Barco parado no cais: Por que o PT de Quaquá prefere ser coadjuvante a protagonista?

PT do Rio vira 'ONG' de Eduardo Paes? Militantes explodem contra executiva que barra Ceciliano

Barco parado no cais: Por que o PT de Quaquá prefere ser coadjuvante a protagonista?

PT do Rio troca autonomia por 'boquinhas' no governo Paes

O PT só existe hoje porque Lula nunca deixou de disputar uma eleição, mas o PT do Rio sob o comando de Quaquá quer agir como uma legenda de aluguel, e pior se vende sem precisar, pois Maricá tem orçamento maior que do Rio de Janeiro 'per capita', e o só em 2025 o PT Nacional repassou mais de 8 milhões ao PT do Rio.

A mediocridade dos dirigentes do PT supervenientes e bancados por Quaquá, ganhou mais um capítulo de tensão interna neste sábado (10), quando a executiva estadual do PT publicou uma nota reafirmando o apoio incondicional a Eduardo Paes (PSD) e desautorizando qualquer movimento para lançar André Ceciliano como candidato ao governo interino. A repercussão nas redes sociais foi imediata e reveladora: em poucas horas, mais de 500 comentários, a maioria criticando duramente a posição da direção partidária.

O PT do Rio está tão preocupado em não balançar o barco que esqueceu que barco parado vira enfeite de marina! E como diz o ditado popular: "O barco foi feito pra navegar no mar, não pra ficar parado no cais."

A nota da executiva, liderada por Quaquá, deixa claro que a prioridade é garantir "o melhor palanque para Lula", considerando Eduardo Paes essa plataforma ideal. Mas será que Paes quer isso? Será que essa estratégia não está transformando o PT em mero coadjuvante de um governo que, segundo críticos, "não tem nenhum compromisso ideológico" com os valores petistas?

A revolta nas redes e o termômetro da militância

Os comentários no Instagram da executiva estadual revelam um partido dividido. Militantes históricos acusam a direção de "autoritarismo" e questionam se o apoio a Paes não seria uma forma disfarçada de garantir "boquinhas" no governo municipal. Como observou um seguidor: "Estamos virando ONG do PSD!"

A situação fica ainda mais complexa quando analisamos o contexto: André Ceciliano, ex-presidente da Assembleia Legislativa, representa para muitos petistas uma oportunidade de o partido voltar a protagonizar a política estadual, mesmo que temporariamente. Sua possível candidatura ao mandato-tampão (até dezembro) seria uma chance de mostrar que o PT ainda tem vida própria no Rio.

Entre o pragmatismo e a identidade partidária

A direção estadual parece ter optado pelo pragmatismo absoluto, priorizando a proximidade com o poder em detrimento da construção de uma alternativa própria.

A entrevista de Eduardo Cavaliere ao jornal O Globo, em 3 de dezembro, mostrou que o PSD não tem nenhum compromisso com o PT e o vice-prefeito criticou duramente o que chamou de "lero-lero do PT" na área de segurança pública e defendeu abertamente a neutralidade de Paes em relação a Lula, buscando atrair apoios da direita política.

Como bem lembra outro ditado popular: "Quem não tem cão, caça com gato." Mas será que o PT do Rio se transformou no "gato" de Eduardo Paes? A questão é complexa e divide opiniões até mesmo dentro do próprio partido.

O dilema do mandato-tampão e a eleição de 2026

Uma parte dos militantes faz uma distinção importante: apoiar Ceciliano para o mandato temporário não significaria necessariamente romper com Paes para 2026. Essa posição "eclética" busca conciliar a necessidade de protagonismo partidário com a estratégia de longo prazo de apoio ao prefeito reeleito.

A executiva, porém, não vê dessa forma. Para a direção que segue o que Quaquá manda, qualquer movimento paralelo ao que se enfraqueceria o "palanque" de Paes e, consequentemente, prejudicaria Lula nacionalmente. É uma lógica que prioriza o macro sobre o micro, o nacional sobre o estadual, mas isso é apenas uma retórica, pois na realidade o governo Paes flerta com a direita e o bolsonarismo a todo momento.

