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Mesmo de modo imperfeito, Maturana considera a experiência da democracia grega e as propostas de divisão de poder a partir do “Espírito das Leis” de Montesquieu, processos neomatrísticos embora cheios de imperfeições e não capazes de chegar a todos os habitantes da região onde a experiência democrática foi ou é aplicada.
Nessas circunstâncias ainda vale uma análise sobre o desempenho das ações pedagógicas e suas conseqüências porque, apesar das transformações neomatricistas, da maior participação da mulher na sociedade e busca de equilíbrio nas decisões, as escolas continuam vivendo numa sociedade em mudança, relutando em mudar. Permanecem os mesmos, tanto métodos, quanto processos; conteúdos são, por assim dizer, intocáveis; assuntos sem relevância mantidos; convivência solidária alijada do processo; exigências de cumprimento de normas e calendários sem participação alguma, através de um debate aberto; a escola pensa na formação para o futuro, ensina coisas que já se perderam no passado e não vive o presente. A conclusão é que os alunos e alunas, com razão, acham as atividades muito chatas e desagradáveis, refletindo dentro desses muros escolares um dissabor muito grande, uma clara falta de motivação, onde o interesse surge, apenas, quando fazem alguma preparação direta e imediata para algum exame e, assim mesmo, nem todos acompanham com o mesmo grau de interesse.
Dificilmente encontramos a democracia dentro das escolas. Elas são autocráticas e, tanto o Estado, através das Secretarias de Educação, quanto as escolas particulares, através dos vários paradigmas pedagógicos indicados em seus projetos, já trazem o modelo pronto e, a aceitação dele faz parte do primeiro passo para se matricular uma criança no estabelecimento de ensino.
Muitas instituições de ensino ouviram falar nos projetos pedagógicos, que alguns chamam de político-pedagógico até com bastante antecedência, propondo estudos em suas equipes sobre esses paradigmas. A diferença deles, já que feitos para atuar numa sociedade neomatrística é que são adaptados à cultura do patriarcado, como um projeto que acaba sendo imposto e, agora defendido por causa do “carisma” de cada instituição.
Como resultado, cabe a cada família ou estudante aceitar ou não a proposta. Esse comportamento de aceitação passiva por parte da origem do estudante é uma afronta à participação que se espera num processo democrático.
Não adianta uma instituição religiosa pulsar em ressonância com o coro que defende a democracia como melhor sistema para a sociedade civil, se ela enquanto escola pulsa dentro da instituição princípios e métodos inspiradores da religião que se manifesta de modo teocrático. Se há uma defesa da democracia, o que Maturana chama de experiência neomatrística, seria importante que as escolas confessionais que defendem esse princípio democrático adaptassem suas estruturas à participação efetiva de sua comunidade, caso contrário estariam propondo uma coisa e praticando outra. Não pode haver melhor situação para desnortear um estudante e entregá-lo à sociedade com uma estrutura do pensar e do sentir desequilibradas.
Professor Hamilton Werneck é pedagogo e doutor em educação.
Zapp: 27. 99989.6286
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