Thiago Gagliasso acusa governo Lula de tumultuar votação para presidente da Alerj e diz que picanha cara explica por que não foi convidado para aniversário do irmão

Deputado critica politização da eleição indireta e cobra democracia nas regras da casa e lamenta estar fora da celebração familiar de Bruno Gagliasso por preço alto da picanha

Thiago Gagliasso questiona interferência do governo Lula na disputa pela presidência da Alerj e defende aplicação das normas institucionais

O deputado estadual Thiago Gagliasso (PL), conhecido por sua atuação crítica na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, questionou duramente a politização da eleição para a presidência da Casa em entrevista exclusiva. Gagliasso manifestou preocupação com interferências externas na escolha do próximo presidente da Alerj, apontando articulações políticas que, segundo ele, comprometem a lisura do processo democrático. A fala do parlamentar ecoa em um momento de tensão institucional no estado, marcado por decisões judiciais conflitantes e disputas políticas que atravessam o Supremo Tribunal Federal.

A crítica à interferência do governo Lula

Gagliasso apontou que a politização da eleição prejudica diretamente a população carioca e seus eleitores. O deputado criticou o governo federal por, segundo sua avaliação, orquestrar movimentações políticas que desestabilizam a Assembleia Legislativa. Referindo-se ao grupo que apoia o ex-governador Eduardo Paes, o parlamentar afirmou que essas articulações ocorrem de forma "arbitrária" e sem respeito aos procedimentos institucionais estabelecidos pela casa legislativa. Para Gagliasso, essas manobras políticas refletem uma disputa de poder que vai além dos interesses imediatos da população fluminense.

O deputado enfatizou que o Rio de Janeiro necessita de governança focada em resultados, não em negociações políticas nos bastidores. Esta crítica se insere em um contexto mais amplo de confronto entre a administração Lula, que buscaria interferências nas decisões legislativas estaduais, e a gestão atual do estado, que Gagliasso apoia. A percepção de politização externa da eleição da Alerj representa uma das dimensões deste conflito maior entre esferas de governo com orientações políticas divergentes.

Defesa de Douglas Ruas e críticas à esquerda

Gagliasso defendeu fortemente Douglas Ruas como o candidato mais preparado para governar o Rio de Janeiro no período de mandato-tampão. O deputado qualificou Ruas como "cara bom, honesto, propositivo", ressaltando que o estado carece de pessoas com essas características. Gagliasso expressou confiança de que, com Ruas na presidência do estado, o Rio seria colocado "nos trilhos de novo". O apoio ao deputado do PL reflete alinhamento político entre ambos dentro da agremiação.

O parlamentar também elogiou a atuação de Cláudio Castro no combate à violência antes de sua renúncia. Gagliasso apontou que as operações nas comunidades foram "super bem sucedidas" e "muito bem aceitas pelo morador", mas ressalvou que essas ações não encontram aceitação "lá em Brasília". Essa crítica sugere que há divergências sobre como enfrentar a segurança pública entre o governo estadual e a administração federal, com Gagliasso questionando se autoridades federais "vivem em outro planeta" pela falta de compreensão das políticas de segurança implementadas no estado.

Questões legais e o respeito à lei

Quando questionado sobre a legitimidade jurídica da eleição indireta, Gagliasso apresentou uma análise que mistura aspectos legais com posicionamento político. De acordo com o deputado, seguindo a letra da lei, a eleição deveria ser indireta porque houve renúncia antes do julgamento final. Gagliasso reconheceu que o STF sinalizava votação favorável à eleição direta por margem de 4 a 1, mas argumentou que "deveria seguir as regras da casa e fazer a seleção de maneira fácil".

O parlamentar enfatizou que procedimentos democráticos corretos deveriam prevalecer sobre articulações políticas. Gagliasso sugeriu que os grupos políticos de oposição deveriam aceitar a derrota e aguardar as eleições de outubro, quando "Eduardo Paes e todo o grupo dele" poderia tentar ganhar "de forma correta, de forma democrática". Esta posição revela uma tentativa de encontrar legitimidade legal para as decisões que beneficiam seu bloco político, mesmo reconhecendo que a jurisprudência superior caminha em direção oposta.

O tom descontraído e a crítica política

Um elemento significativo da entrevista foi a forma como Gagliasso misturou tom jocoso com crítica política séria. O deputado fez referência ao aniversário de seu irmão Bruno Gagliasso, mencionando que não foi convidado para o churrasco porque seu irmão "tirou a foto com o Lula". Gagliasso aproveitou o momento para criticar indiretamente o governo federal, sugerindo que as políticas do governo Lula tornaram caras as compras até de picanha para festas. Essa estratégia retórica permite ao deputado manter leveza na comunicação enquanto transmite mensagens políticas críticas.