As críticas ao "autoritarismo" interno

Os comentários nas redes sociais revelam um incômodo crescente com o que muitos militantes consideram "autoritarismo" da direção. Frases como "não reconhece e desautoriza" movimentos internos soaram mal para quem defende maior democracia interna no partido.

É engraçado como alguns políticos, como Quaquá, falam tanto de democracia, mas quando chega em casa, viram ditadores do próprio partido! A crítica, embora bem-humorada, toca em um ponto sensível da atual gestão petista no Rio.

O futuro do PT fluminense

A questão central permanece: o PT do Rio não passa de PT minúsculo municipalmente com apenas 4 prefeituras, e não consegue sequer chegar no interior do estado, pois está navegando em direção à venda da legenda por cargos no governo Paes na capital, simplesmente se acomodou no cais da conveniência política?

E isto tem a ver com Quaquá, que só olha seu próprio umbigo chamado Maricá e a eleição de seu próprio filho a deputado, nada importando o destino do partido no estado, assim como a sua identidade e a relevância em um cenário político cada vez mais complexo.

A analogia do barco que mencionamos no início ganha ainda mais relevância quando pensamos no desgaste que a inação pode causar. Partidos, como embarcações, precisam navegar para se manter em bom estado. Ficar muito tempo parado pode significar deterioração e perda de atratividade. No cais o barco parece seguro, mas ele foi feito para navegar.

Entre a fidelidade e a autonomia

O dilema do PT reflete uma tensão maior na política, como equilibrar fidelidade a alianças estratégicas com a necessidade de manter identidade e autonomia partidária? A resposta não é simples, mas a forma como o partido lidar com essa questão pode definir seu futuro no estado.

Como observou um militante nas redes: "Apoiar é uma coisa, virar satélite é outra." Essa distinção pode ser crucial para entender os próximos movimentos do PT no Rio e a reação da militância às decisões da direção.

Outro militante afirma "O pato narcisista e egocêntrico de Maricá, conhecido como Washington Quaquá, utilizou os royalties para manipular o partido em benefício próprio. Pato narcisista, cesse de fragmentar o PT-RJ em prol de seus interesses pessoais. É notório que sua intenção é impor, de forma autoritária, seu vice na chapa de Eduardo Paes.  

Essas atitudes, dignas de um político imaturo e mimado, contribuíram para a queda expressiva de Lula no eleitorado fluminense — de quase 57% para apenas 31%. Tal comportamento, mais associado à direita do que à esquerda, revela o triste estágio em que se encontra o PT no Estado do Rio de Janeiro."

Tudo depende da contrapartida. O Senado, por exemplo, Paes não assinou o Manifesto de Benedita da Silva

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A política fluminense vive um momento de intensa articulação para as eleições de 2026, e um nome ganha força crescente entre os eleitores: Benedita da Silva. Um manifesto em apoio à sua pré-candidatura ao Senado Federal mobiliza apoiadores em todo o estado, destacando sua trajetória única de luta por justiça social e representatividade.

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As movimentações eleitorais no Rio de Janeiro revelam um cenário complexo e cheio de contradições. Eduardo Paes, atual prefeito, ainda não assinou o manifesto de apoio a Benedita, mesmo com ela liderando as pesquisas para o Senado. Paradoxalmente, Paes insiste em lançar Pedro Paulo, presidente estadual do PSD, que apresenta baixo desempenho nas pesquisas eleitorais.

Segundo informações de deputados de centro-direita, Pedro Paulo estaria articulando uma "chapa alternativa" para a eleição presidencial de 2026, sem a participação de Lula, seguindo modelo semelhante ao de 2014. Essa movimentação demonstra as tensões internas e as diferentes visões estratégicas dentro do campo político fluminense.

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A Força de André Ceciliano

Paralelamente, o nome de André Ceciliano ganha destaque nos bastidores políticos para virar Governador interino. Especula-se que Ceciliano possa alcançar até 40 votos, número que poderia aumentar significativamente caso Bacellar decida romper com os planos do PL. Essa articulação revela a complexidade das alianças políticas em formação e fez Castro adiar sua renúcia prevista para fevereiro para abril.

