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Em meio ao burburinho de leitores ávidos e estandes coloridos que tomam conta do Riocentro durante a Bienal do Livro 2025, um destaque nacional brilha com intensidade particular. Na editora Fruto Proibido, a escritora Larissa Abreu celebra o reconhecimento de seu romance "Judas", que acaba de conquistar o prestigiado Prêmio Pin de Excelência Gráfica.
Com uma edição de capa dura meticulosamente elaborada, o livro não apenas impressiona pela apresentação visual, mas também provoca reflexões ao abordar temas sensíveis relacionados à fé católica e à sexualidade humana, uma combinação raramente explorada pela literatura nacional.

"É muito bom porque o nosso nicho era muito pequeno até pouco tempo atrás, que é na verdade o romance erótico nacional", revelou Larissa durante entrevista exclusiva. A autora contextualiza seu trabalho em um momento de ascensão dos livros brasileiros e destaca a importância do reconhecimento: "Acho que é uma grande visibilidade porque a gente não tem muito essas coisas de receber prêmios pelas edições." Isso é não só uma conquista para mim, mas para todas as autoras nacionais eróticas do gênero".
O comentário reflete uma realidade do mercado editorial brasileiro, onde obras nacionais frequentemente enfrentam dificuldades para conquistar o mesmo prestígio e reconhecimento de títulos traduzidos.
A jornada de "Judas" até o formato premiado seguiu um caminho que revela as particularidades do mercado editorial contemporâneo. "Primeiro, normalmente a gente lança o projeto de brochura, que é idêntico ao e-book que está na Amazon, e depois começamos a fazer a projeção da capa dura", explicou Larissa sobre o processo.
A autora destacou um diferencial importante de sua editora: "A Fruto dá muito essa liberdade para a gente poder opinar nas coisas. Até porque fomos nós que escrevemos o livro, então na maioria das vezes sabemos o que pode conversar mais com o leitor". Essa colaboração entre autora e equipe editorial resultou em um projeto "mais mirado no catolicismo", conforme definiu a própria escritora.
Ao detalhar o conteúdo da obra, Larissa não hesita em definir seu romance como "uma crítica ao catolicismo" que explora "a questão do livre arbítrio e do pecado na Igreja Católica". A cena mais provocativa do livro, segundo a autora, ocorre quando uma personagem freira "decide dar ouvidos aos desejos que foram sempre suprimidos pela própria igreja, pelo fato de ter que se manter imaculada, se manter virgem".

Este momento crucial da narrativa acontece em uma capela na Itália, enquanto a protagonista contempla uma pintura de Michelângelo relacionada ao tema do livre arbítrio – uma referência que entrelaça arte renascentista e questionamentos contemporâneos sobre moralidade religiosa.
A escritora encerrou a entrevista com um apelo significativo ao público: "Consumam mais livros nacionais." Muito se fala sobre o giro internacional, os livros que vêm de fora, mas acho que a gente tem tanta quanto ou até mais capacidade de fazer livros tão bons quanto os que a galera consome de lá para cá". Este chamado reflete uma preocupação constante entre autores brasileiros sobre a valorização da produção literária nacional, frequentemente ofuscada por best-sellers estrangeiros.
A conquista do Prêmio Pin por "Judas" representa, assim, não apenas um reconhecimento individual, mas um passo importante para a visibilidade da literatura erótica nacional em um cenário tradicionalmente dominado por obras internacionais.
O estande da editora Fruto Proibido na Bienal do Livro 2025 transformou-se em ponto de encontro para leitores interessados em conhecer a obra premiada e a autora.
Com seu Instagram (@abreuescritora), Larissa Abreu mantém contato direto com seu público e continua a defender a qualidade e a relevância das produções literárias brasileiras. "Judas", com sua proposta ousada de questionar dogmas religiosos através da narrativa erótica, exemplifica como a literatura nacional contemporânea pode ser provocativa, visualmente impactante e comercialmente viável – uma combinação que promete inspirar novos talentos e conquistar mais espaço nas estantes dos leitores brasileiros.

Por Robson Talber @robsontalber Repórter Oscar Muller @oscarmulleroficial
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