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A Polícia Civil do Rio de Janeiro divulgou, na noite de domingo (2/11), a lista com os nomes de 115 dos 117 suspeitos mortos na megaoperação realizada nos complexos da Penha e do Alemão. Os outros dois corpos seguem sem identificação, com perícias inconclusivas até o momento.
A ação também deixou quatro policiais mortos. Todos tombaram em confronto direto, durante avanço tático em áreas de domínio do Comando Vermelho.
Realizada na última terça-feira (28/10), a operação foi considerada a mais letal já registrada no país. Cerca de 2,5 mil agentes participaram do cerco para cumprir 180 mandados de busca e apreensão e 100 mandados de prisão em um território de aproximadamente 9 milhões de metros quadrados.
Apesar da magnitude operacional, parte da cúpula da facção não foi alcançada:
Edgard Alves de Andrade (Doca) segue foragido;
Pedro Paulo Guedes (Pedro Bala),
Juan Pedro Ramos (BMW) e
Carlos da Costa Neves (Gardenal)
também escaparam do cerco.
Movimentos de direitos humanos classificaram a operação como chacina e questionaram sua eficácia como política pública de segurança, enquanto o Alto Comissariado dos Direitos Humanos da ONU declarou-se “horrorizado” com o número de vítimas.
Mas, enquanto a legalidade, o excesso e o resultado seguem em disputa no debate público, algo mais profundo emergiu no imaginário coletivo — e é aí que entra a Teoria Tríplice da Delinquência, desenvolvida por Dr. José Maria da Silva Filho (Dr. Zéma): moral, vergonha e medo são as três forças que regulam o comportamento humano em sociedade.
E, segundo o autor, quando moral (normas) e vergonha (freio social) se esgotam — sobra apenas o medo como elemento de contenção.
E é aqui que o texto de Dr. Zema se torna central:
"Tem gente dizendo que não adiantou nada.
Que morreram mais de cem… mas logo virão outros.
Que o tráfico é como a cabeça da serpente: corta uma, nascem duas.
Mas quem pensa assim esquece um detalhe:
O medo voltou.
Aquela força invisível que, por anos, segurou no peito muitos moleques antes da primeira missão.
Aquele calafrio que, nos anos 90, fazia bandido respeitar a batida da porta do camburão.
O Estado falha quando perde sua imagem de força.
E no Rio de Janeiro, essa imagem estava desgastada.
Traficante fazia story, dava ordem, impunha toque de recolher.
Cobrava do morador pela luz, pela água, pela internet, pelo transporte… e quem não pagava já sabia o destino.
Mas dessa vez, não teve meme.
Teve cadáver. Teve fuga. Teve lamento.
E se não dá para exigir moral,
e nem vergonha,
o medo serve.
Mas infelizmente… teve também quatro policiais mortos.
Quando o bandido deixa de temer o Estado, ele começa a sonhar com a vitória.
E essa ilusão tem custado caro ao Rio de Janeiro.
Essa operação não vai acabar com o crime.
Mas quando te perguntarem qual é sua opinião sobre ela,
apenas sorria e diga:
O medo voltou."
Análise
A megaoperação não resolve o problema estrutural - violência, desigualdade e facções não se desfazem em um único dia. Mas ela reconfigura o tabuleiro simbólico do poder:
devolve ao Estado a imagem de força,
interrompe, ainda que temporariamente, a sensação de invencibilidade criminal,
e recoloca a discussão central da Teoria Tríplice:
quando moral e vergonha evaporam, o que resta para conter a violência é o medo.
Não como ferramenta de educação.
Mas como freio momentâneo que adia o próximo gatilho.
E, às vezes, esse intervalo salva vidas.
Por Angelica Cunha
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