Delegado Bernardo Leal supera 3% de chance de vida após ser baleado em operação com bala de fuzil 7.62mm e volta à Polícia Civil mesmo depois da amputação da perna

Felipe Curi define Bernardo Leal como herói nacional da segurança pública

Delegado Bernardo Leal relata cenário de guerra e superação no Rio de Janeiro

O primeiro seminário de segurança pública em Vassouras foi palco de um depoimento emocionante nesta quarta-feira. O delegado Bernardo Leal, um dos rostos mais emblemáticos da resistência policial fluminense, concedeu sua primeira entrevista pública após meses de recuperação intensiva.

O agente foi atingido por um tiro de fuzil 7.62mm durante a Megaoperação Contenção, realizada em 28 de outubro de 2025. A ação, que mobilizou forças especiais nos complexos da Penha e do Alemão, é lembrada como um dos confrontos mais intensos da história recente do estado.

O labirinto e o milagre do resgate

Bernardo descreveu os momentos de terror sob fogo cruzado. Após ser baleado, ele precisou ser abrigado em uma residência enquanto colegas quebravam paredes para viabilizar sua extração. O cenário, segundo ele, era de uma "guerra civil urbana" sem precedentes.

O resgate foi uma corrida contra o tempo. O delegado foi transportado em uma moto sob intenso tiroteio, passando depois para uma viatura até chegar ao Hospital Getúlio Vargas. "Eu apagava e acordava, perdi muito sangue", relembrou o policial sobre o trajeto crítico.

A luta pela vida e a nova realidade

Ao dar entrada na unidade de saúde, os médicos foram diretos: Bernardo Leal tinha apenas 3% de chances de sobreviver. O diagnóstico severo resultou em sete dias de coma profundo e nove cirurgias complexas que culminaram na amputação de sua perna direita.

Apesar da gravidade, o sentimento manifestado em Vassouras foi de profunda gratidão. Pai de dois filhos, o delegado afirmou que a oportunidade de vê-los crescer é seu maior combustível. Atualmente, ele utiliza uma prótese mecânica adquirida com recursos próprios enquanto aguarda o equipamento do Estado.

Táticas de guerrilha e guerra assimétrica

Um dos pontos mais alarmantes do relato envolveu a sofisticação do crime organizado. Bernardo revelou que os criminosos utilizavam uniformes idênticos aos da polícia e conheciam, inclusive, a contrassenha da operação para enganar as equipes em progressão.

O delegado alertou para o uso de drones com granadas e armadilhas tecnológicas nas comunidades. Para ele, o Rio de Janeiro enfrenta uma "guerra assimétrica", onde as forças de segurança precisam seguir rigorosamente a lei, enquanto os criminosos ignoram qualquer limite moral.

Acessibilidade e o futuro na política

A nova condição física despertou em Bernardo uma nova missão: a luta pelos direitos das pessoas com deficiência. Ele destacou a falta de acessibilidade urbana e prometeu dar voz aos que enfrentam limitações de mobilidade diariamente no Rio de Janeiro.

O reconhecimento ao seu sacrifício veio de todas as esferas. O Secretário de Polícia Civil, Felipe Curi, definiu Leal como um "herói nacional". Agora, o delegado se lança como pré-candidato a Deputado Estadual, carregando o lema: "A dor não me parou, me ensinou".

Irmandade e o corredor de aplausos

A saída do hospital foi marcada por um corredor de aplausos formado por colegas, enfermeiros e populares. O momento de empatia reforçou o sentimento de irmandade que une a categoria. "Somos uma família da polícia, juntos contra o crime organizado", declarou.

A Delegacia de Homicídios mantém as investigações sobre os responsáveis pelo ataque. Bernardo, contudo, afirma não buscar vingança pessoal. Seu foco agora é transformar o trauma em política pública e garantir que outros agentes tenham o suporte necessário para servir à sociedade.

Biografia: Bernardo Leal

Bernardo Leal é delegado da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro e tornou-se um símbolo de resiliência na segurança pública brasileira. Com trajetória marcada pela atuação em áreas de conflito, ganhou notoriedade nacional após sobreviver a um ferimento gravíssimo por fuzil na Operação Contenção em 2025. Pai dedicado e defensor da modernização das táticas policiais, Leal hoje utiliza sua experiência para pautar a acessibilidade e o suporte a policiais feridos em combate. Sua história de superação, que desafiou as estatísticas médicas, fundamenta sua nova etapa como voz ativa na política fluminense.

Repórter Ralph Lichotti - Advogado e Jornalista, Editor do Ultima Hora Online e Jornal da República, Foi Sócio Diretor do Jornal O Fluminense e acionista majoritário do Tribuna da Imprensa, Secretário Geral da Associação Nacional, Internacional de Imprensa - ANI, Ex- Secretário Municipal de Receita de Itaperuna-RJ, Ex-Presidente da Comissão de Sindicância e Conselheiro da Associação Brasileira de Imprensa - ABI - MTb 31.335/RJ

Por Robson Talber @robsontalber 

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Fontes

Secretaria de Estado de Polícia Civil do Rio de Janeiro (SEPOL) Relatório Técnico da Operação Contenção — Outubro/2025 Anais do I Seminário de Segurança Pública de Vassouras Registro de Ocorrência — Delegacia de Homicídios da Capital (DHC)

Por Ultima Hora em 11/06/2026
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