Assine nossa newsletter e fique por dentro de tudo que rola na sua região.
Pesquisa Gerp mostra empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro na corrida presidencial a menos de três meses do pleito

A menos de três meses do primeiro turno das eleições presidenciais, marcado para 4 de outubro, o cenário político brasileiro segue indefinido. Pesquisa nacional do Instituto Gerp divulgada nesta quarta-feira aponta empate técnico entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, e o senador Flávio Bolsonaro, do PL, tanto no primeiro quanto no segundo turno. O levantamento ouviu 2 mil eleitores em todas as 27 unidades da federação entre os dias 15 e 17 de julho, com margem de erro de 2,19 pontos percentuais para mais ou para menos e índice de confiança de 95%.
No cenário estimulado de primeiro turno, quando os nomes dos candidatos são apresentados aos entrevistados, Lula e Flávio aparecem com 38% das intenções de voto cada um. A diferença é zero ponto percentual, dentro da margem de erro, configurando empate técnico absoluto. Na sequência, três candidatos dividem a terceira posição com 3% cada: Romeu Zema (Novos-MG), Ronaldo Caiado (União-GO) e Renan Santos (Podemos). Samara Martins e Cabo Daciolo marcam 1%, e Joaquim Barbosa, Augusto Cury e Rui Costa Pimenta não passam de 1%, enquanto 7% dos eleitores declararam não saber em quem votar e 5% disseram não votar em nenhum.
A pesquisa espontânea, quando o eleitor declara o voto sem receber lista de candidatos, revela o mesmo quadro de disputa acirrada. Flávio lidera com 32% contra 31% de Lula, diferença de apenas um ponto, também dentro da margem de erro. Os demais candidatos não passam de 2%. O dado mais expressivo, no entanto, é que 29% dos eleitores ainda não sabem ou não quiseram responder em quem votariam — um contingente de nearly um terço do eleitorado que pode definir a eleição nas próximas semanas.

Polarização consolida-se e terceira via não decola
Os números da Gerp confirmam um fenômeno que outras pesquisas já vinham apontando: a eleição presidencial de 2026 está consolidada em dois polos, com pouco espaço para candidaturas alternativas. Mesmo com a apresentação da lista completa de candidatos, praticamente não há migração de votos para uma terceira via competitiva. Romeu Zema, Ronaldo Caiado e Renan Santos, todos com 3%, não conseguem romper a barreira dos dois dígitos, e a soma dos votos dados a candidatos fora da disputa principal não ultrapassa 12%.
A série histórica da Gerp, que acompanha a evolução das intenções de voto desde dezembro de 2025, mostra que Lula e Flávio alternaram lideranças ao longo dos meses, mas sempre dentro da margem de erro. Em dezembro do ano passado, Lula aparecia com 34% contra 25% de Flávio. Em janeiro, com a oficialização da candidatura do senador pelo PL, a distância caiu para 39% a 35%. Desde março, os dois estão tecnicamente empatados, com oscilações dentro da margem.
Segundo turno segue indefinido
Nas simulações de segundo turno, o equilíbrio se mantém. No confronto direto entre Flávio e Lula, o senador aparece com 46% contra 45% do presidente — diferença de apenas um ponto, dentro da margem de erro, configurando novo empate técnico. Oito por cento dos eleitores disseram que não votariam em nenhum dos dois, e 1% não soube responder.
Em cenários alternativos, sem a presença de Flávio, Lula venceria todos os adversários testados. Contra Romeu Zema, o presidente marcaria 44% contra 38%, com 14% de nulos e 3% de indecisos. Contra Ronaldo Caiado, Lula teria 44% contra 41%, com 13% de nulos. E contra Renan Santos, a vantagem seria maior: 45% a 35%, com 16% de eleitores rejeitando ambos.
Bases eleitorais mais consolidadas da história recente
A pesquisa também investigou a firmeza do voto dos eleitores, e o resultado mostra que 73% dos entrevistados já têm sua escolha totalmente definida. Apenas 25% afirmam que o voto ainda pode mudar. Entre os eleitores de Flávio, o índice de definição chega a 83%, o mais alto entre todos os candidatos. Entre os apoiadores de Lula, 80% dizem que a decisão está tomada. Já os eleitores de Zema, Caiado e Renan Santos são significativamente mais voláteis: 58%, 37% e 48%, respectivamente, ainda admitem mudar de voto.
O dado sugere que, embora a disputa esteja empatada, as bases dos dois líderes são mais fiéis e disciplinadas, o que reduz o potencial de migração de votos para outros candidatos. Para os adversários, o desafio é ainda maior: além de precisarem crescer na preferência do eleitorado, precisam fazêlo sobre um contingente que já decidiu seu voto e dificilmente mudará de ideia.
Onde cada candidato vence e perde
A segmentação da pesquisa revela blocos eleitorais bem definidos. Lula apresenta melhor desempenho entre mulheres (44% contra 30% de Flávio), eleitores do Nordeste (46% contra 36%), católicos (47% contra 30%) e eleitores com renda de até um salário mínimo (47% contra 29%). Flávio lidera entre homens (46% contra 31% de Lula), eleitores do Sul (43% contra 30%), evangélicos (52% contra 21%) e eleitores com renda acima de vinte salários mínimos (53% contra 32%).
