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Dentro do Air Force One, longe de qualquer constrangimento diplomático, Donald Trump abandonou o eufemismo. Não falou em democracia, nem em estabilidade regional. Falou em petróleo. “Precisamos de acesso total”, disse, referindo-se aos recursos da Venezuela. Quando um chefe de Estado admite que o objetivo central de uma operação militar é controlar riquezas naturais, o debate deixa o campo da geopolítica sofisticada e entra no terreno cru do saque.
A sequência não é acidental. Após a captura de Nicolás Maduro e o bombardeio de bairros de Caracas, Trump deixou claro que a Venezuela não é um caso isolado, mas parte de um tabuleiro maior. Cuba, segundo ele, “está prestes a cair” porque depende do petróleo venezuelano. A mensagem é inequívoca: quem controla a energia controla os governos.
Na história, isso tem nome conhecido. Do imperialismo do século XIX, descrito por Joseph Conrad e Hannah Arendt, às guerras por petróleo do século XX, a retórica da “necessidade estratégica” sempre foi o verniz moral do roubo organizado. A diferença, em 2026, é a franqueza brutal.
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