Secretário da PM do Rio, Coronel Menezes declara 'Somos a melhor polícia do Brasil, senão do mundo'

Secretário da Polícia Militar admite: "Nenhuma polícia no mundo atua em situação como a do Rio"

Coronel Menezes defende atuação da PM e aponta fuzis como maior ameaça à segurança do Rio

Secretário da Polícia Militar destaca investimentos recordes e critica legislação branda para reincidentes

O Coronel PM Marcelo de Menezes Nogueira, secretário da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, participou nesta terça-feira do 22º Fórum de Segurança Pública da Barra, Recreio e Vargens, onde apresentou um diagnóstico abrangente sobre os desafios enfrentados pela corporação.

Com 52 anos e mais de três décadas de experiência na instituição, Menezes traz um currículo robusto que inclui graduações em Direito pela Universidade Gama Filho e Engenharia Civil pela Universidade Estácio de Sá, além de vasta experiência operacional.

Durante sua carreira, comandou unidades estratégicas como o 17º BPM e o Regimento de Polícia Montada, além de ter chefiado três comandos intermediários. Sua experiência em órgãos públicos estaduais e municipais ampliou sua visão como gestor, qualificando-o para enfrentar os complexos desafios da segurança pública fluminense.

O coronel enfatizou que a segurança pública é "uma construção a várias mãos", reconhecendo a necessidade de integração entre diferentes atores sociais para entregar serviços de qualidade à população. Sua abordagem holística reflete compreensão madura sobre as múltiplas dimensões da segurança urbana.

A questão dos fuzis emergiu como preocupação central na análise do Coronel Menezes sobre a criminalidade fluminense. O comandante foi categórico ao afirmar que "o fuzil é o maior problema do Rio de Janeiro", destacando que o estado não produz armas nem drogas, mas sofre com entrada indiscriminada de armamentos de alto poder lesivo. Essa observação revela compreensão estratégica sobre as dinâmicas que alimentam a violência urbana, identificando gargalos específicos que estão fora do controle direto das forças estaduais.

Menezes explicou que a presença de fuzis cria "uma percepção de insegurança muito danosa" para o estado e sua população, reconhecendo que o impacto vai além das questões operacionais e afeta a imagem e o desenvolvimento econômico do Rio.

O coronel defendeu ação específica do governo federal para controlar esse fluxo de armamentos, demonstrando compreensão de que alguns problemas de segurança pública requerem coordenação nacional. Sua análise técnica sobre como os fuzis alteram o equilíbrio de forças entre polícia e crime organizado evidencia experiência operacional profunda e visão estratégica sobre os desafios enfrentados pelos agentes em campo.

O investimento em equipamentos e treinamento policial ganhou destaque especial na apresentação do secretário da PM. Menezes revelou que o governo estadual realizou investimentos recordes na corporação, afirmando que "nunca compramos tanta viatura, tanto equipamento".

O coronel detalhou medidas específicas de proteção, incluindo coletes balísticos, capacetes balísticos e viaturas semiblindadas para todas as aquisições recentes. Essa abordagem demonstra preocupação concreta com a segurança dos agentes, aspecto fundamental para manter moral elevado e reduzir baixas. O comandante também mencionou programas de treinamento específicos, incluindo orientações sobre porte velado de armamento e comportamento durante folgas, reconhecendo que "a maioria dos policiais é vitimada no horário de folga".

Essa estatística revela vulnerabilidade específica que requer atenção direcionada, mostrando que os riscos da profissão policial no Rio se estendem além do horário de serviço. Menezes demonstrou compreensão de que equipamentos adequados e treinamento específico são investimentos essenciais para preservar vidas e manter eficácia operacional em ambiente de alta violência.

A defesa da legislação mais rigorosa para reincidentes constituiu ponto central da argumentação do Coronel Menezes. O comandante destacou a frustração policial com criminosos que possuem "60 passagens pelo mesmo tipo criminoso", evidenciando falhas no sistema de justiça criminal que permitem reincidência sistemática.

Sua observação sobre o "retrabalho contínuo das polícias" revela problema estrutural onde os mesmos criminosos são presos repetidamente sem consequências efetivas. Menezes defendeu "legislação mais dura que represente a vontade da sociedade brasileira", posicionando-se no debate sobre endurecimento penal.

