Candidato a Governador do PSD: Paes diz em Coletiva que Alerj foi 'tomada por criminosos' e anuncia 'Vamos tirar as patas dos políticos da segurança pública'

Em convenção histórica, Eduardo Paes é oficializado candidato ao governo com promessa de despolitizar polícias e retomar territórios

Em convenção que reuniu sete partidos, Paes foi oficializado candidato ao governo do Rio com Jane Reis (MDB) de vice; declarações duras contra deputados estaduais e promessa de despolitização da segurança pública marcaram o evento

O PSD oficializou na manhã desta segunda-feira, 20 de julho, a candidatura de Eduardo Paes ao governo do estado do Rio de Janeiro. Em convenção realizada em Botafogo, na Zona Sul, o partido também confirmou a chapa majoritária completa: Jane Reis (MDB) como vice-governadora, Pedro Paulo (PSD) e Benedita da Silva (PT) como candidatos às duas vagas ao Senado. MDB e Podemos realizaram suas convenções no mesmo horário e referendaram o apoio. A aliança reúne PSD, MDB, PT, PSB, PDT, PSDB e Solidariedade — uma frente que vai do petismo a setores do chamado centrão, num arco político inédito nas últimas décadas no estado.

"O tempo do estado se acovardando acabou"

Na coletiva de imprensa concedida após a homologação, Paes fez a declaração mais dura de toda a campanha até o momento. "O tempo do estado se acovardando acabou. Nós vamos retomar todos os territórios para os homens e mulheres de bem, que são a absoluta maioria desse estado e que não aguentam mais viver sob o jugo do crime organizado", afirmou.

O candidato disse ainda que acabará com a "conivência e o regime de sociedade entre agentes públicos e o crime organizado", em referência direta a facções do tráfico de drogas, milícias e narcomilícias. A declaração ecoa entrevista concedida à BBC Brasil em maio, quando Paes já afirmara que criminosos que desafiarem o Estado serão "neutralizados".

"Vamos tirar as patas dos políticos da segurança pública"

O ponto de maior repercussão da entrevista foi o anúncio de que, se eleito, acabará com a indicação política de comandantes de batalhão e delegados. "Os políticos, senhores deputados federais e estaduais, especialmente aqueles da Alerj que se acostumaram a indicar comandante de batalhão, delegado de polícia, podem tirar o cavalinho da chuva. Nesse governo não vai ter político nenhum, nem aliado meu, indicando gente ou se metendo na área de segurança pública. Vamos tirar as patas dos políticos da segurança pública", declarou. A promessa encontra respaldo em uma série de reportagens e operações recentes que revelaram a interferência de deputados estaduais na nomeação de delegados e oficiais da PM — prática historicamente denunciada como um dos pilares da captura das instituições de segurança pelo crime organizado no estado.

Alerj "tomada por criminosos" e a referência a Rodrigo Bacellar

Paes foi direto ao classificar a situação da Assembleia Legislativa. "Infelizmente não é a totalidade, tem muito deputado estadual sério, mas infelizmente a Alerj foi tomada por uma maioria de criminosos. Me processem se a gente não consegue provar", afirmou. A frase faz referência direta às investigações da Operação Unha e Carne, da Polícia Federal, que já prendeu o ex-presidente da Alerj Rodrigo Bacellar (União) em três fases distintas — a primeira em dezembro de 2025 e a mais recente em julho de 2026. As investigações apontam para uma rede de vazamento de informações sigilosas que teria beneficiado integrantes do Comando Vermelho. "O meu adversário nessa eleição, se não fosse a ação da Polícia Federal, seria Rodrigo Bacellar. Ele era o encarregado do governador Cláudio Castro, era o líder dessa turma que hoje está apoiando outra candidatura", completou Paes, referindo-se aos grupos políticos que migraram para a candidatura de Douglas Ruas (PL).

O apoio do governo federal e o papel da Polícia Federal

Questionado sobre a relação com o Planalto, Paes defendeu a manutenção do trabalho da Polícia Federal em investigar conexões entre política e crime no Rio de Janeiro. "É importante que esse papel que a PF cumpre hoje, junto ao STF na figura do ministro Alexandre de Moraes, continue. Esse trabalho de investigar relações da política com o crime no Rio é fundamental. Infelizmente, nós não mostramos capacidade nos últimos anos, certamente pela excessiva politização das nossas polícias. Não foram investigados a mistura entre deputados, figuras públicas, secretários, com o crime organizado", disse.

