Vereador Leonel convoca audiência pública para discutir operação policial que deixou 120 mortos com sinais de extrema violência

Vereador Leonel convoca audiência pública para discutir operação policial que deixou 120 mortos com sinais de extrema violência

O vereador Leonel de Esquerda (PT), presidente da Comissão Especial das Favelas, teve a coragem de fazer o que muitos políticos não têm: convocar uma reunião pública para debater essa tragédia. Na próxima segunda-feira (3), na Câmara do Rio, o tema será direto e sem rodeios: "O preço da guerra nas favelas: até quando o estado vai matar em nome da segurança?"

A operação mais letal da história

Vamos falar números, porque números não mentem. Mais de 120 mortes em uma única operação policial. Cento e vinte famílias destruídas. Cento e vinte vidas que não voltam mais. Cento e vinte histórias interrompidas para sempre. E tudo isso em nome de uma "segurança pública" que parece mais uma política de extermínio.

Esta foi a operação policial mais letal da história do país. Não é um recorde para se orgulhar. É uma marca de vergonha que vai ficar para sempre na história do Rio de Janeiro e do Brasil. É a prova de que alguma coisa está muito, muito errada no nosso modelo de segurança pública.

Vozes que precisam ser ouvidas

A audiência pública contará com presenças importantes que vão trazer diferentes perspectivas sobre essa tragédia. O deputado federal Reimont Otoni (PT-RJ), presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, vai representar o olhar nacional sobre o que aconteceu no Rio.

Raull Santiago, líder comunitário do Complexo do Alemão, vai trazer a voz de quem vive essa realidade na pele. É ele quem conhece as famílias que perderam seus entes queridos, quem viu o terror se instalar na comunidade, quem pode falar sobre o que realmente aconteceu além dos números frios dos relatórios oficiais.

O advogado Carlos Nicodemos, integrante do Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH), vai trazer a perspectiva jurídica e dos direitos humanos. E Fabiana Silva, Ouvidora-Geral da Defensoria Pública do Estado, vai representar a voz de quem defende os mais vulneráveis nessa história toda.

A realidade que ninguém quer ver

Leonel esteve na Penha no dia seguinte à operação. Não foi para fazer pose política ou aparecer na mídia. Foi para ver de perto, para ouvir as famílias, para entender o que realmente aconteceu. E o que ele encontrou foi aterrorizante.

Familiares dos mortos relataram que os corpos apresentavam sinais de extrema violência. Não estamos falando apenas de ferimentos de bala. Estamos falando de degolação, tortura, indícios de execução sumária. Estamos falando de uma barbárie que não tem lugar numa sociedade civilizada.

Quando a segurança vira genocídio

"As mortes e os excessos evidenciam que o atual modelo de segurança pública do estado precisa ser revisto com urgência", afirma Leonel. E ele está certo. Não dá mais para aceitar que "operação policial" seja sinônimo de chacina. Não dá mais para fingir que isso é normal.

Vidas humanas não podem ser reduzidas a números numa planilha de "resultados" da segurança pública. Cada uma dessas 120 mortes representa uma família destroçada, uma comunidade traumatizada, uma sociedade que está perdendo sua humanidade.

O sensacionalismo que amplifica a dor

Leonel também tocou num ponto fundamental: "O sensacionalismo em torno das atrocidades cometidas só amplia o sofrimento das pessoas, e as cenas traumáticas deixarão, sem dúvida, marcas profundas na memória coletiva."

É verdade. A forma como a mídia trata essas tragédias muitas vezes transforma dor real em espetáculo. Transforma morte em entretenimento. E isso não apenas desrespeita as vítimas e suas famílias, como também normaliza a violência e torna a sociedade cada vez mais insensível ao sofrimento alheio.

A transparência que se exige

Os participantes da audiência exigem do poder público maior transparência na apuração dos fatos. E essa não é uma exigência descabida. É um direito básico numa democracia. A sociedade tem o direito de saber o que aconteceu, como aconteceu e por que aconteceu.

Não pode haver operação policial sem prestação de contas. Não pode haver mortes sem investigação rigorosa. Não pode haver execuções sumárias sem consequências para os responsáveis. A transparência não é favor que se pede, é obrigação que se exige.

O modelo que precisa mudar

A operação nos complexos do Alemão e da Penha expôs de forma brutal a falência do modelo de segurança pública do Rio de Janeiro. Um modelo baseado na guerra, no confronto, na ideia de que bandido bom é bandido morto. Um modelo que trata favela como território inimigo e morador de comunidade como suspeito em potencial.

Esse modelo não funciona. Nunca funcionou. Só produz morte, trauma e mais violência. É hora de pensar em alternativas, de buscar modelos que priorizem a vida, que vejam segurança pública como proteção da população, não como guerra contra ela.

A memória que não pode ser apagada

As cenas traumáticas dessa operação vão deixar marcas profundas na memória coletiva. Crianças que viram seus pais serem executados. Mães que perderam seus filhos de forma brutal. Famílias inteiras traumatizadas para sempre.

Essa memória não pode ser apagada. Não pode ser esquecida. Não pode ser normalizada. Ela precisa ser preservada como um lembrete constante de que nunca mais podemos permitir que algo assim aconteça.

O debate que precisa acontecer

A audiência pública convocada por Leonel é mais do que um evento político. É uma necessidade democrática. É um espaço para que a sociedade possa discutir, questionar, exigir mudanças. É uma oportunidade para que as vozes das vítimas sejam ouvidas e respeitadas.

Não é um debate contra a polícia. É um debate por uma polícia melhor. Não é um debate contra a segurança pública. É um debate por uma segurança pública que proteja vidas, não que as destrua.

O recado final

Meus queridos, não podemos aceitar que 120 mortes sejam tratadas como "danos colaterais" numa guerra que não deveria existir. Não podemos normalizar a barbárie. Não podemos fingir que isso é aceitável numa sociedade civilizada.

A audiência pública da próxima segunda-feira é uma oportunidade para que a sociedade fluminense e brasileira reflita sobre que tipo de segurança pública queremos. Se queremos uma polícia que protege ou uma polícia que mata. Se queremos um Estado que garante direitos ou um Estado que executa sumariamente.


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Por Ultima Hora em 01/11/2025
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