Essa posição reflete frustração operacional legítima, mas também demonstra compreensão de que mudanças legislativas são necessárias para quebrar ciclos de impunidade. O coronel evitou culpar exclusivamente o Poder Judiciário, focando na necessidade de instrumentos legais mais eficazes.

Sua experiência prática com reincidentes confere credibilidade às suas observações sobre as limitações do sistema atual. A defesa de legislação mais rigorosa também reflete pressão social por maior punição, demanda que Menezes identificou como legítima aspiração da sociedade brasileira.

A questão da letalidade policial foi abordada pelo Coronel Menezes com reconhecimento das complexidades envolvidas. O comandante contextualizou a situação afirmando que "nenhuma polícia no mundo atua em situações de paz como a realidade em que a polícia do Rio de Janeiro é submetida diariamente".

Essa comparação internacional busca explicar índices de letalidade que frequentemente geram críticas, posicionando a PM carioca em contexto de conflito armado urbano. Menezes reconheceu que "nesse cenário de guerra acaba que muitos agentes têm infelizmente a sua vida levada", admitindo que a violência afeta ambos os lados do confronto.

O coronel destacou investimentos em equipamentos de proteção e treinamento como medidas para reduzir baixas policiais, demonstrando preocupação genuína com a preservação de vidas. Sua abordagem equilibrada reconhece tanto a necessidade de proteger policiais quanto a importância de minimizar mortes em operações.

Menezes também mencionou que muitos policiais são vitimados durante folgas, indicando que a violência contra agentes transcende o contexto operacional. Essa análise nuançada evita simplificações sobre tema complexo, reconhecendo múltiplas dimensões da violência urbana fluminense.

O enfrentamento à corrupção policial foi tratado pelo Coronel Menezes com firmeza institucional. O comandante afirmou categoricamente que "não há instituição no país que enfrente e que exclua e que puna mais os seus próprios quadros do que a Polícia Militar do Rio de Janeiro".

Essa declaração busca contrapor narrativas que questionam a integridade da corporação, posicionando a PM como exemplo de rigor disciplinar. Menezes contextualizou a corrupção como "fenômeno da sociedade" presente em "várias camadas de poder", evitando singularizar a instituição policial.

O coronel enfatizou tolerância zero com casos de corrupção dentro da corporação, mas argumentou que isso não impede a produção de resultados operacionais positivos. Sua abordagem reconhece a realidade do problema sem permitir que isso deslegitime o trabalho policial como um todo.

Menezes também abordou indiretamente a questão dos vazamentos de informações operacionais, problema que compromete eficácia de operações policiais. Sua mensagem final para aspirantes à carreira policial enfatizou a necessidade de "vocação" e "propósito", características que considera fundamentais para resistir às tentações corruptas. O coronel concluiu definindo a PM como "último limite entre o bem e o mal", posicionamento que reflete visão maniqueísta mas também senso de missão institucional.

Por Robson Talber @robsontalber

Repórter Ralph Lichotti - Advogado e Jornalista, Editor do Ultima Hora Online e Jornal da República, Foi Sócio Diretor do Jornal O Fluminense e acionista majoritário do Tribuna da Imprensa, Secretário Geral da Associação Nacional, Internacional de Imprensa - ANI, Ex- Secretário Municipal de Receita de Itaperuna-RJ, Ex-Presidente da Comissão de Sindicância e Conselheiro da Associação Brasileira de Imprensa - ABI - MTb 31.335/RJ

Notícias exclusivas e ilimitadas

O Última Hora Online reforça o compromisso com o jornalismo profissional e de qualidade.

Nossa redação produz diariamente informação responsável e que você pode confiar. Fique bem informado!

Entre para os nossos grupos de WhatsApp CLIQUE AQUI PARA ENTRAR

#CoronelMenezes #PolíciaMilitarRJ #SegurançaRJ #CombateAoFuzil #InvestimentoPolicial #LegislaçãoPenal #LetalidadePolicial #CorrupçãoPolicial #TreinamentoPolicial #VocaçãoPolicial

Por Ultima Hora em 29/07/2025
Aguarde..