'Não tem mais bairro seguro no Rio', diz Deputado Sargento Portugal em Convenção do Podemos que selou apoio a Paes

Em discurso duro, Sargento Portugal cobra retaguarda do estado e diz que operadores de segurança são abandonados

Segurança pública domina convenção do Podemos no Rio; Sargento Portugal defende guerra ao crime organizado e integração das forças

Candidato à reeleição, deputado federal fez discurso duro contra facções criminosas e defendeu a valorização dos operadores de segurança; convenção oficializou apoio a Eduardo Paes (PSD) ao governo do estado

Direto da convenção do Podemos no Rio de Janeiro, realizada neste fim de semana, o deputado federal Sargento Portugal (Podemos-RJ) fez um discurso de tom bélico contra o crime organizado e defendeu a integração total das forças de segurança como única saída para a crise que assola o estado. O evento homologou as candidaturas a deputado federal, deputado estadual e o apoio à chapa de Eduardo Paes (PSD) para o governo, com Jane Reis (MDB) como vice.

Com 22 anos de Polícia Militar e fundador do grupo "Nata das Praças", que reúne soldados de diferentes corporações fluminenses, Sargento Portugal não poupou críticas ao atual cenário. "Hoje estamos todos reféns do crime organizado. Quando a gente fala crime organizado, são todas as facções que exploram o território", afirmou. A fala ecoa dados recentes: segundo a BBC News Brasil, o Comando Vermelho (CV) e o Terceiro Comando Puro (TCP) estão em expansão no estado, enquanto as milícias recuam, num novo retrato do crime organizado no Rio.

O avanço do crime sobre todos os bairros

Um dos momentos mais emblemáticos da entrevista foi quando o deputado descreveu a escalada da violência para além das fronteiras tradicionais. "O bairro que você vive hoje, antigamente você via pela televisão o bairro vizinho como perigoso. Agora o teu também é. O teu maior patrimônio, que é sua vida e daqueles que você ama, está em risco", disse.

Sargento Portugal citou regiões antes consideradas seguras e que hoje sofrem com a dominação de facções. "Vargem Grande, Vargem Pequena, Recreio, Terreirão — a gente não consegue andar mais. A violência chegou na porta da sua casa. Não tem mais um bairro no Rio de Janeiro seguro." A afirmação encontra respaldo em investigações recentes que apontam a atuação do Comando Vermelho e de milícias em áreas nobres e da Zona Oeste, incluindo o Recreio dos Bandeirantes, transformando regiões inteiras em "apartaides" onde o poder público perdeu o controle.

O fim das saidinhas e a legislação penal

Questionado sobre mudanças legislacionais necessárias, o deputado defendeu o fim das saídas temporárias de presos — as chamadas "saidinhas" —, bandeira que uniu diferentes espectros políticos no Congresso. Em 2024, foi sancionada a Lei 14.843, que extinguiu o benefício em feriados e datas comemorativas. "Quem é que concorda com sair da temporada para criminoso? O crime serve para ser punido com penas exemplares. Não sou obrigado a ver aquele que cometeu um crime sair. Que cumpra a pena na integralidade", afirmou.

A lei, no entanto, ainda enfrenta questionamentos. O Supremo Tribunal Federal (STF) vai decidir se a nova regra se aplica a presos que já cumpriam pena antes da mudança legislativa, em processo com repercussão geral reconhecida desde março de 2025.

Sargento Portugal também é autor do PL 3191/2024, já aprovado no Senado, que transforma em crime a instalação de barricadas e a demarcação de território por criminosos — prática comum de facções que controlam comunidades inteiras no Rio.

Integração das forças e a referência em Goiás

Em sua fala, o deputado defendeu a integração de todas as forças de segurança — Polícia Militar, Polícia Civil, Guarda Municipal e Forças Armadas —, citando decretos como o 34, 37 e o Decreto-Lei 1.941, que trata do emprego das Forças Armadas na Garantia da Lei e da Ordem (GLO). "As forças armadas têm que cuidar do entorno em 1.320. Por que já não estão fazendo isso?", questionou.

