Assine nossa newsletter e fique por dentro de tudo que rola na sua região.
Longe dos trilhos, mas firme na alma do povo, a festa segue seu rumo no compasso do pandeiro
Trinta anos depois, o Trem do Samba continua mostrando que é mais teimoso que muita promessa de Ano-Novo. Nasceu nos trilhos, sacudiu a Central, espalhou poesia até Oswaldo Cruz… e agora segue por outros caminhos, sem pedir licença e sem perder a essência. É aquele tipo de evento que não precisa de GPS: o samba guia.
A verdade é simples e gostosa de dizer: o Trem não depende mais do trem. A festa cresceu, tomou a rua, desceu para as rodas, ocupou esquinas e voltou para o colo da comunidade — onde sempre teve morada. É gente de toda idade, roupa simples, sorriso pronto, aquele batuque que entra no peito e bagunça qualquer tristeza.

O samba, como sempre, dá o recado. Lembra que começou lá atrás, no aperto dos vagões, quando muita gente só queria um canto pra cantar sem ser interrompido. Era resistência disfarçada de alegria. Hoje, é memória viva se reinventando na frente dos nossos olhos.
E o clima? Popular, quente, daqueles que fazem o Rio sentir que ainda tem alma, mesmo quando tentam enterrar a cultura com burocracia e indiferença. Ali ninguém está preocupado com palco gigante ou holofote importado. O brilho vem do tambor, do reco-reco, da voz rouca de quem canta porque precisa, não porque quer aparecer.
Três décadas depois, o recado continua o mesmo: enquanto houver quem bata palma, quem levante poeira, quem bote o coração pra sambar, o Trem segue andando — com trilho, sem trilho, com estação ou sem destino.
Porque o samba, meu amigo, não estaciona. Ele passa. Ele vive. Ele arrasta. Ele é o próprio movimento.
Fonte e foto: O Dia.
Por: Arinos Monge
Nenhum comentário. Seja o primeiro a comentar!