André Osório, executivo da Eletronuclear revela que Angra 3 pode ter futuro definido até dezembro

Seminário reúne 400 participantes no Campo Olímpico de Golfe para debater futuro das energias limpas no estado

O NeoVerde Vision – Seminário de Energias Limpas do Estado do Rio de Janeiro marcou um momento decisivo para o posicionamento do estado como maior potência energética do país.

Realizado em 26 de novembro de 2025, no Campo Olímpico de Golfe, na Barra da Tijuca, o evento reuniu cerca de 400 participantes, entre autoridades, pesquisadores, representantes da indústria e lideranças do setor energético. A iniciativa do governo estadual visa acelerar a transição energética e consolidar o Rio de Janeiro como referência global em diversidade energética.

André Osório, chefe de gabinete da Eletronuclear, destacou durante o evento a importância estratégica do Rio de Janeiro no cenário energético nacional. "O evento marca e posiciona o Rio de Janeiro dentro da maior potência energética do nosso país", afirmou Osório, ressaltando que o estado possui um ecossistema nuclear completo, com empresas como Eletronuclear, Nuclep e INB.

O executivo enfatizou que o Rio de Janeiro concentra todas as empresas que participam do ecossistema nuclear brasileiro, desde a produção do combustível até a geração de energia.

A questão da expansão nuclear ganhou destaque especial nas discussões. Atualmente, a energia nuclear representa apenas 2% da matriz elétrica brasileira, um percentual considerado baixo diante do potencial do país.

Com a conclusão de Angra 3, essa participação pode aumentar para pouco mais de 3%, ainda assim um número modesto considerando as reservas de urânio e a capacidade tecnológica nacional.

Osório revelou que as obras de Angra 3 estão com 66% da construção civil concluída e consomem valores expressivos anualmente, tornando urgente a decisão sobre sua continuidade.

O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), órgão ligado ao Ministério de Minas e Energia, deve decidir sobre o futuro de Angra 3 até dezembro de 2025.

A expectativa da Eletronuclear é positiva quanto à aprovação da continuidade do projeto, que representa um investimento estratégico para o país. "O Brasil não pode se dar ao luxo de não ter essa obra sendo finalizada", enfatizou o executivo, destacando a importância econômica e energética do empreendimento.

Desmistificação da energia nuclear como prioridade estratégica

Um dos principais desafios identificados durante o seminário foi o combate aos mitos e preconceitos relacionados à energia nuclear. Osório apontou que o principal problema da energia nuclear no Brasil é o desconhecimento da população e a baixa aceitação pública.

Eventos históricos como os acidentes de Fukushima, Chernobyl e Three Mile Island criaram uma percepção negativa sobre essa fonte energética, apesar dos avanços tecnológicos e protocolos de segurança modernos.

A estratégia de comunicação da Eletronuclear inclui participação em eventos como o NeoVerde Vision, fóruns de discussão e, principalmente, visitas às instalações nucleares.

O observatório nuclear em Angra dos Reis recebe diariamente visitantes interessados em conhecer o funcionamento das usinas, incluindo acadêmicos, empresários e população em geral. "Só com muita informação e participação conseguimos quebrar os paradigmas e preconceitos", explicou Osório.

O executivo recomendou o site da Eletronuclear como fonte confiável de informações sobre energia nuclear, além das associações Abem e Abidã, que mantêm conteúdo educativo em suas plataformas digitais.

A Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto está aberta para visitações, oferecendo tours que incluem Angra 1, Angra 2 e o canteiro de obras de Angra 3.

Diversidade energética como diferencial competitivo

O NeoVerde Vision não se limitou à discussão sobre energia nuclear, abordando um amplo espectro de fontes energéticas limpas. O evento incluiu painéis sobre biogás, biometano, energia solar, gás natural, biocombustíveis e energia eólica offshore, demonstrando a diversidade da matriz energética fluminense.

Essa abordagem multissetorial reforça a posição do Rio de Janeiro como laboratório de inovação energética no país.

A presença de representantes de diferentes segmentos energéticos no seminário evidencia a estratégia integrada do governo estadual para a transição energética. O evento serviu como plataforma para networking, troca de experiências e identificação de oportunidades de colaboração entre os diversos atores do setor.

A localização no Campo Olímpico de Golfe, na Barra da Tijuca, proporcionou um ambiente adequado para discussões técnicas e comerciais de alto nível.

Impacto econômico e perspectivas futuras

O seminário destacou o potencial econômico da transição energética para o Rio de Janeiro, estado que já concentra importantes investimentos em energia.

A presença de empresas nucleares, refinarias, plataformas de petróleo offshore e projetos de energias renováveis posiciona o Rio como hub energético nacional.

Os participantes discutiram oportunidades de investimento, parcerias tecnológicas e desenvolvimento de cadeia produtiva local.

A iniciativa do governo estadual em promover o NeoVerde Vision demonstra o comprometimento com políticas públicas voltadas para sustentabilidade e inovação.

O evento estabeleceu bases para futuras edições e criou uma rede de relacionamentos que pode acelerar projetos energéticos no estado. A expectativa é que o seminário se torne um encontro anual de referência no setor energético brasileiro.

Tecnologia e segurança nuclear em evidência

Durante as apresentações, foi enfatizada a evolução tecnológica das usinas nucleares brasileiras e os rigorosos protocolos de segurança adotados.

As instalações de Angra dos Reis seguem padrões internacionais de segurança e são constantemente monitoradas por órgãos reguladores nacionais e internacionais.

A transparência nas operações e o diálogo com a sociedade fazem parte da estratégia de comunicação da Eletronuclear.

O Brasil possui tecnologia própria para enriquecimento de urânio e fabricação de combustível nuclear, conferindo autonomia estratégica ao país.

Essa capacidade tecnológica, desenvolvida ao longo de décadas, representa um diferencial competitivo importante no cenário energético global. A continuidade dos investimentos em pesquisa e desenvolvimento é fundamental para manter essa posição de destaque.

Educação e capacitação profissional

O seminário também abordou a importância da educação e capacitação profissional para o setor energético. Universidades, institutos de pesquisa e empresas do setor trabalham em conjunto para formar profissionais qualificados para atuar nas diversas áreas da energia.

O Rio de Janeiro concentra importantes centros de excelência em engenharia nuclear, petróleo e energias renováveis.

A parceria entre academia e indústria foi destacada como fator crucial para o desenvolvimento tecnológico e inovação no setor energético. Programas de estágio, pesquisa aplicada e transferência de tecnologia fortalecem o ecossistema de inovação fluminense.

O investimento em capital humano é considerado estratégico para sustentar o crescimento do setor energético no estado.

Por Robson Talber @robsontalber Repórter Débora Barbosa @chefdeborabarbosa

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Por Ultima Hora em 26/11/2025
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