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Vereador do Rio é solto, mas escândalo de corrupção agita o cenário político carioca
A Justiça do Rio concede habeas corpus a Salvino Oliveira, do PSD, que estava preso sob acusação de ligação com o crime organizado, enquanto seu partido denuncia uso político da polícia em Brasília.
O vereador Salvino Oliveira, filiado ao Partido Social Democrático (PSD), deixou a Cadeia Pública José Frederico Marques, em Benfica, na tarde desta sexta-feira, 13 de março de 2026. A soltura, determinada pelo Tribunal de Justiça do Rio (TJRJ), ocorre após o parlamentar passar dois dias detido, gerando um intenso debate sobre a atuação das forças de segurança e a política fluminense.
A decisão judicial, que aceitou o pedido de habeas corpus, permite que Salvino Oliveira responda ao processo em liberdade, mas impõe restrições significativas. O caso, que envolve graves acusações de corrupção e suposta ligação com facções criminosas, lança uma sombra sobre a Câmara de Vereadores do Rio e o ambiente político local.
A repercussão da prisão e soltura do vereador é amplificada pelo contexto eleitoral iminente. O prefeito Eduardo Paes, também do PSD, prepara-se para deixar a prefeitura em 20 de março de 2026, visando a disputa pelo governo do estado, o que adiciona uma camada de complexidade e tensão ao embate entre as esferas de poder.
A Prisão de Salvino Oliveira
Salvino Oliveira foi detido na quarta-feira, 11 de março, em uma operação deflagrada pela Polícia Civil do Rio de Janeiro. A ação faz parte de uma investigação mais ampla que apura o suposto envolvimento de políticos e agentes públicos com o Comando Vermelho (CV), uma das maiores facções criminosas do estado.
As autoridades apontam que o vereador teria negociado a exploração de quiosques na comunidade da Gardênia Azul diretamente com traficantes. Em troca, Salvino Oliveira supostamente receberia apoio para sua campanha nas eleições municipais de 2024, configurando um grave esquema de cooptação política pelo crime organizado.
Os Motivos da Investigação
Além da negociação de quiosques, a investigação da Polícia Civil revelou movimentações financeiras consideradas atípicas por parte do vereador. Os valores, que somam mais de R$ 100 mil, incluem 11 depósitos em dinheiro vivo, levantando suspeitas de lavagem de dinheiro e enriquecimento ilícito.
O esquema, segundo os investigadores, não se limitaria ao parlamentar. Um assessor de seu gabinete e a esposa deste também estariam envolvidos, ligados a uma empresa que movimentou impressionantes R$ 35 milhões em apenas dois anos. Essa empresa está agora sob escrutínio no processo, aprofundando o alcance da apuração.
A Decisão Judicial
A liberdade de Salvino Oliveira foi concedida pelo desembargador Marcus Henrique Pinto Basílio, do Tribunal de Justiça do Rio. A decisão de habeas corpus, proferida nesta sexta-feira, permite que o vereador aguarde o desenrolar do processo fora da prisão, mas com condições rigorosas a serem cumpridas.
Entre as determinações judiciais, Salvino está proibido de se ausentar do estado do Rio de Janeiro por mais de 15 dias sem prévia autorização. Além disso, ele não poderá manter contato com outros investigados no processo, visando evitar qualquer interferência nas apurações. Como não solicitou afastamento do mandato, o vereador poderá retornar à Câmara na próxima semana.
A Defesa do Vereador
A defesa de Salvino Oliveira nega veementemente todas as acusações de negociação de quiosques e envolvimento com o crime organizado. Os advogados criticam o que classificam como "condições confusas da prisão do parlamentar", alegando que a denúncia descreve diversas condutas criminosas sem identificar claramente os acusados e suas responsabilidades individuais.
Sobre as movimentações financeiras suspeitas, a defesa argumenta que, embora a Polícia Civil mencione um Relatório de Inteligência Financeira (RIF), o documento não foi anexado ao processo que motivou a prisão, expedido em 3 de março. Essa ausência, segundo os defensores, viola o direito à ampla defesa e torna "absolutamente inverossímil" qualquer ligação de Salvino com movimentações de grande vulto ou lavagem de dinheiro.
O Embate Político
A soltura de Salvino Oliveira foi marcada por declarações contundentes do próprio vereador. Na saída do presídio, ele afirmou: "Agora, não pense que vai ficar assim. Esses que tão trabalhando de maneira tão esquisita para prender opositores políticos agora devem ser investigados, e a gente vai cobrar que a Justiça alcance essas pessoas que me trataram dessa maneira."
A fala de Salvino ecoa a posição de seu partido. O diretório estadual do PSD, liderado pelo deputado federal Pedro Paulo, denunciou à Procuradoria-Geral da República (PGR), em Brasília, o que chamou de "uso vergonhoso das forças policiais como arma política". A audiência com o procurador-geral Paulo Gonet, nesta sexta-feira, contou com a presença de importantes figuras do partido, incluindo o líder do governo Paes na Câmara do Rio, vereador Márcio Ribeiro.
Este movimento do PSD ocorre em um momento de alta tensão política no Rio de Janeiro. A saída de Eduardo Paes da prefeitura em 20 de março de 2026 para concorrer ao governo do estado intensifica a disputa entre as forças políticas, transformando o caso Salvino Oliveira em um campo de batalha para narrativas e acusações mútuas.
A Posição do Governo Estadual
Em resposta às denúncias do PSD, o governo do estado do Rio de Janeiro emitiu uma nota oficial rebatendo as acusações de uso político da polícia. A declaração enfatiza a cronologia da investigação, que teve início em 15 de outubro de 2024, com a representação pela prisão em 1º de janeiro de 2026.
O governo ressalta que o Ministério Público analisou e deu parecer favorável em 21 de janeiro de 2026, e o Poder Judiciário autorizou os mandados em 27 de fevereiro de 2026, expedidos em 3 de março de 2026. "Ou seja, a análise da prisão passou por três esferas diferentes e independentes: Polícia Civil, MP e Judiciário. Não é decisão de governo, é decisão da Justiça", afirma a nota.
A administração estadual estranha o comportamento do prefeito Eduardo Paes, acusando-o de "politizar uma investigação conduzida de forma totalmente legal". A nota conclui que "tentar transformar uma investigação séria em narrativa de perseguição política é uma tentativa inaceitável de desviar o foco de fatos graves, apurados pelas forças de segurança."
Repercussões Políticas
A saga de Salvino Oliveira, da prisão à soltura, mas com a manutenção das investigações, promete continuar a pautar o debate político no Rio de Janeiro. O caso expõe as fragilidades e as pressões que permeiam a relação entre política, justiça e segurança pública, especialmente em um estado com histórico de desafios no combate ao crime organizado.
Para o PSD, a defesa do vereador e a denúncia à PGR são cruciais para proteger a imagem do partido e de seus membros, em um momento em que a base do prefeito Eduardo Paes busca consolidar seu projeto para o governo do estado. A forma como este episódio será gerido pode ter impactos diretos nas alianças e na percepção pública dos envolvidos, moldando o cenário das próximas eleições.
A Justiça segue seu curso, e a Polícia Civil reitera seu compromisso com a investigação imparcial. Enquanto isso, a política carioca se prepara para um período de intensas articulações e confrontos, onde cada movimento pode ser decisivo para o futuro dos atores envolvidos e para a própria governabilidade do estado.
Fontes:
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