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O presidente Donald Trump postou em suas redes sociais um video que apresenta o ex-presidente Barack Obama e sua mulher, Michelle, como macacos. A publicação ainda conta com uma trilha sonora a partir do filme Rei Leão e causou uma onda de indignação nos EUA.
As cenas de cunho racista aparecem nos últimos segundos de um video no qual ele supostamente “provaria” que houve fraude na eleição de 2020. Naquele momento, Trump foi derrotado e não existem evidências alguma que a eleição tenha sido roubada.
O vídeo de 62 segundos, que parece ter se originado no site Patriot News Outlet, alegava que autoridades de Michigan tiveram acesso a urnas eletrônicas que indicavam possível interferência eleitoral. A cena com as imagens do ex-presidente como um macaco dura pouco mais de 1 segundo, já no final da “reportagem” sobre a suposta fraude.
Nos últimos dias, porém, Trump tem repetido a tese da fraude, o que passou a ser interpretado por democratas e observadores como um sinal de que ele poderia alegar o mesmo argumento para a eleição legislativa, no final do ano. Existem ainda suspeitas de que ele possa ainda modificar certas regras eleitorais e de votação para beneficiar candidatos republicanos.

Vídeo racista postado por Donald Trump em sua rede social, com Barack e Michelle Obama
A desinformação acompanhada por um ato racista chocou muitos na Internet e ganhou a repulsa do partido democrata.
Não é a primeira vez que Trump adota uma atitude racista nas redes sociais. Seu governo ainda tem desmontado toda a estrutura de combate ao racismo e insistido que esse não é um problema estrutural dos EUA.
Quase imediatamente, diversas personalidades responderam à postagem.
“Comportamento repugnante por parte do presidente. Todos os republicanos devem denunciar isso. Agora”, declarou o governador da Califórnia, Gavin Newsom, por meio de sua assessoria. “Isso é racismo explícito. Ponto final. Não há ‘interpretação errônea’ nem desculpa. É assim que ele é, sempre foi, e é por isso que ele jamais deveria chegar perto do poder novamente”, publicou o estrategista político Adam Parkhomenko no X.
Até mesmo republicanos reagiram de forma indignada. O grupo “Republicanos contrários a Trump” classificou a publicação como racista, reiterando que “não há limites”.
O diplomata da ONU, Mohamad Safa, denunciou o vídeo como “racismo em sua forma mais repugnante”. “Esse tipo de discurso, seja internacional ou local, que alimenta o racismo e o ódio é inaceitável no mundo de hoje. Não somos mais herdeiros das gerações que combateram o fascismo e o racismo”, afirmou.
Ben Rhodes, que atuou como vice-conselheiro de segurança nacional durante o governo Obama, chamou Trump de “uma mancha em nossa história”. “Que isso assombre Trump e seus seguidores racistas: que os futuros americanos abracem os Obamas como figuras amadas, enquanto o estudem como uma mancha em nossa história”, disse Rhodes no X.
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