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Da infância em um Irã liberal à morte em ataque conjunto de EUA e Israel, passando por décadas de repressão e confrontos
Ali Hosseini Khamenei, que liderou o Irã como Líder Supremo por 37 anos até sua morte em 28 de fevereiro de 2026, foi uma das figuras mais influentes e controversas do Oriente Médio contemporâneo. Sua trajetória espelha a própria transformação radical do Irã, de uma monarquia pró-ocidental para uma teocracia islâmica que se tornou um dos principais adversários dos Estados Unidos e Israel na região.
Primeiros anos em um Irã diferente
Nascido em 19 de abril de 1939 na cidade sagrada de Mashhad, no nordeste iraniano, Khamenei cresceu em um país drasticamente diferente do que viria a liderar. O Irã de sua infância era governado pelo Xá Mohammad Reza Pahlavi, um monarca que promovia a ocidentalização e mantinha estreitas relações com Estados Unidos e Israel.
Filho de um clérigo xiita, Khamenei iniciou seus estudos religiosos aos quatro anos, mergulhando no Alcorão e na jurisprudência islâmica. Essa formação religiosa rigorosa moldaria toda sua visão de mundo e sua futura atuação política, contrastando com o ambiente liberal que caracterizava o Irã da época.
Oposição ao regime do Xá
Durante sua juventude, Khamenei testemunhou as transformações sociais promovidas pelo Xá, incluindo a liberalização dos costumes - mulheres usando minissaias, influência cultural ocidental e alinhamento geopolítico com o Ocidente. Para o jovem clérigo e seus correligionários, essas mudanças representavam uma traição aos valores islâmicos tradicionais.
Khamenei se uniu a outros religiosos que condenavam a monarquia autoritária e se opunham ao alinhamento do país com potências ocidentais. Foi nesse contexto que se tornou discípulo do Aiatolá Ruhollah Khomeini, figura central da oposição religiosa ao regime e futuro líder da Revolução Islâmica de 1979.
Ascensão no novo regime teocrático
A Revolução Islâmica de 1979 representou uma guinada radical na política iraniana. O novo regime teocrático transformou os Estados Unidos de aliado em "Grande Satã", passou a pregar a destruição de Israel e começou a financiar grupos extremistas como Hamas e Hezbollah. Khamenei rapidamente se destacou nessa nova ordem.
Nomeado vice-ministro da Defesa, Khamenei enfrentou seu primeiro grande teste em 1981, quando sofreu um atentado que comprometeu permanentemente os movimentos de sua mão direita. No mesmo ano, foi eleito presidente do Irã, cargo que ocupou até 1989, período marcado pela devastadora Guerra Irã-Iraque.
Sucessão inesperada ao poder supremo
Quando Khomeini morreu em 1989, a escolha de Khamenei como novo Líder Supremo surpreendeu muitos observadores. Apesar de suas vitórias políticas na década de 1980, ele não era considerado favorito à sucessão, principalmente porque não havia participado ativamente da Revolução Islâmica de 1979.
No entanto, sua lealdade ao regime, experiência administrativa e habilidade política o tornaram a escolha da Assembleia de Especialistas. A partir de então, Khamenei consolidou um poder praticamente ilimitado sobre todos os aspectos da vida iraniana.
Décadas de repressão e confrontos
Durante seus 37 anos como Líder Supremo, Khamenei enfrentou múltiplas ondas de protestos, sempre respondendo com repressão brutal. Em 2009, esmagou a "Revolução Verde", movimento que questionava a reeleição do presidente Mahmoud Ahmadinejad, resultando em centenas de mortes e milhares de prisões.
Em 2022, a morte de Mahsa Amini sob custódia policial por usar incorretamente o véu islâmico provocou manifestações massivas que se espalharam por todo o país. Mais uma vez, o regime respondeu com violência extrema, matando centenas de manifestantes e prendendo milhares.
Crescente oposição interna
No início de 2026, a oposição acusou o governo de matar até 30 mil pessoas em protestos contra a desvalorização da moeda iraniana. As manifestações cresceram em intensidade, com multidões gritando "morte ao líder supremo" nas ruas de várias cidades.
O descontentamento refletia uma mudança geracional significativa: 60% da população iraniana nasceu após a Revolução Islâmica e não se identificava mais com o autoritarismo dos aiatolás, tanto na política quanto nos costumes sociais.
Morte em ataque conjunto
Em 28 de fevereiro de 2026, Khamenei foi morto em um ataque aéreo conjunto dos Estados Unidos e Israel em Teerã. O ataque, confirmado pelo presidente americano Donald Trump e pelo primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, visou altos funcionários iranianos e locais estratégicos, resultando na morte do líder supremo e de outros membros de sua família.
Legado controverso e transição incerta
A morte de Khamenei deixou um vácuo de poder significativo no Irã. Segundo a constituição iraniana, um conselho de liderança temporário foi formado para administrar o país até que a Assembleia dos Peritos nomeie um novo Líder Supremo. Entre os possíveis sucessores, destaca-se Mojtaba Khamenei, filho do falecido líder.
O legado de Ali Khamenei permanece profundamente controverso. Para seus apoiadores, ele defendeu a independência iraniana contra a hegemonia ocidental e preservou os valores islâmicos. Para seus críticos, foi um ditador que reprimiu brutalmente seu próprio povo e desestabilizou o Oriente Médio através do apoio a grupos extremistas.
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