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No mesmo dia em que Samir Xaud deve ser confirmado presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), uma ação por improbidade administrativa ainda em tramitação no Tribunal de Justiça de Roraima (TJ-RR) lança dúvidas sobre a conduta do futuro dirigente máximo do futebol nacional. A acusação parte do Ministério Público de Roraima (MP-RR) e envolve um suposto prejuízo de R$ 1,38 milhão aos cofres públicos. O caso remonta a 2018, quando Samir ocupava o cargo de diretor geral do Hospital Geral de Roraima (HGR).
A investigação começou em 2022, ainda durante a gestão de Tite na Seleção Brasileira. O Tribunal de Contas do Estado (TCE-RR) apontou irregularidades que resultaram em uma denúncia do MP-RR contra sete pessoas, incluindo Samir. Ele nega qualquer envolvimento e afirma ser inocente.
Segundo a promotoria, o caso gira em torno do contrato entre a Secretaria Estadual de Saúde e a Cooperativa Brasileira de Serviços Múltiplos de Saúde (Coopebras). O MP alega que houve pagamento por plantões, exames e cirurgias sem respaldo contratual ou legal. A suspeita cresceu após um relatório de auditoria, produzido em 2021, questionar a existência real dos procedimentos pagos.
A apuração revelou que 29 médicos vinculados à Coopebras foram remunerados por atividades fora do que o contrato previa. De acordo com os termos legais, apenas dois tipos de pagamento estavam autorizados: plantões de 12 horas e remuneração por carga horária. No entanto, os pagamentos teriam sido feitos com base na quantidade de exames e procedimentos realizados, o que fugia completamente do padrão contratual.
O MP sustenta que a falha foi sistêmica. De um lado, a Secretaria de Saúde se baseava nos atendimentos registrados para calcular os plantões. Do outro, os médicos da cooperativa apresentavam relatórios próprios de produção mensal. Esses dados, frequentemente divergentes, eram usados como base para pagamento — uma distorção que, segundo os investigadores, causou dano ao erário.
O foco inicial da investigação recaiu sobre duas servidoras públicas: Vanusa Lopes da Silva, fiscal do contrato, e Elinalda da Silva Oliveira, gestora responsável. Ambas teriam omitido a fiscalização de forma deliberada, segundo a promotoria. Há acusações de que as duas chegaram a validar faturas e notas fiscais indevidas. A defesa delas, porém, afirma que não tiveram acesso aos documentos e que dependiam das informações repassadas pelos diretores das unidades de saúde.
É nesse ponto que entra Samir Xaud. O MP incluiu na ação gestores de diferentes hospitais, entre eles Domingos Sávio Matos Dantas, então diretor clínico do HGR. A promotoria argumenta que os pagamentos à Coopebras foram realizados com base em requisições assinadas por esses gestores, entre eles Samir.
“Na qualidade de diretor geral do HGR, lhe era exigido que agisse com zelo, de forma a cumprir as atribuições que lhe foram outorgadas”, afirma um trecho do relatório citado na denúncia.
A inclusão de Samir no processo como corresponsável decorre, segundo o MP, da atuação dos diretores no envio de solicitações de pagamento — mesmo sem critérios técnicos claros ou respaldo contratual.
Enquanto assume hoje a presidência da CBF com mandato até 2029, Samir Xaud carrega nas costas um processo que ainda está longe de ser concluído. O episódio marca o início de sua gestão sob os holofotes de um cargo de alto impacto e intenso escrutínio público.
Fonte: Uol
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