Sargento Portugal apontou o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, como referência de gestão para a segurança pública. A escolha não é aleatória: Goiás registrou a segunda maior queda de criminalidade do país, segundo o Atlas da Violência 2026, e Caiado ostenta 85% de aprovação popular. "Pegar tudo que foi feito de certo no Brasil todo e aplicar. Se ficar discutindo lado e cor política, vamos perder essa guerra", afirmou.

A defesa dos operadores de segurança

Um dos pilares do mandato de Sargento Portugal é a valorização dos profissionais de segurança pública. Autor do PL 5967/2023, que assegura carga horária máxima de 144 horas mensais para policiais e bombeiros militares — com pagamento em dobro por feriados e horas extras —, o deputado fez questão de destacar o sacrifício diário da categoria.

"Se você vê um operador trabalhando no dia a dia, agradeça pelos serviços e não só cobre. Nossa segurança pública é honesta. Esses homens e mulheres se dedicam com sacrifício da própria vida. Não tem profissão que tenha isso", declarou. A fala ganha relevância em um momento em que a PEC da Segurança Pública (18/2025) tramita no Congresso e o governo federal discute a criação de um novo marco legal para a área, com críticas de Caiado e de outros governadores que veem risco de perda de autonomia dos estados.

Convenção do PSD e a aliança ampla

A convenção do Podemos acontece paralelamente à oficialização da candidatura de Eduardo Paes pelo PSD, ocorrida nesta segunda-feira (20/07/2026). Em seu discurso, Paes chamou os governos anteriores de "organização criminosa" e prometeu blindar a segurança pública de influências políticas. "A Alerj não vai mais mandar na segurança. Os deputados não vão mais indicar delegados", afirmou.

A coligação de Paes reúne PSD, MDB, PT, PSB, PDT, PSDB, Solidariedade e Podemos, entre outros partidos. Pedro Paulo (PSD) e Benedita da Silva (PT) compõem a chapa ao Senado. A aliança heterogênea — que vai do PT de Lula a setores ligados ao bolsonarismo na Baixada Fluminense — tenta consolidar um arco de apoio capaz de derrotar o atual governador Cláudio Castro (PL) nas urnas.

Sargento Portugal, por sua vez, vai à reeleição com a defesa de uma pauta clara: "Legislação mais rígida, sim, mas atitude acima de tudo. O povo carioca não aguenta mais ser refém. Grandes eventos só maqueiam aquilo que a gente passa no dia a dia."

Sargento Portugal — Perfil

José Portugal Neto, 49 anos, é sargento da Polícia Militar do Rio de Janeiro há mais de duas décadas. Fundador do grupo "Nata das Praças", tornou-se uma das vozes mais ativas na defesa dos profissionais de segurança pública no Congresso. Eleito deputado federal pelo Podemos em 2022, construiu uma agenda propositiva baseada em três eixos: modernização das forças de segurança, valorização dos operadores e defesa das famílias. Entre seus projetos de maior impacto estão o PL 5967/2023, que limita a jornada de policiais e bombeiros militares em 144 horas mensais, e o PLP 36/2025, que regulamenta o uso de drones e aeronaves não tripuladas em operações de segurança — já aprovado na Comissão de Segurança Pública. Também foi relator do projeto que instituiu o Abril Azul, mês de conscientização sobre o Transtorno do Espectro Autista. Conhecido pelo estilo direto e sem meias-palavras, Sargento Portugal é pré-candidato à reeleição e promete dias "terríveis para o crime organizado".

Repórter Ralph Lichotti - Advogado e Jornalista, Editor do Ultima Hora Online e Jornal da República, Foi Sócio Diretor do Jornal O Fluminense e acionista majoritário do Tribuna da Imprensa, Secretário Geral da Associação Nacional, Internacional de Imprensa - ANI, Ex- Secretário Municipal de Receita de Itaperuna-RJ, Ex-Presidente da Comissão de Sindicância e Conselheiro da Associação Brasileira de Imprensa - ABI - MTb 31.335/RJ

Por Robson Talber

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Por Ultima Hora em 20/07/2026
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