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Escândalo no sistema de reboques: Detro suspende contrato com Rio Parking após investigações da CPI
Após uma série de denúncias e fiscalizações, o presidente do Departamento de Transportes Rodoviários do Estado do Rio de Janeiro (Detro), Leonardo de Lima Matias, anunciou a suspensão temporária do contrato com a empresa Rio Parking. A decisão foi tomada durante reunião da CPI da Transparência da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), realizada nesta terça-feira.
Irregularidades e ausências marcam investigação
A medida ocorre uma semana após fiscalização que resultou no fechamento do pátio da empresa em Vargem Grande. Outro pátio, localizado em Mesquita, na Baixada Fluminense, também será alvo de investigações pela comissão parlamentar. Um dos fatos que chamou atenção dos deputados foi o expressivo número de apreensões: em apenas 21 dias, 1.575 motocicletas foram recolhidas, sendo que apenas três delas eram objeto de roubo.
A ausência do proprietário do consórcio Rio Parking, Jorge Esteves, na reunião da CPI gerou indignação entre os parlamentares, que aprovaram um pedido de condução coercitiva para a próxima sessão, marcada para o dia 23 de maio. Representantes das empresas De Jesus Reboque, Jomal Auto Socorro e N Reis Reboque também não compareceram e estão sujeitos à mesma medida.
Atestado médico sob suspeita
O deputado Filippe Poubel (PL), vice-presidente da comissão, classificou a ausência de Jorge Esteves como "uma falta de respeito com o Parlamento". Segundo os integrantes da CPI, o atestado médico enviado para justificar a ausência apresentava inconsistências graves: foi emitido por uma clínica odontológica, mas carimbado por um cardiologista. Os parlamentares informaram que solicitarão uma perícia do documento.
"Esse é o tipo de cidadão que está à frente de uma empresa e que trata assim a política e os representantes do povo. Ele simplesmente ignora uma convocação do Parlamento. É uma falta de respeito não só com a CPI, mas com esta Casa", criticou Poubel durante a sessão.
CPI prorrogada para aprofundar investigações
Conhecida informalmente como "CPI do Fim do Mundo", a comissão teve seus trabalhos prorrogados por mais 90 dias na última sexta-feira (9), por unanimidade. Esta é a segunda prorrogação, após uma extensão inicial de 60 dias aprovada em março. O objetivo da CPI é investigar diversos indicativos de falta de transparência no governo estadual, incluindo o descumprimento da Lei de Acesso à Informação e irregularidades nos processos do Sistema Estadual de Informações.
A comissão é presidida pelo deputado Alan Lopes (PL) e composta também pelos deputados Filippe Poubel (PL), Rodrigo Amorim (União), Marcelo Dino (União), Val Ceasa (PRD) e Giovani Ratinho (SDD). Os parlamentares argumentam que precisam ouvir representantes de diversos órgãos e analisar mais documentos antes de concluir o relatório final.
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