Delegada Martha Rocha cobra explicações sobre a venda da Cedae: Aonde estão os R$ 4 bilhões?'

Déficit de R$ 12 bi: Martha Rocha volta à ALERJ e defende orçamento com foco em saúde e transparência

Primeira e única mulher a chefiar a Polícia Civil do RJ, a deputada do PDT reassume o mandato em momento crítico das contas públicas e critica a destinação dos recursos da venda da Cedae

Direto do plenário da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro — De volta à Casa após passagem pela Secretaria Municipal de Assistência Social na gestão Eduardo Paes, a deputada estadual Delegada Martha Rocha (PDT) reassume o mandato em um dos momentos mais delicados do parlamento fluminense: a tramitação da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para 2027. E não poupa críticas ao destino dado aos recursos públicos nos últimos anos.

"O orçamento é talvez a peça mais importante, é aquilo que nos faz estar aqui como fiscal do Poder Executivo", afirmou a parlamentar em entrevista ao Jornal da República e Última Hora, direto do plenário da ALERJ. "O bom filho a casa torna", brincou, referindo-se ao retorno à vida parlamentar.

Déficit de R$ 12 bilhões e escolha de prioridades

A proposta orçamentária encaminhada pelo governador em exercício Ricardo Couto à ALERJ projeta um déficit de aproximadamente R$ 12 bilhões no confronto entre receita e despesa. Martha Rocha não hesita: a tendência é que o orçamento seja deficitário novamente.

"Para isso a gente vai ter que escolher prioridades. E eu acho que as prioridades que eu apresento nas minhas emendas são o fortalecimento de políticas públicas como a saúde, educação e segurança, o fortalecimento do servidor público, do concurso público, emendas que garantem a transparência e o controle social", enumera.

A deputada, no entanto, enxerga possibilidades de melhoria no cenário fiscal. Ela aponta o aumento dos royalties do petróleo impulsionado pela instabilidade geopolítica no Oriente Médio e a redução de cerca de R$ 4 bilhões com o Propag como fatores que podem impactar positivamente as contas. "Acho que a gente vai poder impactar esse débito", pondera.

Elogios a Ricardo Couto e o fantasma da Refit

Mesmo em um governo interino — já que o titular Cláudio Castro foi afastado —, Martha Rocha faz questão de elogiar a gestão de Ricardo Couto. "Ele fez gestos muito importantes. O seu primeiro gesto foi antecipar o pagamento de servidores no período da Páscoa. Ele está fazendo um olhar muito atento ao excesso de cargos comissionados."

Outro ponto destacado foi a atuação do governo em relação à Refit, que possui um débito de R$ 20 bilhões com o Estado do Rio. "Ele está atuando firmemente agora na questão da Refit", afirmou.

Cadê o dinheiro da Cedae?

Questionada sobre a possibilidade de receitas como a privatização da Cedae servirem para diminuir o déficit, Martha foi enfática. "Eu votei contra a privatização da Cedae porque eu sempre entendi e isso estava comprovado: a Cedae era uma empresa lucrativa e não deficitária. Na venda da Cedae, nós arrecadamos R$ 4 bilhões. Aonde estão os R$ 4 bilhões? Você tem que perguntar ao ex-governador Cláudio Castro."

A declaração acende um alerta sobre a transparência na destinação dos recursos de uma das maiores privatizações da história do estado, realizada durante a gestão anterior.

Feminicídio, violência contra a mulher e 40 anos das DEAMs

Uma das vozes mais ativas na defesa dos direitos das mulheres no parlamento fluminense, Martha Rocha presidiu a CPI do Feminicídio e a CPI da Violência contra a Mulher na ALERJ. Ela defende o pacto contra o feminicídio como política estruturante.

"O feminicídio é uma realidade cruel na vida de muitas mulheres. A violência contra a mulher era um fenômeno democrático: ocorria com todas as mulheres — as jovens, as idosas, as escolarizadas e não escolarizadas. Então, ter estruturas de proteção, ter uma polícia eficiente é fundamental."

A deputada fez questão de saudar as Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAMs), que completam 40 anos de existência em 2026 — instituições que ela ajudou a criar ainda como delegada de polícia nos anos 1980 e 1990. "O Executivo tem sua responsabilidade, mas o Legislativo, seja o estadual ou federal, tem dado importantes contribuições para entender esse fenômeno que é a violência contra a mulher, que se não for interrompida, o resultado morte acontecerá."

Miro Teixeira ao Senado

Martha Rocha também celebrou a indicação do deputado Miro Teixeira como candidato do PDT ao Senado na chapa majoritária que concorre com Eduardo Paes. "Sem dúvida nenhuma a indicação do PDT ao Senado na chapa majoritária. É parlamentar desde 1971, foi constituinte, foi ministro, foi revisor da Constituição Cidadã. O PDT tem muito orgulho de apresentar o nome de Miro Teixeira como nosso candidato ao Senado", declarou.

Primeira mulher a comandar a Polícia Civil

A trajetória de Martha Rocha é marcada por uma sucessão de primeiras vezes. Formada em Direito pela UFRJ, foi a primeira mulher a chefiar o Departamento Geral de Polícia Especializada em 1993 e, em 2011, entrou para a história como a primeira mulher a assumir a Chefia da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro. Sua gestão ficou marcada pelo foco na prevenção de crimes contra mulheres, pela criação da Cidade da Polícia e pela ampliação do registro de ocorrência online.

Em janeiro de 2019, foi alvo de um atentado a tiros no bairro da Penha, Zona Norte do Rio, quando seu carro foi atingido por disparos de fuzil. Sobreviveu e seguiu na vida pública.

Repórter Ralph Lichotti - Advogado e Jornalista, Editor do Ultima Hora Online e Jornal da República, Foi Sócio Diretor do Jornal O Fluminense e acionista majoritário do Tribuna da Imprensa, Secretário Geral da Associação Nacional, Internacional de Imprensa - ANI, Ex- Secretário Municipal de Receita de Itaperuna-RJ, Ex-Presidente da Comissão de Sindicância e Conselheiro da Associação Brasileira de Imprensa - ABI - MTb 31.335/RJ

Por Robson Talber @robsontalber 

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Fontes: Jornal da República / Última Hora; ALERJ — Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro; CPDOC/FGV; Tribunal Superior Eleitoral

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Por Ultima Hora em 31/05/2026
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