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Quando a concessionária anuncia reparo no sistema, o morador da Baixada Fluminense já sabe como termina o filme. A água entra em “manutenção”, some da torneira, volta quando quer — mas a conta, essa não falha. Chega em dia, completa, sem desconto e sem pedir desculpa.
O comunicado até tenta ser técnico, fala em suspensão temporária, retorno gradativo e uso consciente. Tudo muito bonito no papel. Na prática, é o velho enredo: balde no banheiro, garrafa na pia, vizinho perguntando se “aí ainda tem um restinho”. Enquanto isso, o hidrômetro segue firme, quase trabalhando por conta própria.
Mesmo quando o aviso cita problemas do outro lado da Região Metropolitana, o morador da Baixada já entra em estado de alerta. Aqui, basta alguém mexer na engrenagem que a pressão cai, a torneira suspira e a água resolve tirar folga. É como se o sistema tivesse endereço certo para falhar.
A concessionária reforça os canais de atendimento, telefone, WhatsApp e paciência. Do lado de cá, o consumidor reforça o estoque de água e o bom humor, porque reclamar virou esporte olímpico. O que não virou foi o desconto na fatura.
No fim das contas, a disputa é desigual. A água vai, a água volta — quando volta. Mas a conta chega sempre, firme, pontual e sem senso de humor. Na Baixada Fluminense, o morador já entendeu: pode faltar água, só não pode faltar cobrança.
Por: Arinos Monge.
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