Sociedade 5.0: CREA, CAU, CRA e André Português, debatem cidade inteligente e planejamento urbano humanizado no Rio Innovation Week

Alberto Balassiano, vice-presidente do CREA-RJ, André Português, ex-prefeito de Miguel Pereira, Sydnei Menezes, presidente do CAU/RJ, e Wagner Siqueira, presidente do CRA-RJ, se unem para discutir futuro das cidades inteligentes centradas nas pessoas

Sociedade 5.0: Conselhos Profissionais e o Futuro das Cidades Humanizadas

Líderes de conselhos de engenharia e arquitetura debatem planejamento urbano centrado no bem-estar social durante evento no Rio Innovation Week

O conceito de Sociedade 5.0 ganhou destaque no Rio Innovation Week através de um painel inédito que reuniu os principais representantes dos conselhos profissionais do Brasil para discutir o futuro das cidades humanizadas.

O evento contou com a participação de Alberto Balassiano, vice-presidente do CREA-RJ, André Português, ex-prefeito de Miguel Pereira, Sydnei Menezes, presidente do CAU/RJ, e Wagner Siqueira, presidente do CRA-RJ. O debate centrou-se na necessidade de equilibrar inovação tecnológica com desenvolvimento social, criando ambientes urbanos que priorizem o bem-estar da população.

Alberto Balassiano explicou que a Sociedade 5.0 representa uma evolução do conceito de cidade inteligente, incorporando uma dimensão social fundamental que muitas vezes é negligenciada nos projetos urbanos.

"Não adianta fazer uma cidade que você tenha prédios, onde a população não tenha um bem-estar. Então, talvez essa seja a grande questão que você hoje, de uma certa forma, está entrando muito nessa questão que é a questão social", enfatizou o vice-presidente do CREA-RJ.

Segundo ele, uma verdadeira cidade 5.0 deve garantir sistemas eficientes de transporte, saúde e educação para proporcionar qualidade de vida aos cidadãos.

André Português, que administrou Miguel Pereira por dois mandatos, apresentou sua experiência como um case de sucesso no planejamento urbano estratégico. O ex-prefeito destacou como a parceria com os conselhos profissionais foi fundamental para transformar a cidade em referência turística nacional.

"Toda essa visão que a gente teve de transformar Miguel Pereira num grande case de sucesso do turismo, não só do Rio de Janeiro, mas do Brasil, foi exatamente com planejamento", afirmou.

Português enfatizou que o objetivo central sempre foi criar novos empregos e aquecer a economia local, demonstrando como tecnologia e desenvolvimento humano podem caminhar juntos.

O presidente do CAU/RJ, Sydnei Menezes, reforçou o papel crucial dos arquitetos e urbanistas no planejamento das cidades do futuro. Segundo ele, o planejamento urbano é um "ofício" desses profissionais, que devem cuidar não apenas do ordenamento territorial, mas também do planejamento estratégico de desenvolvimento socioeconômico.

"Acima de tudo, a garantia de uma legislação que atenda e permita o desenvolvimento permanente", destacou Menezes, evidenciando a importância de marcos regulatórios adequados para sustentar o crescimento urbano planejado.

Um dos pontos mais críticos abordados no painel foi a questão da burocracia excessiva na administração pública brasileira. Os participantes concordaram que o excesso de controles tem paralisado a gestão pública, criando uma "paura paralisante" nos administradores.

"O custo do controle é maior do que o risco. Em verdade, é preciso desburocratizar a questão dos controles da administração pública, porque ela cada vez paraliza mais", alertou um dos palestrantes. A crítica se estendeu à divisão artificial entre atividade-meio e atividade-fim, considerada contraproducente para a obtenção de resultados efetivos.

A colaboração entre os diferentes conselhos profissionais foi destacada como elemento essencial para o sucesso da implementação da Sociedade 5.0. Alberto Balassiano confirmou que todas as entidades "coirmãs" - CREA, CAU e CRA - estão engajadas neste projeto conjunto.

Essa articulação multidisciplinar é vista como fundamental para abordar a complexidade dos desafios urbanos contemporâneos, que exigem expertise técnica diversificada e visão integrada de desenvolvimento.

O debate revelou um consenso sobre o problema crônico do crescimento urbano desordenado no Brasil. André Português observou que "todas as cidades cresceram sem nenhum tipo de planejamento", criando a necessidade atual de reorganizar estruturas já consolidadas.

"É meio que trocar o pneu com carro andando", comparou o ex-prefeito, ilustrando a dificuldade de implementar planejamento urbano em cidades já estabelecidas. Essa realidade torna ainda mais relevante o papel dos conselhos profissionais na orientação de soluções viáveis.

A questão do controle de resultados versus controle de meios emergiu como tema central para a modernização da gestão pública. Os participantes defenderam uma mudança de paradigma que priorize a efetividade das políticas públicas em detrimento do cumprimento burocrático de procedimentos.

Essa abordagem é considerada essencial para viabilizar projetos inovadores que caracterizam a Sociedade 5.0, permitindo maior agilidade e flexibilidade na implementação de soluções urbanas.

O painel concluiu com um apelo aos gestores brasileiros para que adotem práticas de planejamento urbano colaborativo, envolvendo ativamente os conselhos profissionais.

A experiência de Miguel Pereira foi apresentada como modelo replicável, demonstrando que é possível conciliar crescimento econômico, desenvolvimento social e sustentabilidade ambiental através de planejamento estratégico adequado.

Os participantes enfatizaram que o sucesso da Sociedade 5.0 depende fundamentalmente da capacidade de "transformar tudo isso em grandes resultados na ponta que é para a população".

A discussão evidenciou que a construção de cidades verdadeiramente inteligentes e humanizadas requer mais do que inovação tecnológica - exige uma abordagem holística que integre competência técnica, visão social e eficiência administrativa.

O evento no Rio Innovation Week representou um marco importante na articulação dos conselhos profissionais brasileiros em torno dessa agenda transformadora, estabelecendo as bases para uma colaboração mais estreita na construção do futuro urbano do país.

Repórter Ralph Lichotti - Advogado e Jornalista, Editor do Ultima Hora Online e Jornal da República, Foi Sócio Diretor do Jornal O Fluminense e acionista majoritário do Tribuna da Imprensa, Secretário Geral da Associação Nacional, Internacional de Imprensa - ANI, Ex- Secretário Municipal de Receita de Itaperuna-RJ, Ex-Presidente da Comissão de Sindicância e Conselheiro da Associação Brasileira de Imprensa - ABI - MTb 31.335/RJ

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Por Ultima Hora em 17/08/2025
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