Interior, Baixada e a linha direta com prefeitos

Paes dedicou parte significativa da entrevista para falar sobre as regiões fora da capital. "Meu recado para o povo do interior, para o homem e a mulher do campo, para aqueles que estão no setor turístico, na atividade industrial: tenham a certeza de que eu serei o governador mais dedicado à Baixada, Região Metropolitana, São Gonçalo, Itaboraí e ao interior do estado", afirmou. Reconheceu as diferenças entre as regiões — citou o potencial consolidado do Sul Fluminense, o turismo da Região dos Lagos, as dificuldades do Noroeste e a pujança da Região Serrana com Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo. Prometeu linha direta com os prefeitos, sem intermediários. "Os prefeitos viraram seres de quinta categoria nesses últimos tempos. Não conseguiam acessar o governo do estado a não ser que tivessem um deputado amigo. Isso tem que parar."

O simbolismo de Jane Reis na vice

Sobre a escolha da vice, Paes destacou o caráter simbólico e político da decisão. "Jane Reis significa uma mulher, significa o povo evangélico representado na minha chapa, uma mulher de fé e uma mulher da Baixada Fluminense. É carregado de simbolismo porque, por mais que a gente se esforce para representar tudo e a todos, ter do meu lado uma mulher evangélica da Baixada vai ajudar o governo a ser melhor", declarou. Jane é irmã de Washington Reis (MDB), presidente estadual do partido, ex-prefeito de Duque de Caxias e ex-secretário estadual de Transportes — um dos nomes mais influentes da Baixada.

A saída do PP e da federação União Brasil

Questionado sobre a possibilidade de atrair o PP e a União Brasil — cuja federação sinaliza neutralidade na disputa presidencial e estadual —, Paes adotou tom conciliador. "Nunca escondi minha relação e admiração com vários quadros do PP, especialmente o ex-prefeito de Nova Iguaçu, Rogério Lisboa, e o deputado Dr. Luizinho. É óbvio que nós queremos somar as boas forças do estado. O que eu puder fazer para tê-los ao meu lado, eu farei." O movimento de aproximação com o centrão é visto como estratégico para isolar o atual governador Cláudio Castro (PL) e ampliar a base de sustentação.

O calendário eleitoral e o cenário da disputa

As convenções partidárias vão até 5 de agosto. Os registros das candidaturas devem ser feitos no TSE até 15 de agosto, e a campanha começa oficialmente no dia 16. As eleições estão marcadas para 4 de outubro. Paes enfrenta o atual governador Cláudio Castro (PL) e o deputado federal Douglas Ruas (PL), que herdou parte da base bolsonarista após as prisões de aliados de primeira hora. Pesquisas recentes indicam vantagem do ex-prefeito, mas o cenário ainda é fluido com a definição das coligações e do tempo de TV.

Eduardo Paes — Perfil

Eduardo da Costa Paes nasceu no Rio de Janeiro em 14 de novembro de 1969. Bacharel em Direito pela Pontifícia Universidade Católica (PUC-Rio), iniciou a carreira política aos 23 anos como subprefeito da Barra e Jacarepaguá na primeira gestão de Cesar Maia. Foi vereador do Rio, deputado federal por dois mandatos e secretário municipal e estadual antes de conquistar a prefeitura do Rio em 2008. Reeleito em 2012 e novamente em 2020 e 2024, tornou-se o prefeito mais longevo da história da capital fluminense — 4.827 dias no cargo, ultrapassando o próprio padrinho político. Entre suas principais realizações estão o Transbrasil integrado ao Terminal Gentileza, o BRT Transoeste revitalizado, o Super Centro Carioca de Saúde e os Ginásios Educacionais Tecnológicos (GETs). Organizou grandes eventos internacionais, como o G20 em 2024. Casado com Cristine, é pai de Bernardo e Isabela.

Fontes: G1 — PSD lança Eduardo Paes como candidato ao governo do Rio; O Globo — PSD oficializa candidatura de Paes; Folha de S.Paulo — PSD confirma Paes como candidato ao governo do RJ; O Globo — "De olho em eleição, Paes sobe tom e diz que criminoso será neutralizado"; BBC News Brasil — "Rodrigo Bacellar é preso novamente: os tentáculos do Comando Vermelho na política do Rio"; Agência Brasil — Presidente da Alerj é preso pela PF; O Globo — PF mira Rodrigo Bacellar em nova fase da Operação Unha e Carne; G1 — Flávio Bolsonaro: PP e União recuam de apoio presidencial; Metrô CPTM — Paes volta a citar Linha 3 do metrô; Wikipedia — Eduardo Paes; CNN Brasil — MDB declara apoio à candidatura de Paes no Rio

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Por Ultima Hora em 21/07/2026
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