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Se comparado ao valor efetivamente pago por Vorcaro (R$ 61 milhões) a película sobre o pai de Flávio Bolsonaro cobrira duas vezes o custo de "O Agente Secreto".

A quantia cobrada por Flávio Bolsonaro a Daniel Vorcaro para viabilizar a produção do filme “Dark Horse”, que conta a biografia de Jair Bolsonaro, era de R$ 134 milhões, segundo revela reportagem do Intercept Brasil. Documentos e mensagens obtidos pelo site indicam que o banqueiro tinha repassado parte deste montante: R$ 61 milhões entre fevereiro e maio de 2025.
O orçamento do filme sobre Bolsonaro supera em muito o custo de grandes produções recentes do cinema brasileiro, que tiveram grande repercussão internacional.
“O Agente Secreto”, premiado em Cannes por melhor direção (Kleber Mendonça Filho) e melhor ator (Wagner Moura), além de indicações para o Oscar e vários outros prêmios, gastou R$ 28 milhões, de acordo com números divulgados pela Ancine. A biografia de Bolsonaro tem custo mais que cinco vezes maior.
Se comparado ao valor efetivamente pago por Vorcaro (R$ 61 milhões) a película sobre o pai de Flávio Bolsonaro cobrira duas vezes o custo de “O Agente Secreto”.

Kleber Mendonça e Wagner Moura no set de “O Agente Secreto” – Laura Castor/Divulgação
Outro sucesso de público e crítica do cinema nacional, “Ainda Estou Aqui” teve orçamento de R$ 45 milhões, um terço do previsto para a saga bolsonarista. Além do sucesso de bilheteria, a produção conquistou o Oscar de melhor filme internacional, o Globo de Ouro de melhor atriz para Fernanda Torres e vários outros prêmios.
O que o dono do Master já repassou para a produção da biografia de Bolsonaro equivale a uma vez e meia o custo de “Ainda Estou Aqui”.
Além do valor cobrado de Daniel Vorcaro, a produtora do filme bolsonarista recebeu também R$ 108 milhões da Prefeitura de São Paulo, como também denunciou o Intercept, em dezembro. Esse valor foi repassado ao Instituto Conhecer Brasil, ONG gerida por Karina Ferreira da Gama (produtora executiva da Go Up Entertainment, do filme Dark Horse). O objetivo seria fornecer internet Wi-Fi para comunidades de baixa renda. Segundo a matéria, parte significativa dessa quantia, R$ 26 milhões, foi transferida sem que o serviço fosse totalmente prestado.

Jim Caviezel (esq.) interpreta Bolsonaro no filme produzido por Mario Frias (ao centro) e dirigido por Cyrus Nowrasteh (dir.)
“Dark Horse” é uma cinebiografia internacional sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, com foco na campanha de 2018 e no atentado a faca. Produzido com forte engajamento de figuras bolsonaristas e estrelado por Jim Caviezel, o filme encerrou gravações em 2025.
O deputado federal Mário Frias (PL-SP), ex-secretário de Cultura, é um dos principais idealizadores do filme e também atua na produção.
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