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Veja o vídeo viralizado nas Redes e relembre a treta que exposta por Garotinho e foi motivo da revolta de Amorim por insinuação da Deputada do Psol em plenário. 'Respeite sua mulher': a fala que transformou Renata Souza de ré a acusada de violência política de gênero.

Deputada Renata Souza citou Sarah Poncio Foto arquivo
O debate que descarrilou
Era para ser mais uma discussão acalorada sobre a criação da CPI do Banco Master, daquelas que a Assembleia Legislativa do Rio testemunha quase toda semana. Mas o que aconteceu no plenário na terça-feira, 26 de maio, transformou um debate rotineiro em um dos episódios mais delicados da atual legislatura. O bate-boca entre os deputados Renata Souza (PSOL) e Rodrigo Amorim (PL) cruzou a linha que separa o enfrentamento político da exposição pessoal — e, ao fazer isso, deixou feridas que podem custar a Renata a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher.
A frase que explodiu o plenário
Tudo começou quando Rodrigo Amorim, segundo relatos de parlamentares presentes, teria dito fora do microfone que Renata Souza teria um "fetiche" nele. A deputada, conhecida pelo temperamento firme e pela trajetória de defesa dos direitos humanos, não deixou passar. Em resposta, gritou em plenário: "Respeite sua mulher que está aí do seu lado". A frase era uma referência direta à deputada Sarah Poncio (SDD), que acompanhava Amorim na frente do plenário, mas não participava da discussão e nem sequer havia se manifestado sobre o tema em debate, aliais é uma das Deputadas que praticamente sempre entra quieta e sai calada do plenário, apenas votando em tudo que a liderança do PL indica para votar.
O impacto foi imediato. Deputados de diferentes bancadas se entreolharam. E a bancada do PL fez a avaliação unânime: Sarah Poncio foi exposta de forma indevida, reduzida a uma condição pessoal — a de "mulher de" — em uma disputa política da qual não fazia parte. Parlamentares de correntes políticas distintas, incluindo adversárias de Renata, procuraram Sarah para prestar solidariedade.
O pedido de desculpas que não apagou o mal-estar
Minutos depois da discussão, Renata Souza voltou ao microfone para pedir desculpas publicamente, novamente sem citar nomes. "Peço desculpas com o coração e com sensibilidade caso minhas palavras tenham atingido outras mulheres", declarou.
Do plenário, Rodrigo Amorim reagiu aos gritos, classificando o episódio como "violência política de gênero".
Sarah Poncio, por sua vez, cpmo sempre não respondeu à provocação durante a sessão e permaneceu silenciosa diante do confronto, deixando para os 'pitbull' do PL a sua defesa.
A representação no Conselho de Ética
Na quarta-feira, 27 de maio, o líder da bancada do PL na Alerj, Filippe Poubel, protocolou uma representação no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar contra Renata Souza. O parlamentar acusa a deputada de ter cometido "violência política de gênero" contra Sarah Poncio.
Ao abrir a sessão plenária, Poubel afirmou que a fala de Renata expôs a vida familiar de ambos e que outros líderes de bancada também assinaram a representação.
"A fala associou uma mulher parlamentar a uma relação afetiva de forma pejorativa e a usou como instrumento de ataque em plenário", sustentou Poubel.
O risco de perder a Comissão da Mulher
O episódio ganhou contornos ainda mais graves porque Renata Souza preside a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Alerj, colegiado responsável por pautas ligadas à proteção institucional das mulheres, ao combate à misoginia e ao enfrentamento da violência política de gênero.
A ironia é amarga: a deputada que comanda o órgão que deveria coibir esse tipo de prática agora é acusada exatamente de praticá-la, o que soa inusitado para muitos deputados que defederam Renata que não existe violência de gênero contra alguêm que é do mesmo gênero.
Se o Conselho de Ética acatar a representação, Renata pode sofrer sanções pois o PL e seus aliados já provaram ter maioria na casa para passar o rodo, que vão desde uma advertência até a perda do comando da Comissão.
Fontes ouvidas pela reportagem indicam que o PL já articula nos bastidores para que a deputada seja destituída da presidência do colegiado, vingando assim a condenação criminal sofrida por Amorim numa representação de uma deputada da esquerda.
"Tentativa de interdição do meu mandato"
Em resposta, Renata Souza afirmou que também foi alvo de violência política de gênero durante a discussão e classificou a representação como uma tentativa de "interdição" da sua atuação parlamentar.
"Eu não citei o nome de ninguém aqui a não ser de uma pessoa que conhece muito sobre violência política de gênero, que é o deputado Rodrigo Amorim", declarou.
