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A história de uma das figuras mais emblemáticas da política brasileira ganha um novo e vigoroso capítulo.

No alto de seus 84 anos, completados recentemente, a deputada federal Benedita da Silva reafirma sua trajetória de resistência e projeta o futuro em um cenário de intensas disputas institucionais.
Do Morro do Chapéu Mangueira ao topo do Poder Executivo fluminense, sua vida se confunde com a própria luta pelos direitos civis no Brasil contemporâneo.
Acompanhe os detalhes dessa trajetória que moldou legislações fundamentais e agora se volta para o Senado Federal.

Trajetória de superação e raízes na favela carioca
Nascida na Praia do Pinto e criada no Leme, Benedita Sousa da Silva Sampaio enfrentou as barreiras estruturais de uma sociedade marcada pela desigualdade.
Filha de uma lavadeira e de um pedreiro, ela começou a trabalhar ainda na infância, vendendo produtos nas ruas antes de se tornar tecelã e auxiliar de enfermagem. Essa vivência nas margens do Rio de Janeiro foi o alicerce para uma consciência política que a levaria a ser a primeira senadora negra do país.
A transição da militância comunitária para a política institucional ocorreu em 1982, quando foi eleita vereadora com o slogan "mulher, negra e favelada". Desde então, sua presença nos espaços de poder tem sido uma constante interrupção no ciclo de exclusão histórica de mulheres negras na política.
Sua formação tardia em Serviço Social, aos 42 anos, simboliza a resiliência contra o racismo e o machismo que tentaram limitar seu acesso à educação superior.
Legado legislativo e a defesa dos heróis nacionais
Um dos marcos mais profundos de sua atuação parlamentar foi a inclusão de Zumbi dos Palmares no Panteão dos Heróis da Pátria. Benedita argumenta que Zumbi não deve ser visto apenas como um líder étnico, mas como um revolucionário que unificou diferentes povos na luta contra a colonização.
Essa medida foi fundamental para a construção de uma identidade nacional que reconhece a resistência negra como pilar da liberdade e da soberania brasileira.
Além do reconhecimento histórico, sua assinatura está presente em direitos trabalhistas que alteraram a vida de milhões de brasileiras, como a "Lei das Domésticas". A luta, iniciada ainda na Assembleia Constituinte, buscou equiparar os direitos dessa categoria aos dos demais trabalhadores urbanos e rurais.
Para Benedita, a proteção legal contra o assédio e a garantia de benefícios previdenciários são vitórias de uma trajetória dedicada à dignidade humana.
Enfrentamento ao feminicídio e à mortalidade juvenil
Atualmente, o mandato de Benedita da Silva concentra esforços no combate ao feminicídio, que atinge de forma desproporcional as mulheres negras no Brasil.
Ela defende que a campanha deve envolver ativamente os homens, uma vez que são os principais autores desses crimes que devastam famílias inteiras. A deputada destaca que o "não" de uma mulher deve ser respeitado como um exercício fundamental de sua autonomia e liberdade individual.
A mortalidade da juventude negra nas periferias é outra chaga social que pauta suas intervenções públicas e legislativas. Benedita clama por políticas que garantam a vida e o acesso a oportunidades para jovens que frequentemente são alvo de discriminação e violência estatal.
Sua trajetória serve como um espelho para essa juventude, demonstrando que é possível romper as barreiras da favela e ocupar os cargos mais altos da República.
Tensões no Senado e a nova pré-candidatura
O cenário político atual é marcado por uma polarização acirrada e por impasses nas sabatinas de cargos estratégicos, como o recente caso do Dr. Messias. Benedita critica o que chama de "picuinha política" no Senado, onde divergências partidárias têm travado a votação de nomes íntegros.
Para ela, essa postura compromete o Estado Democrático de Direito e transforma o Parlamento em um espaço de boicotes que prejudicam diretamente o povo brasileiro.
Diante desse diagnóstico, a deputada confirma sua disposição em retornar ao Senado Federal nas eleições de 2026 para equilibrar as forças políticas.
Com o apoio consolidado em pesquisas internas, ela defende a necessidade de ampliar a bancada progressista para garantir a governabilidade. A expectativa é que sua experiência como ex-governadora e ex-ministra traga o discernimento necessário para um Congresso que enfrenta crises institucionais recorrentes.
O percurso de Benedita da Silva, que completa mais de oito décadas de vida, permanece como um testemunho da força da democracia participativa.
Sua atuação parlamentar transcende os partidos, focando na construção de elementos que conferem energia e direitos aos segmentos marginalizados.
Ao celebrar mais um ano de vida, a "Loba" da política fluminense reafirma que a luta pela igualdade é um processo contínuo que não admite retrocessos.
Em 2025, Benedita recebeu o título de doutora honoris causa pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Desempenho eleitoral
| Ano | Candidata a | Votos | % | Resultado | |||
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| 1982 | Vereadora | Eleita | |||||
| 1986 | Deputada federal | 27 460 | Eleita | ||||
| 1990 | 53 278 | Eleita | |||||
| 1992 | Prefeita | 833 559 | 32,94%
(1º Turno) |
Não eleita | |||
| 1 326 678 | 48,11%
(2º Turno) |
||||||
| 1994 | Senadora | 2 249 861 | 22,70% | Eleita | |||
| 1998 | Vice-governadora
Titular: Anthony Garotinho (PDT) |
3 083 441 | 46,86%
(1º Turno) |
Eleita | |||
| 4 259 344 | 57,98%
(2º Turno) |
||||||
| 2000 | Prefeita | 733 693 | 22,63% | Não Eleita | |||
| 2002 | Governadora | 1 954 379 | 24,45% | Não eleita | |||
| 2010 | Deputada federal | 71 036 | 0,95% | Eleita | |||
| 2014 | 48 163 | 0,63% | Eleita | ||||
| 2018 | 44 804 | 0,58% | Eleita | ||||
| 2020 | Prefeita | 296 847 | 11,27% | Não eleita | |||
| 2022 | Deputada federal | 113 831 | 1,31% | Eleita |

Repórter Ralph Lichotti - Advogado e Jornalista, Editor do Ultima Hora Online e Jornal da República, Foi Sócio Diretor do Jornal O Fluminense e acionista majoritário do Tribuna da Imprensa, Secretário Geral da Associação Nacional, Internacional de Imprensa - ANI, Ex- Secretário Municipal de Receita de Itaperuna-RJ, Ex-Presidente da Comissão de Sindicância e Conselheiro da Associação Brasileira de Imprensa - ABI - MTb 31.335/RJ
Fontes: Agência Câmara de Notícias, Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Arquivo Nacional, Entrevista ao Jornal da República e Dados Biográficos da UFRJ.
Por Robson Talber @robsontalber
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