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Em um avanço significativo para a saúde feminina, a comunidade médica internacional acaba de ganhar uma nova ferramenta para combater um dos sintomas mais comuns e perturbadores da menopausa: os fogachos. Só quem já passou ou ainda passa por esse desconforto consegue imaginar o quanto incômodo é a condição que pode perturbar as noites de sono das mulheres na menopausa.
No segundo semestre de 2025, o elinzanetant (nome comercial: Lynkuet™ - Bayer) recebeu suas primeiras aprovações regulatórias no mundo, incluindo decisões positivas do Reino Unido, Estados Unidos, Canadá, Austrália, Suíça e, mais recentemente, da União Europeia em dezembro do mesmo ano. Esta aprovação é respaldada por dados do programa de ensaios clínicos de Fase III OASIS, que avaliou o Lynkuet para o tratamento de ondas de calor moderadas a graves devido à menopausa. De acordo com dados publicados no National Institutes of Health (NIH), o medicamento demonstrou eficácia não apenas para mulheres na menopausa natural, mas também para um grupo particularmente vulnerável: aquelas que sofrem com fogachos induzidos pela terapia endócrina para o câncer de mama.
A novidade promete revolucionar o tratamento para milhões de mulheres que sofrem com os chamados sintomas vasomotores (VMS) – os conhecidos fogachos e suores noturnos. Diferentemente da terapia de reposição hormonal (TRH), o elinzanetant atua diretamente no sistema nervoso central, bloqueando vias específicas que ficam desreguladas com a queda do estrogênio.

Durante a menopausa, a queda nos níveis de estrogênio causa uma hiperatividade em um grupo específico de neurônios no hipotálamo (a região termostato do cérebro), conhecidos pela sigla KNDy. O elinzanetant age como um antagonista duplo, bloqueando os receptores de neuroquinina 1 (NK1) e neuroquinina 3 (NK3) . "Ao bloquear esses receptores, o medicamento consegue 'normalizar' a atividade neuronal que desencadeia os episódios de calor e a sudorese excessiva", explicam os pesquisadores da Bayer, detentora da patente, nos documentos de aprovação. É o primeiro medicamento aprovado que visa ambos os receptores simultaneamente.
Além do alívio dos sintomas, os pesquisadores notaram uma melhora substancial na qualidade do sono. Cerca de 54,3% da melhora nos distúrbios do sono foi atribuída diretamente ao efeito do medicamento sobre os neurônios KNDy, independentemente da redução dos fogachos noturnos.
Por ser um medicamento que age no sistema nervoso, os efeitos colaterais mais comuns relatados nos estudos foram dor de cabeça, fadiga, tontura e sonolência. Por isso, as autoridades sanitárias recomendam cautela ao dirigir ou operar máquinas até que o paciente saiba como o medicamento o afeta.
Com a promessa de transformar a qualidade de vida de milhões de mulheres, o elinzanetant é, até o momento, a mais nova aposta da ciência para que os anos da menopausa sejam menos quentes e mais tranquilos.
Profª. Drª. Adriana Pedrenho
Departamento de Ciências Fisiológicas, UFRRJ
Idealizadora da Nave Química Fisiológica
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