O deputado reconheceu que a política está "muito chata" devido às "injustiças" observadas, incluindo pessoas ainda presas desde o episódio de 8 de janeiro no Congresso Nacional. No entanto, Gagliasso argumentou que manter o "bom humor" e um "jeito alegre" na política ajuda a atrair jovens para o interesse cívico e permite que parlamentares façam "um bom trabalho". Esta abordagem sugere uma estratégia comunicativa que busca humanizar a figura do deputado enquanto critica sistematicamente o governo federal.

Contexto da crise institucional do estado

A entrevista ocorre em momento de profunda turbulência institucional no Rio de Janeiro. A renúncia de Cláudio Castro como governador acionou mecanismos constitucionais que geraram disputas sobre como escolher seu sucessor para o período de mandato-tampão até as eleições de outubro de 2026. A eleição de Douglas Ruas para a presidência da Alerj foi rapidamente anulada pela Justiça, gerando novas rodadas de negociações políticas e decisões judiciais contraditórias.

O Supremo Tribunal Federal está julgando se a escolha do novo governador será feita através de votação direta (envolvendo toda a população) ou indireta (restrita aos deputados estaduais). As diferentes instâncias do Judiciário têm tomado decisões conflitantes, contribuindo para a sensação de instabilidade institucional que Gagliasso critica. A situação ilustra como disputas políticas podem se transformar em crises constitucionais quando não há consenso sobre as regras do jogo democrático.

Apelo à população e perspectivas eleitorais

Gagliasso encerrou sua fala com um apelo direto à população carioca. Utilizando tom coloquial e descontraído, o deputado pediu que as pessoas não façam o "sinal de L" (gesto associado a apoiadores de Lula) e destacou novamente o impacto econômico das políticas federais no cotidiano das famílias. Sua mensagem final buscava conectar-se com eleitores por meio da linguagem descontraída, mantendo a crítica ao governo federal como fio condutor.

A perspectiva de Gagliasso sobre as próximas eleições de outubro é de que a direita conseguirá vitória através de processos "corretos e democráticos" sem necessidade de manobras políticas. No entanto, sua acusação de que a esquerda tenta usar "articulações políticas de bastidores" para contornar a vontade democrática sugere preocupação real de que os resultados das urnas possam não favorecer seu bloco político. A confiança retórica do deputado contrasta com a urgência de seus apelos por respeito às normas institucionais.

Contexto político mais amplo

A situação do Rio de Janeiro reflete divisões profundas não apenas entre governo estadual e federal, mas entre visões fundamentalmente diferentes sobre como interpretar normas institucionais. Enquanto Gagliasso argumenta que as regras deveriam ser aplicadas literalmente, seus críticos provavelmente apontariam que a jurisprudência superior caminha em direção diferente, com o STF inclinado para votação direta. A democracia, nesse cenário, não é apenas sobre ganhar ou perder eleições, mas sobre qual interpretação das regras institucionais prevalecerá.

A presença de um deputado como Gagliasso, que combina linguagem popular com crítica política estruturada, representa uma estratégia cada vez mais comum no cenário político brasileiro. A capacidade de falar com eleitores através de redes sociais e mídia descontraída, mantendo posições políticas firmes, transforma figuras como o deputado do PL em atores relevantes não apenas legislativo, mas também na formação de opinião pública e mobilização política.

Repórter Ralph Lichotti - Advogado e Jornalista, Editor do Ultima Hora Online e Jornal da República, Foi Sócio Diretor do Jornal O Fluminense e acionista majoritário do Tribuna da Imprensa, Secretário Geral da Associação Nacional, Internacional de Imprensa - ANI, Ex- Secretário Municipal de Receita de Itaperuna-RJ, Ex-Presidente da Comissão de Sindicância e Conselheiro da Associação Brasileira de Imprensa - ABI - MTb 31.335/RJ

Por Robson Talber @robsontalber 

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Fontes

Informações baseadas em entrevista concedida pelo deputado estadual Thiago Gagliasso, publicada através do programa Jornal da República e Última Hora. Contexto político obtido através de Agência Brasil, G1 Rio de Janeiro, Folha de S.Paulo, CNN Brasil, UOL Notícias e Wikipedia. Dados sobre votação do STF conforme publicado em Conjur.

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Por Ultima Hora em 16/04/2026
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