Diretor do Sinsprev/SP e da Fenasps Cristiano Machado classifica GT da Reforma Administrativa na Câmara como 'GT fake' e alerta para privatização de serviços essenciais

Cristiano Machado denuncia 'demolição' do Estado brasileiro em Brasília

Cristiano dos Santos Machado denuncia "demolição" do Estado em meio a debates sobre reforma administrativa

Representantes dos servidores públicos federais estiveram na Câmara dos Deputados nesta terça-feira para acompanhar as discussões sobre a nova proposta de reforma administrativa, que promete corrigir as lacunas da antiga PEC 32. Em entrevista exclusiva, Cristiano dos Santos Machado, diretor do Sinsprev/SP e da Fenasps, foi categórico ao classificar a iniciativa não como reforma, mas como uma "tentativa de demolição do serviço público brasileiro".

"De maneira alguma a reforma administrativa é para combater super salários. Nossa palavra de ordem é clara: isso não se trata de uma reforma, mas é uma tentativa de demolição, de destruição do serviço público", declarou Cristiano Machado, contestando o discurso oficial que apresenta a proposta como medida de combate aos privilégios no funcionalismo. O dirigente sindical denunciou que os trabalhadores não foram consultados sobre as mudanças propostas pelo grupo de trabalho coordenado pelo deputado Pedro Paulo (PSD-RJ).

A crítica dos servidores vai além da falta de participação no processo. Segundo Machado, está sendo vendida uma "grande ilusão" para a população brasileira quando se afirma que o Estado é inchado e gasta demais com servidores. "Países com IDH melhor que o Brasil têm muitos servidores públicos e gasto público ainda maior, porque isso garante qualidade de vida da população", argumentou, defendendo que o verdadeiro objetivo seria transformar serviços públicos em mercadoria para empresas privadas.

A questão da estabilidade dos servidores ganhou destaque especial na argumentação sindical. Machado lembrou que durante a pandemia de COVID-19, foram os servidores concursados que mantiveram os serviços essenciais funcionando, mesmo em meio a uma crise política sem precedentes. "Quem manteve os serviços essenciais foram os servidores que não tinham rabo preso com governo nenhum", enfatizou, referindo-se ao período em que o governo federal adotou postura contrária à vacinação.

O dirigente sindical foi ainda mais específico ao abordar o papel dos servidores da saúde durante a pandemia. "Se os servidores não tivessem estabilidade, lembrando que tínhamos um governo contra a vacinação, que tripudiou da vacina, os servidores públicos foram essenciais para fazer a denúncia e vacinar a população", declarou, sugerindo que sem a proteção da estabilidade, o número de mortes por COVID-19 teria sido ainda maior no país.

A mobilização dos servidores não se limitou aos corredores da Câmara. Representantes da Fenasps e outras entidades promoveram manifestação no aeroporto internacional Juscelino Kubitschek, em Brasília, onde enfrentaram repressão inédita da Polícia Militar do Distrito Federal, que exigiu a retirada de faixas e banners das grades do desembarque doméstico. O episódio foi interpretado pelos manifestantes como mais um sinal dos tempos difíceis que se aproximam para o funcionalismo público.

A estratégia de resistência dos servidores inclui uma clara ameaça eleitoral aos parlamentares que apoiarem a reforma. Com o slogan "Se votar, não volta!", as entidades prometem cobrar posicionamento contrário à proposta nas bases eleitorais de deputados e senadores, lembrando que 2026 será ano de eleições para o Congresso Nacional. A Fenasps orienta a categoria a pressionar os parlamentares em seus estados, transformando a reforma administrativa em questão eleitoral decisiva.

Segundo informações preliminares obtidas pelos sindicalistas, o governo federal teria acordo para a contratação de empregados temporários no funcionalismo federal, contrariando o Regime Jurídico Único (RJU) e a legislação atual. Esta mudança representaria uma ruptura fundamental com o modelo de carreira pública baseado em concursos e estabilidade, abrindo caminho para a precarização dos serviços prestados à população.

Repórter Ralph Lichotti - Advogado e Jornalista, Editor do Ultima Hora Online e Jornal da República, Foi Sócio Diretor do Jornal O Fluminense e acionista majoritário do Tribuna da Imprensa, Secretário Geral da Associação Nacional, Internacional de Imprensa - ANI, Ex- Secretário Municipal de Receita de Itaperuna-RJ, Ex-Presidente da Comissão de Sindicância e Conselheiro da Associação Brasileira de Imprensa - ABI - MTb 31.335/RJ

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Por Ultima Hora em 16/07/2025
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