CNJ pune Bretas e Paes reage: 'Fraudou as eleições de 2018 por motivação política'

"Usou o aparato do Estado": prefeito do Rio denuncia interferência de Bretas em sua candidatura

Prefeito do Rio celebra aposentadoria compulsória do magistrado da Lava Jato e afirma ter sido vítima de "armação" que interferiu no resultado eleitoral.

"A verdade prevalece", diz prefeito sobre punição ao ex-juiz

O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), manifestou-se enfaticamente sobre a decisão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) que puniu o juiz Marcelo Bretas com aposentadoria compulsória. Em vídeo publicado nas redes sociais, Paes não poupou críticas ao ex-magistrado da Lava Jato e celebrou o que chamou de "justiça tardia", afirmando que a verdade finalmente veio à tona após mais de seis anos.

"Mais cedo ou mais tarde a verdade prevalece", declarou o prefeito, ressaltando que a punição ocorreu "exatos 2.436 dias após um juiz interferir de forma ilegal e criminosa nas eleições do estado do Rio de Janeiro". Para Paes, a decisão do CNJ representa o reconhecimento oficial de que houve manipulação do processo eleitoral em 2018, quando disputava o governo do estado.

Acusações de fraude eleitoral e uso político da magistratura

Em tom contundente, o prefeito do Rio acusou diretamente o ex-juiz de ter manipulado o processo eleitoral: "Ficou devidamente comprovado que ele, por motivação política, fraudou as eleições de 2018", afirmou Paes, repetindo a acusação para enfatizar sua gravidade.

Segundo o prefeito, que liderava as pesquisas eleitorais naquele ano, Bretas teria utilizado o aparato estatal para prejudicar sua candidatura. "Bretas usou de uma das artimanhas mais baixas, mais covardes que existe, usou do aparato do Estado para ameaçar e coagir pessoas e obrigou elas a inventar mentiras", declarou Paes, sugerindo que o magistrado teria forçado testemunhas a produzirem falsas acusações contra ele.

O objetivo, segundo o prefeito, seria induzir o eleitorado a votar na chapa apoiada pelo então juiz, que acabou sendo a vencedora, com Wilson Witzel, também ex-juiz, eleito governador do Rio de Janeiro.

"Perdi a eleição, mas não perdi a dignidade"

Apesar da derrota eleitoral que atribui à interferência de Bretas, Paes fez questão de destacar que manteve sua integridade: "Perdi a eleição, mas não perdi a dignidade", afirmou, explicando que aceitou o resultado das urnas e seguiu em frente com sua carreira política.

A declaração do prefeito sugere uma postura de resiliência diante do que considera ter sido uma injustiça histórica, agora reconhecida oficialmente pelo órgão máximo de fiscalização do Poder Judiciário.

Decisão unânime do CNJ

A punição a Marcelo Bretas foi aprovada na terça-feira (3) pelo Conselho Nacional de Justiça. Os conselheiros seguiram unanimemente o voto do relator, José Rotondano, que apontou conduta parcial, inadequada e imprópria à magistratura no julgamento dos casos da Lava Jato no Rio.

Além da parcialidade nos processos sob sua responsabilidade, o CNJ reconheceu que Bretas agiu deliberadamente para influenciar o resultado das eleições de 2018 no Rio de Janeiro, prejudicando calculadamente a candidatura de Eduardo Paes e favorecendo a de Wilson Witzel, que acabou eleito governador, mas posteriormente sofreu impeachment.

A decisão do CNJ representa um capítulo significativo na revisão dos métodos e procedimentos adotados durante a operação Lava Jato, especialmente no que diz respeito à atuação de magistrados e sua relação com o processo político brasileiro.

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Por Ultima Hora em 04/06/2025
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