TCU vai iniciar inspeção no Banco Central sobre liquidação do Banco Master

Confirmação foi dada pelo presidente do órgão, ministro Vital do Rêgo, nesta 6ª feira (2)

TCU vai iniciar inspeção no Banco Central sobre liquidação do Banco Master

O presidente do TCU (Tribunal de Contas da União), ministro Vital do Rêgo, confirmou nesta sexta-feira (2) à imprensa que o órgão vai iniciar uma inspeção no Banco Central para apurar os fundamentos técnico-jurídicos que levaram à decretação da liquidação extrajudicial do Banco Master, determinada pela autoridade monetária em novembro.

Segundo ele, o procedimento será aberto após o envio de uma nota técnica do Banco Central ao tribunal, na semana passada.

“O processo é uma inspeção no Banco Central a respeito do processo de liquidação do Banco Master, esse é o termo técnico. Depois da nota técnica que o Banco Central mandou para o TCU, hoje inicia-se um processo de inspeção da documentação no Banco Central”, disse o ministro à CNN.

O trabalho será conduzido pela área técnica do órgão de controle externo, que posteriormente encaminhará suas conclusões ao relator do caso no TCU, ministro Jhonatan de Jesus.

De acordo com o TCU, a inspeção é um instrumento de fiscalização acessório, utilizado para esclarecer dúvidas pontuais e suprir lacunas de informação, com escopo mais restrito do que uma auditoria.

No caso do Banco Master, o objetivo é verificar se o órgão regulador — no caso, o Banco Central — atuou dentro de suas competências e segundo critérios de razoabilidade, sem reavaliar o mérito da decisão regulatória.

Medida extrema sob análise

A inspeção decorre de despacho do relator, expedido em 19 de dezembro, no qual foi solicitada ao Banco Central a apresentação dos fundamentos que embasaram a liquidação do Master. Na decisão, Jhonatan de Jesus classificou a intervenção como uma “medida extrema” e apontou indícios de uma cronologia atípica no processo decisório.

O processo segue em ritmo considerado normal, mesmo durante o recesso do tribunal. Vital do Rêgo afirmou que todas as secretarias contam com plantonistas e ressaltou que se trata de um procedimento comum de fiscalização sobre o órgão regulador.

No sistema financeiro, há preocupação com a possibilidade de o relator adotar uma medida cautelar suspendendo a liquidação, o que poderia impactar o pagamento de investidores pelo FGC (Fundo Garantidor de Crédito).

Quarenta e cinco dias depois da liquidação do Master pelo Banco Central, ocorrida em 18 de novembro do ano passado, os investidores ainda não foram ressarcidos pelo FGC (clique aqui para entender). O atraso já configura o maior intervalo entre a decretação de liquidação e o início das restituições desde, ao menos, 2016.

Limites de atuação

Embora exista debate interno sobre os limites da atuação do TCU no caso, a avaliação predominante entre ministros influentes é de que não há maioria para reverter a liquidação decretada pelo Banco Central.

A defesa do controlador do banco, Daniel Vorcaro, busca neste momento questionar a regularidade do processo administrativo conduzido pelo Banco Central, estratégia que poderia enfraquecer desdobramentos futuros do caso.

 

Por Ultima Hora em 03/01/2026
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