Na faixa etária, Lula vence entre eleitores acima de 45 anos (41% a 37%) e entre os mais pobres. Flávio domina entre 35 e 44 anos (44% a 31%) e entre as faixas de renda mais altas. Entre os jovens de 16 a 24 anos, os dois estão empatados, com 33% e 30%, mas Renan Santos aparece com 17% nesse segmento, seu melhor desempenho.
A polarização também se reflete na rejeição. Lula é o candidato com maior rejeição estimulada múltipla: 47% dos eleitores dizem que não votariam nele de jeito nenhum. Flávio aparece logo atrás, com 46%. Na rejeição única, quando o eleitor escolhe apenas um nome que rejeita, Lula tem 44% e Flávio, 42%. Os demais candidatos têm rejeição inferior a 1% cada, o que indica que a rejeição está concentrada nos dois líderes e que o eleitorado já está polarizado entre eles.
Governo Lula tem desaprovação majoritária
A pesquisa também avaliou a aprovação do governo federal. Cinquenta por cento dos entrevistados desaprovam o trabalho realizado pela Presidência da República, contra 43% que aprovam. A diferença de sete pontos é a maior desde janeiro de 2026, quando a desaprovação marcava 52% contra 42% de aprovação.
Na avaliação pessoal do presidente Lula, 33% dos eleitores classificam seu trabalho como péssimo, 16% como ótimo, 18% como bom, 23% como regular e 8% como ruim. A média ponderada é de 2,76 em uma escala de 0 a 5. Os índices de ótimo e bom somados chegam a 34%, enquanto ruim e péssimo totalizam 41%.
Apesar da desaprovação majoritária, Lula mantém-se tecnicamente empatado na liderança da corrida presidencial. Para analistas, o dado sugere que a identidade partidária e a rejeição ao adversário pesam mais na decisão do voto do que a avaliação objetiva do governo.
Violência e corrupção são as maiores preocupações do eleitor
Quando questionados sobre os problemas mais graves do Brasil, 54% dos entrevistados citaram a violência e a falta de segurança pública como a principal preocupação. A corrupção aparece em segundo lugar, com 31%, seguida pela falta de médicos e profissionais de saúde (19%) e pela precariedade dos hospitais e postos de saúde (19%). Impostos elevados foram citados por 17%, e o custo de vida elevado, por 15%.
Os dados mostram que a segurança pública, historicamente um tema caro ao eleitorado brasileiro, continua sendo a prioridade absoluta, independentemente da região ou do perfil do eleitor. A corrupção, que dominou o debate eleitoral em 2014 e 2018, perdeu força relativa, mas ainda preocupa um em cada três brasileiros.
Metodologia e registro
A pesquisa foi realizada pelo Instituto Gerp, fundado em 1983, utilizando o sistema GerpCati, com entrevistas telefônicas assistidas por computador e seleção aleatória por discagem (RDD). A amostra de 2 mil entrevistas foi distribuída por cotas de sexo, faixa etária, renda do chefe do domicílio, escolaridade e região, com dados ponderados para reproduzir o perfil da população brasileira conforme o Censo 2022 do IBGE.
O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo BR-05026/2026, com divulgação autorizada a partir de 22 de julho. Todas as entrevistas foram gravadas e 20% delas reescutadas em tempo real para verificação de integridade, conforme os protocolos da ABEP (Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa) e os códigos internacionais da Esomar.
O Instituto Gerp
Fundado em 15 de maio de 1983, o Instituto Gerp é uma das mais tradicionais empresas de pesquisa do Brasil, com 43 anos de atuação nos três pilares da inteligência mercadológica: pesquisa de mercado, pesquisa de opinião pública e auditoria de trade marketing. A Gerp foi responsável por estudos que embasaram decisões estratégicas de grande porte, como a reestruturação da atuação do Banco do Brasil em seguridade, que originou o maior IPO do mundo em 2013, da BB Seguridade, de R$ 11,5 bilhões. Presidido por Gabriel Pazos, o instituto é 100% nacional e membro fundador da ABEP, seguindo rigorosamente os padrões internacionais da Esomar. Em 2022, passou a realizar pesquisas eleitorais nacionais e, desde então, mantém uma série histórica de levantamentos sobre a corrida presidencial, com metodologia própria — o sistema GerpCati — que combina entrevistas telefônicas assistidas por computador com supervisão em tempo real. A Gerp também atua em estudos de brand tracking, segmentação de mercado, satisfação do consumidor e avaliação de governo para clientes públicos e privados.
Fontes
Gerp Mercadologia — Pesquisa Nacional Presidência 2026, 23ª onda, campo 15 a 17 de julho de 2026. Registro TSE BR-05026/2026. Divulgação autorizada em 22 de julho de 2026. Disponível em: www.gerp.com.br
Tribunal Superior Eleitoral — Sistema de Registro de Pesquisas Eleitorais.
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística — Censo Demográfico 2022.
#Lula #FlávioBolsonaro #Eleições2026 #PesquisaGerp #Presidência2026 #PolíticaBrasileira #Datafolha #Quaest #GovernoLula #Brasil
Nenhum comentário. Seja o primeiro a comentar!