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Eu já havia dito que não é chantagem e nem sabotagem. É um sequestro político sem precedentes no Brasil, é a apropriação pela Michelle Bolsonaro da condução da transição do Bolsonarismo. Em 2030, virá de forma até então imprevisível, o Bolsonarismo 2.0, sem Jair, Flávio, Carlos, Eduardo e Renan. Michelle não dá garantias a Valdemar da Costa Neto que ele seja necessário.
A política brasileira avança com seus prejuízos em direção do total fracasso do sistema político. Os partidos se transformaram em cartórios e seus diretórios em feudos. A ética, bem como transparência, conteúdo, democracia e interesse público perderam importância.
Nada mais se pode fazer nos Três Poderes, sem convivermos com os efeitos da impunidade e com o que resumimos chamando de "Bolsonarismo", já entranhado na República e no eleitorado contaminado pelo antipetismo.
E quem não seguiu esse rumo, nada fez para reverter a crise republicana que levou à tentativa de golpe de 2023. Elegemos 5 vezes presidentes comprometidos com as causas e os programas populares, mas nada fizemos para formar na sociedade a base de sustentação da nossa política.
A consequência foi o "Congresso Inimigo do Povo", o Judiciário afundado em escândalos, a corrupção grassando até a total desmoralização do sistema político nacional. Em 2022 e 2026, a luta se resumiu a eleger Lula para impedir a barbárie.
A antipolítica cresceu pela oposição ao sistema político e se tornou uma realidade social. A direita já se entranhou na comunicação, nos templos e na juventude, se fazendo presente em todas as universidades. Os movimentos sociais estão polarizados, as políticas identitárias não funcionaram como barreiras.
Desde o golpe de 2016, Michel Temer e Eduardo Cunha abriram as portas do Inferno para despertar o fascismo populista. Nomes bizarros surgiram, como Jair, Witzel, Damares, Alcolumbre, Moro, Zema, Ratinho, Zambelli, Castro, Nikolas, Motta, Romário, Kataguiri, Renan, Do Val, Trovão, Zanatta, Tarcísio, Cleitinho, Sóstenes, como se livrar desses "bichos escrotos"? O STF não é o caminho. O Lula 4.0 não é salvação.
Gilberto Carvalho avisou há dez anos, José Dirceu previu, Fernando Haddad disse que tínhamos que ter um plano. Mas o Lulismo embaçou tudo, até o PT. Agora, o legado desses 5 mandatos progressistas no Palácio do Planalto está em jogo. Sofreram impedimento, prisão e golpes, não é possível resistirmos apenas com a estatura de Lula.
A vitória eleitoral de 2026 chegará com uma "mãozinha" de Michelle Bolsonaro com a sua "punhalada" no Bolsonarismo decadente e falocrata. Mas foi exatamente ela que sentou do outro lado do tabuleiro, mexeu as peças e mudou as jogadas do pequeno Bolsonarinho. O PT deve entender que essas jogadas visam um xeque-mate só em 2030. Michelle será a única sobrevivente com o nome legendário de Bolsonaro e carregando novas bandeiras para um eleitorado antipetista hoje desorganizado.
Não haverá Lula em 2030, mas haverá PT. Fernando Haddad sabia do que estava falando quando disse que não deveria concorrer em 2026. Mesmo com ajuda de Alckmin, Tebet, Boulos, Erundina e Marina, a disputa cola seu nome em uma eleição contaminada por um sistema político falido. Perderá para reeleger Lula.
Vitória de Pirro, isso pesará em 2030 para Haddad, quando ele, à frente de um campo progressista. O PT terá um curto prazo para convencer à sociedade que representa mudanças, e enfrentará uma nova geração da direita que se diz moderna: o governador Eduardo Paes (PSD), o outsider Renan Santos (MBL) e a bolsonarista 2.0 Michelle Bolsonaro. Para ela, 4 anos é tempo mais do que suficiente para assumir o Bolsonarismo.
Por Vinicius Messina - Carioca, editor, produtor, ambientalista e vacinado.
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