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Unidade volta a funcionar com reforço permanente da PM depois de sequestro de pacientes por facções rivais

A Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Costa Barros, na Zona Norte do Rio de Janeiro, retomou suas atividades nesta segunda-feira (27), marcando um momento simbólico de resistência da saúde pública carioca diante da violência urbana.
A reabertura ocorre menos de um mês após a unidade ter sido invadida por criminosos armados que sequestraram dois pacientes durante uma disputa territorial entre facções, episódio que expôs a vulnerabilidade dos equipamentos de saúde em áreas conflagradas da cidade.
O secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz, classificou o retorno das atividades como um "clima de esperança" para profissionais e moradores da região. Durante a cerimônia de reabertura, o gestor destacou que a equipe que optou por retornar demonstra confiança nas medidas de segurança implementadas.
"O clima era positivo, de reabertura. Os funcionários que escolheram voltar para a unidade têm muita esperança de que a gente possa viver dias melhores na unidade e na região em relação à segurança pública", declarou Soranz, sinalizando um esforço conjunto entre as pastas de Saúde e Segurança.
A estratégia de proteção adotada pela Prefeitura do Rio envolve a presença permanente de forças policiais no local. Uma viatura e um blindado da Polícia Militar foram posicionados em frente à unidade de forma contínua, representando uma mudança significativa no padrão de segurança oferecido aos equipamentos de saúde da rede municipal.
Segundo o secretário, existe um "compromisso do secretário de Segurança do Estado de ocupar a região e evitar que situações como as que ocorreram aconteçam novamente", demonstrando uma articulação entre esferas municipal e estadual.
Além das medidas de segurança, a UPA passou por reformas estruturais que incluíram a instalação de nova estrutura pediátrica, troca completa do mobiliário e reorganização dos espaços de atendimento. As câmeras de segurança foram reinstaladas e já estão funcionando, compondo um sistema de monitoramento que visa prevenir novas invasões.
O fluxo de atendimento foi retomado imediatamente, com o secretário relatando que "às sete horas já havia uma fila e pacientes sendo atendidos", totalizando 162 pessoas atendidas apenas no período matutino.
O episódio que motivou o fechamento temporário da unidade ocorreu no dia 30 de janeiro, quando criminosos armados invadiram a UPA às 5h45 em busca de dois rivais baleados que haviam procurado atendimento médico horas antes.
Funcionários relataram ter sido ameaçados com armas apontadas para o rosto, sendo obrigados a se esconder debaixo de camas e mesas durante a ação. Os invasores levaram os dois pacientes, mas posteriormente os liberaram, permitindo que retornassem à unidade para receber curativos e medicação antes de saírem sem alta médica.
A violência que afeta as unidades de saúde do Rio representa um problema sistêmico que vai além do caso específico de Costa Barros. Dados da Secretaria Municipal de Saúde revelam que entre janeiro e setembro do ano passado, 741 unidades precisaram fechar temporariamente devido a tiroteios, representando uma interrupção a cada nove horas de funcionamento.
Este cenário alarmante resultou em mais de 200 profissionais solicitando afastamento de áreas consideradas de risco, evidenciando o impacto direto da insegurança na prestação de serviços essenciais à população.
A reabertura da UPA de Costa Barros ocorre em meio a um contexto de tensão na região, que registrou tiroteio entre traficantes no domingo (26), resultando na morte de dois suspeitos e dois inocentes.
Este episódio recente reforça a complexidade dos desafios enfrentados pelas autoridades para garantir o funcionamento seguro dos equipamentos públicos em territórios disputados pelo crime organizado, tornando a presença policial permanente uma necessidade operacional.
O investimento em segurança para as unidades de saúde representa um custo adicional significativo para o município, mas reflete a determinação das autoridades em manter o acesso da população aos serviços básicos.
A estratégia de ocupação permanente adotada em Costa Barros pode servir como modelo para outras unidades em situação similar, embora demande recursos humanos e materiais consideráveis das forças de segurança pública.
A resposta da comunidade à reabertura tem sido positiva, com moradores demonstrando alívio pelo retorno do atendimento médico na região. A UPA de Costa Barros atende uma população significativa da Zona Norte, e seu fechamento temporário obrigou pacientes a buscar atendimento em unidades mais distantes, sobrecarregando outros equipamentos da rede municipal e dificultando o acesso aos cuidados de saúde.
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