A deputada disse ainda que sofre perseguição política dentro da Alerj há oito anos. "Recebo essa tentativa de interdição da minha atuação política como mais uma violência política de gênero", afirmou.
Segundo a parlamemtar Rodrigo Amorim não é um parlamentar qualquer quando o assunto é violência política de gênero. Em 2021, ele foi condenado pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) por violência política de gênero contra a então deputada estadual Marina do MST, em decisão que se tornou referência nacional sobre o tema.
Citá-lo como alguém que "conhece muito sobre violência política de gênero" foi, para Renata, uma forma de expor o histórico do adversário. Para os que a acusam, foi um erro político de cálculo.
A CPI do Banco Master como pano de fundo
Vale lembrar que toda a discussão começou por causa da CPI do Banco Master — o mesmo banco que, segundo investigações da Polícia Federal, recebeu R$ 3,7 bilhões em aportes da Rioprevidência durante a gestão do ex-governador Cláudio Castro, em meio a suspeitas de tráfico de influência e prevaricação.
O episódio envolvendo Renata Souza e Rodrigo Amorim, no entanto, desviou o foco do plenário do escândalo financeiro para um embate que mistura política, gênero e exposição pessoal.
O que diz a lei
A violência política de gênero foi tipificada como crime pela Lei 14.192/2021, que alterou o Código Eleitoral para incluir a proteção contra a violência política contra a mulher. A lei define como crime "assediar, constranger, humilhar, perseguir ou ameaçar, por qualquer meio, a candidata a cargo eletivo ou detentora de mandato eletivo, utilizando-se de menosprezo ou discriminação à condição de mulher ou à sua cor, raça ou etnia".
A representação do PL no Conselho de Ética argumenta que Renata, ao reduzir Sarah Poncio à condição de "mulher de" Rodrigo Amorim, teria incorrido em conduta incompatível com o decoro parlamentar e, ironicamente, com a própria lei que a deputada deveria defender como presidente da Comissão da Mulher.
O silêncio de Sarah Poncio
Até o fechamento desta edição, Sarah Poncio não se manifestou publicamente sobre o episódio. Diferentemente de Renata, que construiu carreira política a partir de pautas identitárias e de direitos humanos, Sarah tem perfil mais ligado ao conservadorismo e à pauta familiar.
A deputada do Solidariedade, que soma mais de três milhões de seguidores no Instagram, construiu sua imagem pública a partir da exposição nas redes sociais e só ingressou na política formal em 2024, na carona do Pai ppderoso e rico pastor que segundo o ex-governador Garotinho é do ramo de cigarro, quando foi eleita suplente com mais de 26 mil votos.
O que esperar do Conselho de Ética
O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Alerj é composto por deputados de diferentes bancadas e tem histórico de decisões que misturam técnica jurídica e conveniência política.
A representação contra Renata Souza pode tramitar em regime de urgência, dada a pressão do PL e de bancadas aliadas. Se condenada, a deputada pode perder o comando da Comissão da Mulher — cargo que ocupa desde o início da legislatura e que lhe dá projeção nacional dentro da pauta feminista.
Caso seja absolvida, o episódio deverá render críticas e desgaste político, mas sem consequências práticas imediatas. O desfecho, como quase tudo na política fluminense, dependerá dos acordos de bastidores que se desenrolam neste momento.
Quem é Renata Souza
Jornalista e doutora em Comunicação e Cultura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Renata da Silva Souza nasceu e foi criada no Complexo da Maré, Zona Norte do Rio. Negra e feminista, atua na defesa dos Direitos Humanos há mais de 12 anos, tendo participado de movimentos sociais e integrado a Comissão de Direitos Humanos da Alerj. Foi chefe de gabinete da vereadora Marielle Franco, assassinada em 2018, ao lado de quem construiu uma trajetória de resistência política. Em 2018, foi eleita deputada estadual — a primeira mulher negra a presidir a Comissão de Direitos Humanos da Alerj. Em 2022, reelegeu-se com 174.132 votos, tornando-se a mulher mais votada da história da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Atualmente, preside a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher (CDDM) e integra a Comissão Especial de Favelas e Periferias. É mãe de Rubi.
Pasme! Os Deputados da ALERJ que teriam que estar unidos contra a intervenção do judiciário que rasga a Constituição Estadual e a cadeia sucessória, e o caso Master que saqueou os cofres públicos, mais uma vez se apequenam diante de uma polarização e picuinhas ridículas de gêneros.
Fontes: Diário do Rio de Janeiro, Agenda do Poder, Tempo Real, Alerj, Wikipedia, Instagram (@renatasouzario), perfil oficial da Alerj.
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