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RLRafael Lorenzo M. Barretti Via Brasil Paralelo
Em 1926, a Macallan, uma das marcas mais valorizadas do mundo do whisky, fez o lote número 263 e o guardou em barris de carvalho temperados com xerez.
O barril nº 263 passou décadas praticamente esquecido dentro do armazém 7. As levas seguintes foram utilizadas provavelmente blends, o destino mais comum até a década de 1960.
60 anos depois, esse barril ignorado se tornaria o centro de uma das histórias mais improváveis do mercado de luxo.
O 263 foi redescoberto depois de quase 60 anos
Em uma época em que o mercado ainda não valorizava whiskies muito antigos, sua sobrevivência já era algo raro.
A maioria das bebidas abandonadas por tanto tempo sem o preparo para isso acabam perdendo boa parte de seu teor alcoólico ou evaporando, o que é chamado de “parte dos anjos”.
No entanto, o nº263 conseguiu sobreviver até a década de 1980, quando foi reencontrado por uma equipe que procurava um whisky de 50 anos.
O barril foi levado para a prova e surpreendeu por conta de sua ótima condição, como relembra o diretor-gerente da Macallan na época, Willie Phillips:
“Ele foi apresentado ao painel de degustação, e o painel aprovou. Nós dois ficamos arrepiados porque estávamos muito impressionados de que ele pudesse ter passado 60 anos em um barril e ainda estivesse tão bom.”
Como a bebida se transformou em uma obra de arte?
Apesar de sobreviver ao teste do tempo, parte da bebida evaporou e ainda restava pouco, o suficiente para produzir 40 garrafas.
Diante da raridade, a Macallan tomou uma decisão incomum para a época. Em vez de lançar o produto de forma tradicional, resolveu transformá-lo em algo maior.
As garrafas foram tratadas como peças de arte.
Artistas renomados foram convidados para criar rótulos exclusivos. Entre eles, Peter Blake, Valerio Adami e Michael Dillon.
O whisky deixou de ser apenas uma bebida para se transformar em um valioso objeto de coleção.
O whisky mais caro do mundo
Uma das garrafas do Macallan 1926, com rótulo de Valerio Adami, foi vendida em 2023 por cerca de 2,18 milhões de libras, o equivalente a mais de R$13 milhões.
Até hoje, o valor representa o recorde da garrafa de whisky vendida pelo maior valor na história.
A disputa no leilão foi intensa e durou poucos minutos, mas suficiente para ultrapassar com folga os recordes anteriores.
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