'Vereadora de rico': Talita Galhardo vira centro de nova polêmica após embate com sem-teto

Bate-boca na Barra da Tijuca sobre "gato" de energia e acolhimento institucional incendeia as redes sociais

Diário Carioca - A cidade do Rio de Janeiro, já saturada por divisões sociais profundas, assiste a mais um capítulo do estilo combativo — e para muitos, controverso — da vereadora Talita Galhardo (PSDB). Um vídeo que viralizou nesta quarta-feira (11) mostra a parlamentar em um ríspido bate-boca com pessoas em situação de rua embaixo de um viaduto na Barra da Tijuca.

O episódio, ocorrido na última sexta-feira (6), é o mais novo combustível para uma trajetória marcada por abordagens diretas que, frequentemente, terminam em confrontos ideológicos e verbais em plena via pública.

Do “Gato” de Energia ao Embate Ideológico

O conflito teve início quando Galhardo, membra da Comissão de Segurança e de Defesa Civil, decidiu fiscalizar uma suposta ligação clandestina de energia (o popular “gato”) utilizada pelo casal para carregar celulares. A abordagem, registrada pela própria equipe da vereadora, rapidamente escalou. Ao ser questionada pela mulher para que não gravasse, Talita manteve o foco na ocupação do espaço: “Isso aqui não é lugar para morar”.

A discussão atingiu o ápice quando o homem acusou a parlamentar de Generalizar os moradores de rua como “cracudos”. A tréplica da vereadora — “Não tem cracudo?” — e a acusação de agressividade contra o homem reforçam o tom de sua plataforma política, que prioriza a ordem urbana em detrimento da assistência paliativa.

“Vereadora de Rico” vs. “Assistencialismo que Prejudica”

As críticas desferidas pelo morador de rua, que a chamou de “vereadora de rico” e acusou-a de “atacar o oprimido”, tocam em um ponto nevrálgico do mandato de Galhardo.

Em dezembro de 2025, ela já havia gerado uma onda de indignação e apoio (em medidas iguais) ao pedir que a população parasse de distribuir quentinhas, alegando que a caridade dificultaria o acolhimento oficial e fomentaria a criminalidade.

Para o Diário Carioca, a postura de Talita Galhardo personifica o choque entre a classe média da Zona Oeste, que exige calçadas limpas e seguras, e os movimentos de direitos humanos, que veem em suas ações uma higienização social desprovida de empatia estrutural.

O Palanque das Redes e a Reação Institucional

Talita se defendeu das acusações de elitismo enumerando suas ações em creches e clínicas da família, mas o dano de imagem — ou o ganho político junto ao seu eleitorado — já está consolidado. O uso de vídeos de confronto como ferramenta de marketing político é uma marca da nova direita carioca, transformando a fiscalização de posturas em espetáculo digital.

Enquanto a vereadora adverte que a agressividade dos sem-teto justifica o medo da população, seus críticos apontam que a exposição de pessoas vulneráveis em redes sociais fere a dignidade humana.

O Rio de Janeiro de 2026, entre megashows em Copacabana e reformas administrativas, continua sendo o palco de uma luta de classes que não precisa de roteiro para ser violenta.

Por Ultima Hora em 14/02/2026
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