, realizado entre 13 e 15 de dezembro de 2025, mostra o prefeito do Rio com impressionantes 58% das intenções de voto, estabelecendo uma vantagem significativa sobre seus adversários. Em cenário de segundo turno contra Douglas Ruas, a vantagem se mantém expressiva: 61,5% contra 12,4%.

Essa liderança não é recente. Em abril de 2025, o instituto Paraná Pesquisas já apontava Paes na frente com 48,9% das intenções de voto, demonstrando uma tendência consistente de crescimento ao longo dos meses. Como observou um analista político: "Paes conseguiu transformar sua gestão na prefeitura em um trampolim natural para o governo estadual".

Estratégia de São Gonçalo revela disputa pelo interior

Um dos movimentos mais reveladores da campanha foi a reação de Paes após o PL oficializar Douglas Ruas como candidato. O prefeito do Rio imediatamente direcionou suas atenções para São Gonçalo, segundo maior colégio eleitoral do estado com 650 mil eleitores, em um aceno direto ao território político da família Ruas.

Através de suas redes sociais, Paes relembrou o apoio financeiro destinado ao município via redistribuição de royalties do petróleo, enfatizando que o objetivo era "melhorar a vida da população gonçalense". O movimento é estratégico: São Gonçalo é governada por Capitão Nelson (PL), pai de Douglas Ruas, mas Paes busca demonstrar que pode trabalhar de forma suprapartidária pelo desenvolvimento regional.

Aliança PSD-MDB fortalece base metropolitana

A oficialização da aliança entre PSD e MDB representa um dos principais trunfos de Eduardo Paes. A indicação de Jane Reis como vice-governadora não foi uma escolha casual - ela é irmã de Washington Reis, presidente do MDB-RJ e figura política influente em Duque de Caxias, terceiro maior colégio eleitoral do estado com 621.720 eleitores.

Essa parceria garante a Paes acesso direto à Baixada Fluminense, região historicamente decisiva nas eleições estaduais. O apoio se estendeu ainda para outras lideranças importantes, como Washington Quaquá, prefeito de Maricá e vice-presidente nacional do PT, que declarou publicamente seu apoio à chapa Paes-Jane Reis.

Douglas Ruas aposta na máquina estadual e no bolsonarismo

A estratégia do PL para Douglas Ruas passa pelo controle da máquina pública estadual e pela consolidação da base bolsonarista. A decisão pela candidatura foi tomada em reunião estratégica com a presença do senador Flávio Bolsonaro, do governador Cláudio Castro e do deputado Altineu Côrtes, demonstrando o peso político por trás da escolha.

Rogério Lisboa, ex-prefeito de Nova Iguaçu, foi confirmado como pré-candidato a vice, trazendo experiência administrativa e conhecimento da Baixada Fluminense. Curiosamente, Lisboa havia sido cogitado inicialmente como possível vice de Paes, mas acabou preterido pela estratégia de aliança com o MDB.

Transição conturbada pode favorecer Ruas

Um elemento que pode alterar significativamente o cenário é a saída antecipada de Cláudio Castro do governo estadual. Castro disputará uma vaga no Senado e deverá renunciar ao cargo até o início de abril, deixando o comando do Estado antes do fim do mandato.

A Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) terá que eleger indiretamente um governador-tampão para administrar o estado até dezembro. Enquanto Castro apoia o secretário da Casa Civil, Nicola Miccione, o grupo de Flávio Bolsonaro e Altineu Côrtes prefere que o próprio Douglas Ruas seja eleito indiretamente, permitindo que chegue à campanha "sentado na cadeira do Palácio Guanabara e com a máquina estadual sob seu controle".

Palanques divididos entre estadual e federal

Uma peculiaridade desta eleição é a divisão de palanques entre as disputas estadual e federal. Enquanto Paes reafirma apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o MDB do Rio promete caminhar com o senador Flávio Bolsonaro na corrida presidencial. Essa dinâmica cria um cenário complexo de alianças locais que não se estendem ao plano nacional.

Cenário eleitoral em transformação

A disputa pelo Palácio Guanabara promete ser uma das mais interessantes do país em 2026. Paes chega como favorito, mas enfrenta o desafio de manter sua vantagem diante de um adversário que terá acesso aos recursos da máquina estadual e ao apoio da base bolsonarista consolidada no Rio.

Como observou um especialista em política fluminense: "O Rio sempre foi um laboratório político nacional, e 2026 não será diferente. A disputa entre Paes e Ruas representa dois modelos de gestão e visões distintas sobre o futuro do estado".

A corrida está apenas começando, mas os movimentos iniciais já indicam que será uma das disputas mais acirradas e estratégicas da política fluminense dos últimos anos.

 #EduardoPaes #DouglasRuas #EleicõesRio2026 #GovernodoRio #PalácioGuanabara #PoliticaRJ #Washington Reis #JaneReis #CláudioCastro 

Por Ultima Hora em 01/03/2026
Aguarde..