Comandante-Geral do Corpo de Fuzileiros Navais Carlos Chagas, destaca modernização e defesa do litoral brasileiro

Marinha moderniza arsenal com mísseis antinavio e tecnologia de ponta para defesa costeira

Almirante Carlos Chagas celebra 218 anos da força e revela investimentos em drones e inteligência artificial

O Almirante de Esquadra Carlos Chagas Vianna Braga, Comandante-Geral do Corpo de Fuzileiros Navais, destacou a importância histórica e estratégica da força militar durante as comemorações dos 218 anos dos Fuzileiros Navais. Em entrevista exclusiva, o comandante enfatizou o processo de modernização da corporação e os desafios da defesa do extenso litoral brasileiro, que possui 7.500 quilômetros de costa.

Durante o evento comemorativo, que exibiu equipamentos desde a década de 1950 até tecnologias modernas como drones, o Almirante Carlos Chagas ressaltou que os Fuzileiros Navais "sempre estiveram ligados à história do Brasil, desde a chegada da família real portuguesa". A força participou de todos os eventos que marcaram a nacionalidade brasileira, mantendo-se "sempre à altura da defesa do Brasil".

O comandante revelou que a corporação passou por um "processo de recapacitação bastante importante" nos últimos anos, adaptando-se às transformações globais onde "a força das armas tem prevalecido em vários lugares". Esta modernização visa especialmente a proteção do litoral brasileiro, onde se concentra "uma quantidade enorme de riqueza" e "a maior parte da população".

Modernização tecnológica e sistemas autônomos

O Corpo de Fuzileiros Navais priorizou equipamentos estratégicos para a defesa costeira, incluindo mísseis antinavio de superfície lançados de terra, que podem ser transportados por mar, terra e ar nas aeronaves Cacet 390 da Força Aérea Brasileira. Além disso, foram adquiridas embarcações de desembarque litorâneo para ampliar a capacidade anfíbia da força.

"Tradicionalmente os fuzileiros são uma força anfíbia, que vem do mar para terra, mas hoje em dia eles têm sido verdadeiramente anfíbios, indo do mar para terra e da terra para o mar", explicou o Almirante Carlos Chagas, destacando a evolução tática da corporação.

A inovação mais significativa está na área de sistemas autônomos e inteligência artificial. O comandante revelou que foi criado "o primeiro esquadrão de drones de esclarecimento e ataque", além de uma escola especializada em drones e desenvolvimento de drones tipo kamikaze. "A guerra do presente e do futuro está ligada à questão dos drones", afirmou categoricamente.

Investimentos e necessidades orçamentárias

Questionado sobre os investimentos em equipamentos, o Almirante Carlos Chagas admitiu que "os investimentos ainda são muito curtos em relação às necessidades que a força tem". Esta declaração evidencia os desafios orçamentários enfrentados pelas Forças Armadas brasileiras para manter o ritmo de modernização necessário.

Apesar das limitações financeiras, a Marinha tem trabalhado em projetos estratégicos importantes, como o programa de submarinos com propulsão nuclear e as fragatas classe Tamandaré. Estes projetos representam saltos tecnológicos significativos para a capacidade naval brasileira.

O comandante enfatizou que a Marinha "tem buscado se modernizar bastante o tempo todo", procurando "proporcionar uma defesa do tamanho que o Brasil merece". Esta modernização é justificada pela riqueza natural do país e pela concentração populacional próxima ao litoral.

Guerra cibernética e novos desafios

Sobre os desafios da guerra moderna, incluindo a proteção cibernética, o Almirante Carlos Chagas revelou que a Marinha adotou "uma abordagem abrangente" de reestruturação. A corporação tem privilegiado "inovação tecnológica e novos materiais", incluindo defesa cibernética e inteligência artificial.

"Todos os países estão atrasados" na questão dos sistemas autônomos e inteligência artificial, admitiu o comandante, destacando que o Brasil tem "engajado muito forte nisso". Esta corrida tecnológica global exige investimentos contínuos e adaptação constante das doutrinas militares.

A integração de tecnologias emergentes com a tradição militar representa um desafio complexo. O comandante destacou que, "ao mesmo tempo que preservamos a tradição de uma força bicentenária com história tradicional grande, procuramos nos reinventar para estar à altura dos desafios futuros da defesa do Brasil".

Monitoramento do entorno estratégico

Sobre a situação geopolítica regional, especialmente as tensões envolvendo Venezuela e Guiana, o Almirante Carlos Chagas afirmou que os militares fazem "acompanhamento constante de toda a situação" no entorno estratégico brasileiro. "Esse é um papel dos militares: conhecer o que está acontecendo em volta", declarou.

Esta vigilância estratégica é fundamental para a segurança nacional, considerando que o Brasil possui fronteiras terrestres e marítimas extensas com múltiplos países. O monitoramento permite antecipação de cenários e preparação adequada das forças militares.

Trajetória do comandante

O Almirante Carlos Chagas Vianna Braga possui trajetória exemplar nos Fuzileiros Navais, tendo se formado em primeiro lugar na Escola Naval em 1985. Sua experiência inclui participação na MINUSTAH no Haiti (2004/2005), coordenação das operações na Vila Cruzeiro e Complexo do Alemão (2010), e chefia do Estado-Maior Conjunto durante os Jogos Olímpicos Rio 2016.

Doutor em Relações Internacionais pela PUC-Rio, o comandante possui extensa formação acadêmica e militar, incluindo cursos nos Estados Unidos. Sua produção intelectual abrange trabalhos sobre defesa, estratégia e operações de paz em periódicos nacionais e internacionais.

Perspectivas futuras

A celebração dos 218 anos dos Fuzileiros Navais marca não apenas a tradição histórica, mas também a transformação tecnológica da força. O comandante enfatizou que "só os fortes conseguirão se defender", justificando os investimentos em modernização e capacitação.

A combinação de tradição militar com inovação tecnológica representa o caminho escolhido pelos Fuzileiros Navais para enfrentar os desafios do século XXI. Esta estratégia busca manter a relevância operacional da força em um ambiente de segurança cada vez mais complexo e tecnológico.

Repórter Ralph Lichotti - Advogado e Jornalista, Editor do Ultima Hora Online e Jornal da República, Foi Sócio Diretor do Jornal O Fluminense e acionista majoritário do Tribuna da Imprensa, Secretário Geral da Associação Nacional, Internacional de Imprensa - ANI, Ex- Secretário Municipal de Receita de Itaperuna-RJ, Ex-Presidente da Comissão de Sindicância e Conselheiro da Associação Brasileira de Imprensa - ABI - MTb 31.335/RJ

Por Robson Talber @robsontalber 

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Por Ultima Hora em 10/03/2026
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