Sete dias que podem durar 27 anos e mudar para sempre o futuro de Bolsonaro

Sete dias que podem durar 27 anos e mudar para sempre o futuro de Bolsonaro

Primeira Turma julga embargos que podem confirmar condenação de 27 anos do ex-presidente por tentativa de golpe

A próxima semana pode ser definitiva para o futuro político e pessoal de Jair Bolsonaro. A partir desta sexta-feira (7), a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal inicia o julgamento dos embargos de declaração que podem confirmar ou alterar a condenação de 27 anos e 3 meses de prisão imposta ao ex-presidente por liderar uma tentativa de golpe de Estado.

O julgamento acontece em plenário virtual, começando às 11h desta sexta e seguindo até às 23h59 da próxima sexta-feira (14). Em apenas sete dias, Bolsonaro saberá se terá que cumprir a pena em regime fechado ou se conseguirá algum alívio através do recurso apresentado por sua defesa.

Nos bastidores do Supremo, o sentimento predominante é de que os embargos representam apenas um rito processual obrigatório, sem perspectivas reais de mudança no entendimento da Primeira Turma. A expectativa é de que a condenação seja mantida integralmente, confirmando a pena que pode tirar Bolsonaro definitivamente do cenário político nacional.

A defesa do ex-presidente aposta em argumentos técnicos para tentar reverter ou ao menos reduzir a condenação. Os advogados sustentam que houve "injustiças, erros e equívocos" no julgamento original e pedem revisão da dosimetria da pena. Também contestam a validade da delação premiada do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, que foi peça fundamental para a condenação.

O colegiado que decidirá o destino de Bolsonaro passou por mudanças significativas. Com a saída do ministro Luiz Fux, a Primeira Turma agora é composta pelos magistrados Alexandre de Moraes (relator do caso), Cármen Lúcia, Cristiano Zanin e Flávio Dino. Essa nova composição pode influenciar o resultado final, embora as expectativas apontem para a manutenção da condenação.

Congresso aprova isenção de IR para trabalhadores

Enquanto Bolsonaro aguarda seu destino no STF, o Congresso Nacional deu um passo importante na política tributária. O Senado aprovou o projeto de lei 1087/2025, que isenta do imposto de renda milhões de trabalhadores que ganham até R$ 5 mil mensais.

A medida foi celebrada pela Oxfam Brasil como "um marco na luta por um sistema tributário mais justo". Segundo Viviana Santiago, diretora-executiva da instituição, a aprovação representa "mais do que um alívio fiscal" e constitui "um passo concreto rumo à promoção da justiça social e ao fortalecimento da democracia".

O Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) também comemorou a aprovação, classificando-a como "vitória da mobilização popular em defesa de um sistema tributário mais justo e progressivo". A instituição liderou um plebiscito que coletou mais de 2,1 milhões de votos em todo o país, demonstrando amplo apoio popular à medida.

Contudo, especialistas alertam que a verdadeira justiça tributária exige avanços também na tributação de altas rendas e grandes fortunas. "Esta reforma não substitui a necessidade urgente de uma reforma estrutural e antirracista, que inclua a tributação de grandes fortunas", enfatiza Viviana Santiago.

Inmetro se prepara para protagonismo na COP-30

Em paralelo aos desenvolvimentos políticos, o Brasil se prepara para sediar um dos eventos ambientais mais importantes do mundo. O Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) anunciou sua participação na COP-30, em Belém, com duas unidades básicas fluviais de fiscalização e pesquisa.

As embarcações, pioneiras na América Latina, demonstrarão tecnologias sustentáveis em áreas como eletromobilidade, eficiência energética e rastreabilidade em velocidade dos ventos. "Estamos mostrando que tecnologia e cidadania podem navegar juntas rumo a um futuro mais verde e inclusivo", afirma Márcio André Brito, presidente do Inmetro.

Belém se torna capital simbólica do Brasil

Nas próximas duas semanas, Belém assumirá simbolicamente o papel de capital federal do Brasil, em decisão aprovada pelo Congresso Nacional devido à COP-30. O evento já reúne chefes de Estado e representantes de mais de 100 países para discutir soluções para as mudanças climáticas que afetam o planeta.

Essa movimentação internacional acontece em momento crucial para o país, com Bolsonaro enfrentando a possibilidade de prisão e o governo Lula buscando consolidar sua agenda ambiental e social. Os próximos dias podem definir não apenas o futuro do ex-presidente, mas também o rumo político do Brasil nos próximos anos.

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Por Ultima Hora em 07/11/2025
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