Trajetória de Benedita: Da Favela ao Poder

Benedita Sousa da Silva Sampaio, nascida em 26 de abril de 1942, no Rio de Janeiro, representa uma das trajetórias mais inspiradoras da política brasileira. Filha de lavadeira e pedreiro, criada na favela do Chapéu-Mangueira, no Leme, ela quebrou todas as barreiras sociais e raciais para se tornar a primeira senadora negra do Brasil.

Sua infância foi marcada pela necessidade de trabalhar desde cedo, vendendo limões e amendoins pelas ruas. Na adolescência, trabalhou como tecelã e ajudava a mãe com serviços de lavanderia. Em 1965, foi eleita Miss IV Centenário durante as comemorações dos 400 anos do Rio de Janeiro.

Resistência e Ativismo Político

Durante as décadas de 1960-70, sob o regime militar, Benedita atuou na resistência política, enfrentando ameaças de remoção da favela e organizando mulheres para lutar por melhores condições de vida. Em 1976, foi eleita presidente do Departamento Feminino da Associação de Moradores do Chapéu-Mangueira.

Sua formação acadêmica veio tardiamente - concluiu os cursos de Serviço Social e Estudos Sociais em 1984, aos 42 anos, evidenciando as barreiras estruturais enfrentadas por mulheres negras no acesso ao ensino superior.

Carreira Política Histórica

Benedita participou da fundação do PT em 1980 e foi eleita vereadora em 1982 com o slogan marcante: "negra, mulher e favelada". Em 1986, tornou-se deputada federal constituinte, atuando na Subcomissão dos Negros, das Populações Indígenas e Minorias.

Em 1994, foi eleita senadora com expressiva votação de 2.248.861 votos. Renunciou ao mandato em 1998 para se tornar vice-governadora na chapa de Anthony Garotinho, assumindo o governo estadual em 2002 após a renúncia dele.

Legado Legislativo

Sua atuação parlamentar foi marcada por conquistas históricas:

  • Inscrição de Zumbi dos Palmares no panteão dos heróis nacionais
  • Instituição do Dia Nacional da Consciência Negra (20 de novembro)
  • Criação de delegacias especiais para crimes raciais
  • Projetos de cotas em instituições de ensino superior
  • Lei de Emergência Cultural Aldir Blanc durante a pandemia
  • Determinação de cotas para candidatos negros nos partidos políticos

Vida Pessoal e Família

Benedita é casada com o ator Antônio Pitanga desde 1992, sendo madrasta dos atores Rocco Pitanga e Camila Pitanga. Ficou viúva duas vezes antes deste matrimônio e tem dois filhos de seu primeiro casamento.

O Apelo Popular

O manifesto em circulação destaca: "Benedita da Silva é sinônimo de coragem, lealdade e compromisso com o povo. De trabalhadora doméstica a governadora, de vereadora a senadora, sua trajetória é a prova viva de que a política pode — e deve — ser um instrumento de transformação social."

O documento convoca a população: "Hoje, somos nós que pedimos: Bené, volte ao Senado! Assine o manifesto em apoio à pré-candidatura de Benedita da Silva e junte-se a quem acredita que o Rio e o Brasil merecem mais justiça, mais igualdade e mais democracia."

Eleições Recentes

Nas eleições de 2020 para a Prefeitura do Rio, Benedita ficou em 4º lugar com 11,27% dos votos (296.847), demonstrando que mantém forte base eleitoral. Em 2022, foi reeleita deputada federal com 113.831 votos.

Perspectivas para 2026

O movimento em favor de Benedita representa mais que uma candidatura - simboliza a busca por uma representação política mais diversa e comprometida com as causas populares. Sua eventual candidatura ao Senado em 2026 promete reacender debates sobre representatividade, justiça social e os rumos da política brasileira.

A resistência de alguns setores políticos em apoiar sua candidatura, mesmo diante de sua liderança nas pesquisas, revela as tensões e contradições que ainda permeiam o cenário político fluminense, onde interesses partidários por vezes se sobrepõem à vontade popular.

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Por Ralph Lichotti

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Por Ultima Hora em 10/01/2026
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