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Eduardo Paes voltou à cena com mais uma jogada para mudar o transporte público do Rio. Desta vez, a prefeitura anunciou uma nova licitação para escolher os operadores dos ônibus da cidade. A promessa, segundo a gestão, é de que o novo modelo comece pela Zona Oeste em novembro de 2025. Mas, quem conhece os bastidores, sabe que isso já tem cara de mais do mesmo.
A licitação, que será a maior da história do Rio, está sendo tratada como uma revolução. A prefeitura promete que, desta vez, vai deixar de lado os consórcios falidos que sempre causaram mais confusão do que solução. A ideia é tirar o sistema da mão de grandes grupos empresariais e focar em modelos mais modernos e eficientes.
Só que a realidade é que essa mudança não parece ser uma ruptura com o passado. Pelo contrário, o que a gente vê é um remake: a velha fórmula repaginada. De acordo com a matéria publicada no Extra, o processo licitatório será dividido em quatro lotes, sendo que o primeiro terá início já em novembro, começando pela Zona Oeste. A proposta é aumentar o número de ônibus grandes e incluir veículos do tipo micro-ônibus, mas tudo isso sem que haja uma revolução real no modelo de operação.
É claro que a ideia de mais ônibus nas ruas soa bem, mas o que parece ser ignorado é o fato de que o Rio já tem um trânsito caótico, e que a concorrência dos aplicativos de transporte está cada vez mais forte. No início, os micros e os “micrinhos” até fizeram sentido, principalmente porque o Rio não tinha a enxurrada de apps de transporte que temos hoje. Mas agora, esses ônibus são lentos e dependem de uma boa estratégia de tráfego – o que é um luxo em um lugar onde o engarrafamento é um esporte local.
Outro dado que não pode passar em branco é o fato de que muitos empresários ainda estão pagando pelo modelo antigo de consórcios, que se provaram ineficazes e custosos, com péssima qualidade de serviço. Agora, Paes chega prometendo que a licitação vai ser uma revolução... mas a sensação é de que, na verdade, o sistema só vai mudar de nome. O mais interessante é que a previsão para que isso comece a ser implementado, com contratos assinados e tudo mais, é só em meados de 2026. Ou seja, mais um texto de paciência para a população.
E o que vem de novo? Entre as promessas, estão melhorias na integração entre os diferentes tipos de transporte público, maior rapidez no atendimento das demandas, e, claro, uma "inovação" nos contratos de concessão. Tudo isso soa como uma maquiagem em um sistema de transporte público que já nasceu doente, e que continua sendo tratado com paliativos.
O maior problema de toda essa história é que, enquanto a Prefeitura tenta criar um modelo “de vanguarda” (reparem nas aspas), o povo continua preso no velho e desgastado formato. Não há tempo a perder com soluções improvisadas, muito menos promessas que vão empurrar para 2026 a verdadeira transformação do transporte público no Rio de Janeiro.
Por: Arinos Monge.
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