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Presidente afastado da Alerj ganha tempo enquanto articula nos bastidores para influenciar disputa eleitoral
Rodrigo Bacellar (União), presidente afastado da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), solicitou uma nova licença de seu mandato de deputado estadual para "tratar de assuntos de caráter particular". A decisão, publicada no Diário Oficial desta quarta-feira (25), estabelece o afastamento entre 28 de fevereiro e 5 de março, em um momento crucial para as articulações políticas no estado.
O parlamentar não compareceu à sessão plenária realizada na terça-feira (24), e sua ausência será contabilizada, uma vez que a licença só entra em vigor a partir das 17h do dia 28. Bacellar permanece como uma figura central nas especulações sobre as eleições indiretas no Rio de Janeiro, mesmo estando afastado da presidência da Casa por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF).
Operação Unha e Carne mantém Bacellar sob investigação
O afastamento de Bacellar da presidência da Alerj ocorreu no âmbito da Operação Unha e Carne, que investiga o vazamento de informações sigilosas relacionadas à Operação Zargun. Esta última operação resultou na prisão do ex-deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Joias, acusado de intermediar a compra e venda de armas para o Comando Vermelho.
Mensagens interceptadas pela Polícia Federal indicam que Bacellar teria alertado TH Joias sobre a operação policial, orientando-o a destruir provas que poderiam comprometê-lo. O caso ganhou repercussão nacional e colocou em xeque a condução dos trabalhos legislativos no estado.
Prisão, soltura e medidas cautelares
Bacellar foi preso em 3 de dezembro de 2025, mas obteve liberdade cinco dias depois, quando a Alerj revogou sua prisão por 42 votos a 21. Apesar da soltura, ele continua cumprindo medidas cautelares rigorosas, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica e recolhimento domiciliar noturno. O parlamentar não comparece à Assembleia desde antes de sua prisão.
A decisão da Alerj de revogar a prisão gerou polêmica e dividiu opiniões entre os deputados estaduais, evidenciando as tensões políticas que permeiam a Casa Legislativa fluminense. O episódio também demonstrou a força política que Bacellar ainda mantém entre seus aliados.
Influência nas eleições indiretas
A nova licença de Bacellar ocorre em um momento estratégico, com as eleições indiretas no Rio de Janeiro se aproximando. Sua posição e a fidelidade de seu grupo de apoio podem ser decisivas no processo eleitoral, mantendo o cenário político em suspense. Enquanto articula nos bastidores, o presidente afastado adia seu retorno oficial à Alerj.
Analistas políticos consideram que Bacellar está "colocando sua barba de molho", ganhando tempo para avaliar o melhor momento de retornar ao cenário político ativo. Sua influência sobre um grupo significativo de deputados pode definir os rumos das eleições indiretas e o futuro comando da Assembleia Legislativa.
Impactos na governabilidade
A ausência prolongada de Bacellar da Alerj tem gerado questionamentos sobre a governabilidade e a condução dos trabalhos legislativos no estado. Com o presidente afastado cumprindo medidas cautelares e evitando aparições públicas, a Casa Legislativa fluminense enfrenta um período de incertezas políticas.
A estratégia de solicitar licenças sucessivas permite que Bacellar mantenha seu mandato enquanto negocia nos bastidores, sem se expor publicamente. Essa tática tem sido interpretada como uma forma de preservar sua influência política enquanto aguarda o desenrolar das investigações.
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Fonte: Agência Brasil - EBC
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