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Hoje, 10 de janeiro de 2026, os países da União Europeia deram sinal verde ao acordo com o Mercosul e abriram caminho para a assinatura no Paraguai na segunda-feira. Isso não é cerimônia para foto. É aviso de mundo duro dizendo que previsibilidade virou moeda e país que inspira confiança paga menos juros, atrai mais negócio e protege melhor o bolso do povo. (Financial Times)
O mundo não está leve. A geopolítica ficou áspera. Tarifas voltaram a ser usadas como pressão. Acordos viraram moeda de troca. E país percebido como instável é penalizado com rapidez. Nesse ambiente, a imagem do país não é vaidade. É crédito, investimento, comércio e turismo. É o custo do dinheiro e a velocidade com que oportunidades chegam ou vão embora. (The Guardian)
O Brasil já aprendeu, do jeito mais caro, que improviso no comando custa caro. Quando o improviso vem com barulho, bravata e descuido com a liturgia institucional, o resultado atravessa fronteiras. Vira manchete ruim. E manchete ruim vira custo aqui dentro, na prateleira do mercado, no financiamento que encarece, no emprego que fica mais frágil.
Por isso eu olho para eleição como ela realmente é em tempos assim: gestão de risco.
O Brasil voltou a ser levado a sério
O avanço do acordo União Europeia Mercosul ajuda a entender o momento. Foram mais de 25 anos de negociação até chegar a esta etapa, e mesmo assim ainda haverá caminho pela frente. A assinatura prevista no Paraguai não significa entrada imediata em vigor, porque o texto ainda precisa passar pelo crivo institucional europeu, incluindo o Parlamento. Mas o sinal político é claro. O mundo só fecha pactos grandes com quem considera previsível e negociável. (The Guardian)
Existe um termômetro que raramente mente. O turista. Turismo é confiança em movimento. Ninguém atravessa o oceano para apostar no caos. Turismo depende de câmbio, voos, marketing e do humor global. Mesmo assim, quando um país transmite normalidade institucional e respeito às regras, ele melhora a própria sorte. A confiança reaparece e o mundo volta a olhar com interesse.
Em tempos duros, faz diferença ter liderança testada. Não porque seja perfeita, mas porque já foi colocada à prova. Isso reduz custo de transição, evita desaprendizagem institucional e protege o país daquela tentação perigosa de brincar de amador quando o tabuleiro internacional está punitivo.
E o Rio, por ser vitrine, precisa do mesmo princípio
No Rio de Janeiro essa lógica é ainda mais urgente. O Rio é vitrine do Brasil e campo de prova ao mesmo tempo. Tem turismo, energia, serviços, cultura, eventos. Também tem segurança pública complexa, desigualdade e gargalos urbanos históricos. Aqui, qualquer aventura cobra pedágio mais alto, porque a repercussão é imediata e amplificada.
Por isso o Rio não pode ser tratado como laboratório de tentativas e erros. Precisa de gestão com método, coordenação institucional e capacidade de execução. Um estado pressionado e endividado não tem margem para governo de improviso.
E aqui entra um ponto transversal que vale ouro para o bolso do povo. O governo federal e a Prefeitura do Rio vêm fazendo sua parte em eixos decisivos para o país e para a vitrine, seja na reabertura de pontes institucionais, seja na agenda internacional, seja na capacidade de organizar o básico para a cidade funcionar e receber o mundo. Isso cria uma base de confiança.
O que falta é o Estado do Rio entrar inteiro nesse arranjo. Não para competir, mas para completar. Sem o Estado, o esforço fica capenga. Porque é o Estado que segura partes críticas do sistema, especialmente segurança pública, coordenação regional, infraestrutura estruturante e integração entre municípios. Quando o Estado funciona bem, ele melhora a vida de quem mora aqui, reduz risco para quem investe, reduz medo para quem visita e reduz custo para quem trabalha.
E segurança pública é o coração disso. Quando políticas de segurança nascem no improviso, quando se tolera abuso ou se fecha os olhos para episódios de violência policial, o estrago não fica restrito ao noticiário local. Ele ganha repercussão internacional, afeta confiança e machuca turismo, investimento e reputação. Estado-vitrine não pode se dar a esse luxo.
Conclusão
Em tempos calmos, votar por impulso parece inofensivo. Em tempos ásperos, vira risco caro.
Hoje, a escolha responsável é privilegiar lideranças testadas, que reduzam incerteza, preservem respeito institucional e protejam o cotidiano de quem trabalha. No fim, credibilidade é isso. É comida menos cara, crédito menos cruel, emprego menos frágil e futuro menos instável.
Prof. Jorge Tardin
Advogado. Embaixador da Coalizão Veredicto do Capital.
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