Dr. Alexandre Abrahão defende união entre esferas governamentais para coibir entrada de armamentos ilegais no Rio de Janeiro

Dr. Alexandre Abrahão: Rio não produz nem parafuso de arma, tudo vem de fora

O juiz Alexandre Abrahão, titular da 3ª Vara Criminal especializada em crime organizado do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJ-RJ), participou do evento da ANB Black no Barragrill, na Barra da Tijuca, onde apresentou uma análise contundente sobre a situação da criminalidade no estado.

Durante entrevista ao Jornal da República, o magistrado destacou a importância da Associação de Negócios do Brasil (ANB) e alertou para a necessidade urgente de reestruturação dos sistemas de segurança para enfrentar o crime organizado.

ANB Black: união de lideranças para transformação social.

Em sua participação no evento, o Dr. Alexandre Abrahão elogiou o propósito da ANB, definindo-a como uma organização com "um propósito muito bonito, muito significativo". Segundo o magistrado, a associação tem como objetivo "unir cabeças pensantes, cabeças inteligentes, pessoas com ideais, pessoas com capacidade decisória no país" para buscar a melhoria da qualidade de vida da sociedade.

O juiz, que possui vasta experiência no combate ao crime organizado, considerou de "relevância muito grande" a existência da ANB nos moldes em que está sendo desenvolvida.

Durante sua mini palestra no evento, compartilhou sua trajetória pessoal e os percalços enfrentados até chegar ao cargo de juiz de direito, inspirando os presentes com sua história de superação.

Realidade do crime organizado no Rio de Janeiro.

Ao abordar a situação da criminalidade no estado, o Dr. Abrahão contextualizou que "a situação do Rio de Janeiro não é muito diferente das grandes capitais do planeta", embora reconheça que "talvez tenha um pouco mais de violência, realmente tem".

O magistrado destacou o alto índice de apreensão de armas clandestinas como um dos principais indicadores da gravidade do problema.

Um dos pontos mais importantes levantados pelo juiz foi a origem das armas utilizadas em crimes. "As armas que estão matando na rua são todas elas oriundas de tráfico de armas, contrabando, descaminho", esclareceu.

Segundo dados apresentados pelo magistrado, menos de 1% das armas apreendidas têm origem lícita, sendo a grande maioria proveniente do tráfico internacional.

Desmistificação do discurso sobre armas de fogo.

O Dr. Alexandre Abrahão fez questão de esclarecer que não estava "defendendo o armar da sociedade", mas sim apresentando "um dado realístico" para que a população possa compreender a real dimensão do problema.

Esta distinção é fundamental para o desenvolvimento de políticas públicas eficazes no combate à criminalidade.

O magistrado enfatizou que existe uma "deturpação do discurso envolvendo armas de fogo" e que é essencial compreender que as armas utilizadas em crimes não possuem registros ou histórico legal. Esta informação é crucial para direcionar adequadamente os esforços de segurança pública.

Necessidade de reestruturação sistêmica.

Um dos aspectos mais relevantes da entrevista foi o alerta do juiz sobre a necessidade de uma "estrutura muito mais incisiva a nível municipal, estadual e federal". Segundo o Dr. Abrahão, é preciso formar "um conglomerado para fazer sanar a chegada de armamentos e de drogas no Rio de Janeiro".

O magistrado utilizou um argumento geográfico contundente: "o Rio de Janeiro não produz um parafuso de arma de fogo". Esta afirmação reforça que todo o armamento utilizado pelo crime organizado no estado tem origem externa, evidenciando falhas nos mecanismos de controle de fronteiras e fiscalização.

Proposta de integração entre esferas governamentais.

Para enfrentar o problema atual, o Dr. Alexandre Abrahão defendeu que "será necessária uma reestruturação do sistema federal para se unir ao estadual e municipal".

Esta integração tem como objetivo "reprimir ou frustrar esse processo deslocado que vivemos" atualmente no estado.

A proposta do magistrado vai ao encontro das discussões mais avançadas sobre segurança pública, que reconhecem a necessidade de coordenação entre diferentes níveis de governo para enfrentar organizações criminosas que operam de forma transnacional e inter-regional.

Experiência e especialização em crime organizado.

O juiz Alexandre Abrahão possui reconhecida expertise no combate ao crime organizado, atuando na 3ª Vara Criminal especializada do TJ-RJ. Sua experiência prática no julgamento de casos complexos envolvendo organizações criminosas confere autoridade técnica às suas análises e proposições.

Durante sua atuação na magistratura, o Dr. Abrahão tem se deparado constantemente com os desafios impostos pela sofisticação crescente do crime organizado, que utiliza tecnologias avançadas e redes internacionais para suas operações ilícitas.

Impacto social e relevância do diálogo.

A participação do magistrado no evento da ANB Black demonstra a importância do diálogo entre o Poder Judiciário e outros setores da sociedade civil organizada. Esta interação permite que experiências práticas do sistema de justiça sejam compartilhadas com lideranças empresariais e sociais, contribuindo para o desenvolvimento de soluções mais eficazes.

O evento na Barra da Tijuca reuniu diversos profissionais e empresários interessados em contribuir para o desenvolvimento social e econômico do país, criando um ambiente propício para discussões sobre os desafios enfrentados pelo Rio de Janeiro.

Por Robson Talber @robsontalber 

Repórter Oscar Muller @oscarmulleroficial

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Por Ultima Hora em 03/02/2026
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