Camila Ferezin conduz Brasil ao pódio inédito no Mundial de Ginástica Rítmica no Rio de Janeiro

Seleção brasileira de conjunto faz história no Rio de Janeiro com performance emocionante ao som de Evidências

O 41º Campeonato Mundial de Ginástica Rítmica, realizado no Campo Olímpico de Golfe no Rio de Janeiro, entrou para a história do esporte brasileiro.

Pela primeira vez, o Brasil conquistou uma medalha na competição, com a Seleção Brasileira de Conjunto alcançando o segundo lugar no pódio com 55.250 pontos, ficando atrás apenas do Japão, que obteve 55.550 pontos.

A Espanha completou o pódio com 54.450 pontos.

A conquista histórica veio pelas mãos de Maria Eduarda Arakaki, Maria Paula Caminha, Mariana Gonçalves, Sofia Pereira e Nicole Pircio, sob a orientação da experiente treinadora Camila Ferezin.

A técnica, que já participou de cinco Olimpíadas e é pentacampeã dos Jogos Pan-Americanos, não conseguiu conter a emoção ao falar sobre o feito inédito. "A gente está super feliz."

Afinal de contas, receber essa medalha inédita num evento como esse aqui no nosso país deixou-nos bastante orgulhosos de todo o trabalho que foi feito pela Confederação Brasileira de Ginástica", declarou Ferezin.

O que tornou a apresentação ainda mais especial foi a escolha musical que emocionou o público presente na Arena Carioca 1. Na série mista, as atletas se apresentaram ao som de "Evidências", de Chitãozinho e Xororó, música que Camila Ferezin descreveu como "nosso segundo hino nacional".

A torcida brasileira cantou junto durante toda a performance, criando uma atmosfera única que impressionou até mesmo os árbitros internacionais. "A alegria do povo brasileiro é diferente mesmo, contagiante, e empolgou ainda mais as meninas", destacou a treinadora.

Na segunda série, com cinco fitas, o conjunto brasileiro apresentou-se com clássicos da música nacional como "O que é o que é?", de Gonzaguinha, e "Aquarela do Brasil", reforçando a identidade cultural brasileira na competição.

A escolha das músicas não foi por acaso - segundo Ferezin, houve todo um trabalho de laboratório entre a comissão técnica e árbitros para selecionar as canções que melhor representariam o Brasil no mundial. "Não tinha música melhor para ser escolhida nesse momento no nosso país, no campeonato mundial", enfatizou.

O resultado representa muito mais que uma medalha para a ginástica rítmica brasileira.

Camila Ferezin, reconhecida como a melhor técnica individual no Prêmio Brasil Olímpico de 2023, vê na conquista um marco para o crescimento da modalidade no país.

A treinadora destacou que este é apenas o primeiro ano do ciclo olímpico e que ainda há três anos pela frente para buscar o que considera o objetivo maior: "quem sabe trazer essa medalha olímpica que é o que tá faltando agora".

Além do sucesso no conjunto, o Brasil também celebrou conquistas individuais históricas. Pela primeira vez, duas atletas brasileiras, Bárbara Domingos e Geovanna Santos, classificaram-se para a final do individual geral.

Bárbara alcançou a 9ª posição, estabelecendo um novo recorde como a melhor colocação de uma brasileira na história do torneio, enquanto Geovanna terminou em 18º lugar.

A emoção tomou conta da Arena Carioca 1 durante as apresentações. Camila Ferezin relatou que foi "de arrepiar" acompanhar a performance das atletas com o apoio massivo da torcida brasileira. "Não tem como não se emocionar, ainda mais na ginástica rítmica, que são os árbitros que ficam ali."

Eu tenho certeza de que impressionou os árbitros", disse a treinadora, referindo-se ao impacto que a torcida causou nos juízes internacionais.

O ambiente festivo e o apoio do público brasileiro criaram uma atmosfera única no mundial.

Mesmo com o volume alto da torcida, que em alguns momentos dificultava ouvir a música da apresentação, as atletas mantiveram a concentração e a precisão técnica. "Elas escutaram sim, porque tem a música ali, um retorno para elas dentro da quadra, mas foi lindo, foi a coisa mais linda que a gente já viveu", explicou Ferezin sobre o sistema de som utilizado durante as apresentações.

A medalha de prata representa o coroamento de anos de trabalho dedicado ao desenvolvimento da ginástica rítmica no Brasil.

A Confederação Brasileira de Ginástica investiu na modalidade, e os resultados agora começam a aparecer em competições de alto nível.

O feito no Rio de Janeiro serve como inspiração para as próximas gerações de ginastas e demonstra que o Brasil pode competir de igual para igual com as potências mundiais da modalidade.

Com os olhos voltados para Los Angeles 2028, a conquista no mundial do Rio de Janeiro estabelece o Brasil como uma força emergente na ginástica rítmica mundial.

A experiência de competir em casa, com o apoio incondicional da torcida brasileira, proporcionou às atletas uma vivência única que certamente contribuirá para o desenvolvimento técnico e emocional da equipe nos próximos anos do ciclo olímpico.

Por Robson Talber @robsontalber repórter Miguel Lemos @djportugues

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Por Ultima Hora em 25/08/2025
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