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O governador Cláudio Castro formalizou nesta quinta-feira a nomeação de sua assessora de confiança para substituir o ex-secretário, em meio a uma disputa que expõe as tensões no Palácio Guanabara com foco na sucessão de 2026. A decisão marca o fim de uma semana de incertezas que abalou o alto escalão do governo fluminense.
Priscila Haidar Sakalem, até então assessora especial do gabinete do governador, assume o comando da Secretaria Estadual de Transportes em um momento delicado para a pasta. A advogada, mestre em Tributação e Finanças pela UERJ e pós-graduada em Direito Tributário pela UFF, terá pela frente o desafio de reorganizar uma secretaria que se tornou epicentro de disputas políticas. Sua formação técnica, que inclui MBA em Gestão Tributária pela Escola de Negócios Trevisan, será testada em questões complexas como a integração entre modais de transporte e o destravamento de licitações paralisadas pela crise. A nova secretária precisará navegar entre as pressões por redução de tarifas e a necessidade de equilibrar as contas públicas estaduais.
A queda de Washington Reis expôs as fraturas internas do governo Castro, revelando como as ambições eleitorais de 2026 já contaminam as decisões administrativas do presente. O ex-secretário, que nunca escondeu o desejo de suceder Castro, entrou em rota de colisão com o governador ao propor a redução das tarifas de trens e metrô para R$ 4,70, medida que custaria R$ 300 milhões aos cofres estaduais.
O embate se intensificou quando Castro sinalizou apoio a Rodrigo Bacellar para a corrida eleitoral, transformando a Secretaria de Transportes em palco de uma disputa que transcendeu questões técnicas. A tensão culminou no confronto público entre Bacellar e Rosenverg Reis na Assembleia Legislativa, episódio que selou o destino do então secretário.
A decisão de Castro de manter a exoneração assinada por Bacellar durante sua ausência demonstra a complexa engenharia política necessária para manter a governabilidade.
O governador precisou equilibrar a lealdade a aliados históricos com a necessidade de preservar sua base de apoio na Assembleia Legislativa, onde o União Brasil de Bacellar e o PP formam uma federação estratégica.

A anulação simultânea da demissão de Kennedy de Assis Martins do IPEM, indicado por Dionísio Lins, revela essa delicada costura política que busca acomodar diferentes interesses sem comprometer a estabilidade do governo. Essa manobra sinaliza que Castro está disposto a fazer concessões pontuais para manter a coesão da base governista.
O episódio deixa lições importantes sobre os limites do poder e os custos da ambição política prematura. Washington Reis, experiente político e ex-prefeito de Duque de Caxias, subestimou a força da articulação de Castro em favor de Bacellar, pagando o preço por desafiar publicamente as diretrizes do governador.
Para Priscila Sakalem, a nomeação representa uma oportunidade única de demonstrar capacidade técnica em uma pasta estratégica, mas também um teste de fogo em meio às turbulências políticas que ainda podem abalar o governo. O setor de transportes do Rio, com seus desafios crônicos de integração e financiamento, aguarda agora por uma gestão que consiga separar questões técnicas de disputas eleitorais, algo que se mostrou impossível na gestão anterior.
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