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O cônsul da Finlândia no Rio de Janeiro e Espírito Santo, Sérgio Chamone, participou das comemorações dos 75 anos da Federação das Câmaras de Comércio do Exterior (FCC) na Confederação Nacional do Comércio (CNC), onde revelou os fatores que tornam a Finlândia o país mais feliz do mundo pelo oitavo ano consecutivo, segundo o World Happiness Report da ONU. Durante a entrevista, Chamone destacou que a felicidade finlandesa não está relacionada à alegria superficial, mas sim à qualidade de vida estrutural que o país oferece aos seus cidadãos.
O diplomata enfatizou que a confiança interpessoal é um dos pilares fundamentais da sociedade finlandesa, revelando que 85% dos finlandeses confiam em seus concidadãos. "Qualquer finlandês acredita, 85% deles acreditam confiar no seu corpo cidadão", explicou Chamone, contrastando com a realidade brasileira onde "nem no papel as pessoas não respeitam mais" os acordos. Essa cultura de confiança reflete diretamente no ambiente de negócios, onde os contratos são "fininhos" e não necessitam de detalhamentos excessivos, agilizando as transações comerciais.
A educação foi apontada como "a pedra angular dos sucessos da Finlândia", sendo caracterizada como igualitária, homogênea, gratuita e voltada para a solução de problemas. Segundo o cônsul, esse sistema educacional proporciona condições iguais para todos vencerem na vida e tem sido responsável pela criação de startups e empresas de grande sucesso global. "A educação também levou à criação de startups e de empresas de grande sucesso", destacou Chamone, citando exemplos de empresas que se tornaram líderes mundiais em seus segmentos.
A parceria comercial entre Brasil e Finlândia apresenta uma evolução notável ao longo das décadas. Nos anos 1950, quando a FCC estava começando, o Brasil era um grande importador de celulose, causando impacto negativo na balança comercial. Atualmente, a situação se inverteu completamente: o Brasil se transformou em uma potência da celulose e passou a exportar para a Finlândia. "O Brasil deixou de ser um importador de celuloses da Finlândia para um exportador de celuloses para Finlândia", revelou o diplomata.
Empresas finlandesas desempenham papel estratégico no desenvolvimento tecnológico brasileiro. A Nokia, conhecida mundialmente pelos celulares, atualmente se concentra em infraestrutura de telecomunicações, sendo responsável por tecnologias 4G, 5G e 6G. A Wärtsilä lidera globalmente em motores para navios e está na vanguarda da transição para motores híbridos a etanol e diesel. A Vaisala, especializada em instrumentos meteorológicos, mantém estações no Rio de Janeiro para prevenir tragédias climáticas.
O monitoramento ambiental brasileiro conta com tecnologia finlandesa de ponta através da empresa ICEYE, que possui a maior constelação de satélites SAR do mundo. Esses satélites utilizam tecnologia não ótica para capturar imagens com precisão extraordinária, já sendo utilizados para monitorar a Amazônia Verde e futuramente a Amazônia Azul. "Hoje a Amazônia Verde do Brasil já é monitorada com satélite SAR da ICEYE", informou Chamone.
Quando questionado sobre conselhos para melhorar a qualidade de vida no Brasil, o cônsul foi direto ao apontar o combate à corrupção como fator essencial. "Um dos critérios do World Happiness Report é a ausência de corrupção", explicou, destacando que a Finlândia sempre figura entre os três primeiros lugares mundiais com menor índice de corrupção. Contudo, enfatizou que a educação deve ser o passo anterior e fundamental para alcançar esse objetivo.
A presença de aproximadamente 70 empresas finlandesas no Brasil demonstra a solidez da parceria bilateral. Essas empresas atuam em diversos setores, desde celulose até alta tecnologia, contribuindo para o desenvolvimento econômico e tecnológico brasileiro. A transferência de conhecimento e tecnologia tem sido mútua, com empresas brasileiras também investindo na Finlândia atualmente.
O evento na CNC celebrou não apenas os 75 anos da FCC, mas também destacou como parcerias internacionais sólidas podem contribuir para o desenvolvimento mútuo entre países. A experiência finlandesa serve como modelo de como investimentos em educação, combate à corrupção e construção de confiança social podem resultar em qualidade de vida superior e sucesso econômico sustentável.
A fala de Chamone ressaltou que a felicidade nacional não é resultado de fatores superficiais, mas de estruturas sociais sólidas que proporcionam oportunidades iguais, crescimento profissional, solidariedade coletiva e igualdade social. Esses elementos combinados criam um ambiente onde os cidadãos têm "todas as condições para ser feliz", estabelecendo um ciclo virtuoso de desenvolvimento e bem-estar social.

Repórter Ralph Lichotti - Advogado e Jornalista, Editor do Ultima Hora Online e Jornal da República, Foi Sócio Diretor do Jornal O Fluminense e acionista majoritário do Tribuna da Imprensa, Secretário Geral da Associação Nacional, Internacional de Imprensa - ANI, Ex- Secretário Municipal de Receita de Itaperuna-RJ, Ex-Presidente da Comissão de Sindicância e Conselheiro da Associação Brasileira de Imprensa - ABI - MTb 31.335/RJ
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