A fatura do áudio: Flávio cai 18 pontos entre eleitores de alta renda e 15 entre jovens, aponta Meio/Ideia

Pesquisa revela que 44% dos eleitores pioraram a opinião sobre Flávio após caso Dark Horse

A fatura do áudio: Flávio cai 18 pontos entre eleitores de alta renda e 15 entre jovens, aponta Meio/Ideia

Queda livre: pesquisa revela que Flávio Bolsonaro perde eleitor jovem, rico e de centro-direita após escândalo Master

Levantamento Meio/Ideia mostra que o pré-candidato do PL despencou entre os segmentos que seriam fundamentais para vencer Lula no segundo turno — e 60% dos eleitores já conhecem o caso do áudio com Daniel Vorcaro

O tamanho do estrago

A mais recente pesquisa Meio/Ideia, divulgada nesta quinta-feira (28 de maio), transformou em números o que analistas políticos já previam desde a eclosão do escândalo Master/Dark Horse: a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República sofreu uma erosão silenciosa, mas profunda, justamente onde não podia perder.

No primeiro turno estimulado, o presidente Lula abriu sete pontos percentuais de vantagem sobre o senador. No segundo turno, a virada é ainda mais expressiva: em 6 de maio, Flávio aparecia nominalmente à frente, com 45,3% contra 44,7% de Lula. Três semanas e um escândalo depois, o cenário se inverteu — Lula tem 46,5%, e o filho 01 de Jair Bolsonaro caiu para 41,4%. Uma diferença que agora supera a margem de erro de 2,5 pontos percentuais.

Onde a sangria é mais profunda

O dado mais alarmante para o bolsonarismo, no entanto, não é o índice geral da queda. A pesquisa dissecou o eleitorado e identificou onde a perda de votos de Flávio foi mais aguda no cenário de segundo turno.

Entre os eleitores que ganham mais de cinco salários mínimos, a queda foi de 18,9 pontos percentuais. No grupo que se identifica como de centro-direita, o tombo foi de 18 pontos. Já entre os jovens de 16 a 24 anos, Flávio perdeu 15,7 pontos.

"Os jovens e os moderados de direita são fundamentais num segundo turno apertado. Se ficam em casa, ele perde. Se mudam o voto, ele perde", afirmou Pedro Doria, diretor de Jornalismo do Meio, em análise publicada pelo veículo.

O diagnóstico é brutal para a estratégia da campanha bolsonarista: os três segmentos que mais rejeitaram o candidato após o escândalo são exatamente aqueles que poderiam garantir uma vitória numa disputa apertada.

O áudio que mudou a eleição

A pesquisa também mensurou o alcance do episódio que desencadeou a crise. No áudio que veio a público, Flávio Bolsonaro é flagrado cobrando do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, o pagamento de valores acertados para financiar o filme "Dark Horse", uma produção favorável ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

O levantamento revela que 60,4% dos eleitores tiveram contato com o caso em algum grau de detalhamento — 37,4% disseram ter visto ou ouvido "muita coisa" sobre o episódio, enquanto 23% afirmaram ter ouvido "alguma coisa". Apenas 18,2% responderam que não sabiam nada sobre o assunto.

O impacto na imagem do pré-candidato é contundente: para 44% dos eleitores, os áudios fizeram com que tivessem "uma opinião pior" sobre Flávio Bolsonaro. Outros 30,8% disseram que a percepção não mudou, e 14,5% afirmaram que a opinião melhorou.

O fantasma da investigação

A rejeição ao comportamento do senador não se limita à avaliação moral. A pesquisa aponta que 48% dos entrevistados defendem que o caso "merece uma investigação aprofundada pela Polícia Federal e pelo Ministério Público". Apenas 20% discordam da afirmação, mesmo percentual dos que se dizem neutros.

Para 57% dos eleitores, o escândalo vai prejudicar "muito ou um pouco" a campanha de Flávio. Apenas 6% acreditam que o senador pode ser beneficiado por um eventual efeito "vitimização".

Alternativas no tabuleiro

Diante da sangria de votos, a pesquisa testou cenários alternativos. Se Michelle Bolsonaro assumir a vaga do enteado, Lula marca 38% contra 29,6% da ex-primeira-dama. Se a candidata for a senadora Tereza Cristina (PL-MS), nome mais moderado e ligado ao agronegócio, Lula vai a 38,1% contra 15,9% da ex-ministra — mas Caiado sobe para 9,2%, sugerindo que a direita moderada migraria para o governador de Goiás.

A pesquisa também testou a hipótese de Lula não ser candidato. Nesse cenário, Fernando Haddad (PT) teria 36,5%, contra 32,7% de Flávio Bolsonaro — o que indica que, mesmo sem Lula, o petista levaria vantagem sobre o bolsonarista.

Metodologia

O levantamento Meio/Ideia foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-02918/2026-BRASIL. Foram realizadas 1.500 entrevistas entre os dias 23 e 27 de maio de 2026. O intervalo de confiança é de 95%, e a margem de erro é de 2,5 pontos percentuais.

Fontes: Pesquisa Meio/Ideia divulgada em 28/05/2026; Meio (meio.com.br); Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

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Por Ultima Hora em 28/05/2026
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