Presidente da FCCE defende modernização portuária e critica tarifaço americano em homenagem ao Dia do Marítimo

Adair Roberto Carneiro alerta para impactos da guerra tarifária no comércio mundial e destaca necessidade de investimentos em automação dos portos brasileiros

Em cerimônia realizada na Câmara de Vereadores para celebrar o Dia do Marítimo, o presidente da Federação das Câmaras de Comércio Exterior (FCCE), Adair Roberto Carneiro, fez declarações contundentes sobre os desafios enfrentados pelo comércio internacional brasileiro.

Durante entrevista exclusiva ao Jornal da República, Carneiro destacou a importância fundamental dos trabalhadores marítimos para a economia nacional e mundial, lembrando que 95% do comércio brasileiro passa pelos portos do país.

"Sem esses homens do mar, não seria possível o comércio exterior", afirmou o dirigente, que comanda uma federação que congrega 65 câmaras de comércio de diferentes países. A FCCE, que está prestes a completar 75 anos de existência na próxima semana, representa uma das entidades mais antigas do setor no Brasil.

O presidente da FCCE foi enfático ao abordar as deficiências ainda existentes na infraestrutura portuária brasileira, reconhecendo que há muito trabalho pela frente para adequar os portos nacionais às demandas do comércio mundial.

"Nós ainda precisamos aprimorar mais o aparelhamento dos nossos portos.

Temos algumas deficiências, mas já crescemos muito, já aprendemos muito", declarou Carneiro. Ele destacou o papel da China como parceiro estratégico nesse processo de modernização, mencionando que o país asiático "tem nos ajudado muito com relação a novos equipamentos e à automação dos portos".

Segundo o dirigente, a automação é fundamental para reduzir a morosidade nas operações portuárias, que atualmente atrapalha tanto o recebimento de mercadorias internacionais quanto as exportações brasileiras. A necessidade de investimentos contínuos em tecnologia e equipamentos foi apontada como prioridade para manter a competitividade do Brasil no cenário internacional.

A questão das tarifas impostas pelos Estados Unidos foi um dos pontos mais críticos abordados pelo presidente da FCCE durante a entrevista. Carneiro classificou as medidas tarifárias americanas como "um grande mal-entendido" e alertou para as consequências negativas dessa política protecionista.

"O tarifaço, esse novo cenário que os Estados Unidos estão impondo ao mundo, vai só ajudar a existir mais inflação nos Estados Unidos", advertiu o dirigente. Ele argumentou que essas medidas não trarão benefícios reais para a economia americana, mas sim "muita confusão" no sistema financeiro internacional.

Para Carneiro, as tarifas representam uma tentativa de acomodação das estruturas do sistema financeiro global, que tradicionalmente obedece à hegemonia do dólar americano.

O presidente da FCCE observou que existe uma pressão internacional crescente para reduzir a dependência do dólar, mas defendeu a importância da moeda americana para a estabilidade econômica mundial.

Ao analisar o cenário geopolítico atual, Carneiro demonstrou preocupação com os impactos da guerra tarifária no comércio internacional.

Ele reconheceu que o dólar "sustentou toda a economia mundial no comércio nesses últimos 70 anos no pós-guerra", mas também identificou a necessidade de criar novos mecanismos de compensação internacional.

"Existe uma necessidade muito grande de criar novos cenários em que possa existir acomodação a nível das câmaras de compensações internacionais, não só o Swift que faz a compensação no dólar", explicou o dirigente.

Esta declaração revela a busca por alternativas ao sistema SWIFT, que tem sido dominante nas transações financeiras internacionais.

A proposta de Carneiro sugere a criação de sistemas paralelos que possam oferecer maior flexibilidade e reduzir a dependência exclusiva do sistema americano de compensações.

Durante a cerimônia de homenagem aos marítimos, Carneiro enfatizou o papel crucial desses profissionais para o funcionamento da economia global. "É necessário que exista essa homenagem, que exista esse reconhecimento do bravo trabalho que essas pessoas exercitam para que o comércio exista, para que o mundo funcione", declarou o presidente da FCCE.

Ele destacou que tanto homens quanto mulheres dedicados ao setor marítimo, assim como as empresas que compõem esse cenário internacional, são fundamentais para a manutenção do fluxo comercial mundial.

A federação, sob sua liderança, tem trabalhado para fortalecer as relações entre os 65 países representados pelas câmaras de comércio afiliadas, promovendo maior integração e cooperação no setor.

O reconhecimento aos trabalhadores marítimos foi apresentado como uma forma de valorizar aqueles que tornam possível a movimentação de mercadorias que sustenta a economia global.

Repórter Ralph Lichotti - Advogado e Jornalista, Editor do Ultima Hora Online e Jornal da República, Foi Sócio Diretor do Jornal O Fluminense e acionista majoritário do Tribuna da Imprensa, Secretário Geral da Associação Nacional, Internacional de Imprensa - ANI, Ex- Secretário Municipal de Receita de Itaperuna-RJ, Ex-Presidente da Comissão de Sindicância e Conselheiro da Associação Brasileira de Imprensa - ABI - MTb 31.335/RJ

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Por Robson Talber.

Por Ultima Hora em 19/10/2025
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